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Polícia apresenta suspeito de matar 4 mulheres

13 de Agosto de 2018 às 15:10

A Polícia Civil de Sorocaba apresentou nesta segunda-feira (13) um homem de 27 anos como suspeito de matar quatro mulheres, os chamados feminicídios, em Votorantim. De acordo com as investigações, o servente de pedreiro -- conhecido como Mexicano -- seria um serial killer que agia na região da Vila Garcia e atacava mulheres. As mortes teriam acontecido entre os anos de 2014 e 2017. As informações foram divulgadas pelos delegados Marcelo Carriel, titular da Seccional, José Antônio Proença Martins, assistente de Votorantim e Marcelo Munhoz, titular de Votorantim.

Os delegados explicaram que o suspeito provocava traumatismo craniano nas vítimas desferindo golpes -- de pedra ou de pau -- na face das mulheres e, em alguns casos, ainda queimava o rosto delas. A avaliação, baseada também em depoimentos de testemunhas protegidas, é de que o suspeito sofria de impotência sexual e se satisfazia por meio da agressão às mulheres. "Talvez isso seja a motivação também dele desfigurar as mulheres", observa Carriel. O perfil, pela violência e crueldade dos crimes seguindo um mesmo modus operandi, seria de um serial killer.

O homem foi detido em fevereiro, e teve a prisão preventiva decretada em maio, pelo feminicídio de M.A.F.F., de 44 anos. Ela foi encontrada em uma quadra pública de Votorantim em dezembro de 2017 após ser vista saindo de um bar com o suspeito e o pai dele, que também está preso pelo envolvimento no crime.

A partir da prisão, foi traçada a sua autoria nos outros crimes, pelos quais foi indiciado ontem. Segundo a polícia, o uso de entorpecentes estaria envolvido no caso, uma vez que seria um dos atrativos usados pelo Mexicano para levar as vítimas aos locais dos crimes, que seriam terrenos baldios e outros espaços de fácil acesso durante a noite. As vítimas seriam ainda pessoas que ele conhecia em um ponto de uso de drogas na cidade. Os crimes teriam ocorrido em um raio de 2 quilômetros de onde o suspeito residia, na região da Vila Garcia.

As investigações apontam que ele foi visto com a roupa ensangüentada após um dos feminicídios. Uma testemunha chave do caso é uma garota de programa, com quem não teria conseguido manter relações sexuais. Ele teria exigido o dinheiro de volta, ameaçando-a com uma faca e dizendo que faria com ela como fez com outra mulher. Trata-se de J.P., de 30 anos, morta em outubro de 2014. As outras vítimas foram R.C.S, 50 anos, morta em abril de 2015 e L.M.U.F, 52 anos, que morreu em março de 2017.

O homem teria negado a autoria dos crimes, mas para a polícia há diversos indícios e depoimentos que confirmam. O suspeito, inclusive, seria conhecido e temido na região em que residia. Segundo as investigações, a própria mãe desconfiava do filho e, após os crimes, conversava com os vizinhos sobre a possibilidade do filho ser o autor. O delegado Marcelo Carriel avalia que o suspeito é um serial killer, frio e sem arrependimento, que continuaria matando. "Foi ele ser preso e cessaram os feminicídios", afirma. Ainda não está descartado que ele tenha cometido outros crimes.

De acordo com a polícia, ele era natural de Votorantim e já tinha passagens por ameaça e furto.