Sorocaba e Região

Pitbulls eram treinados para rinha com esteira e anabolizantes em Itu

A Polícia Civil confirmou que os cães estão ligados ao caso descoberto no fim de semana em Mairiporã
Maioria dos animais foi encontrada presa em correntes. Crédito da foto: Emídio Marques

*Atualizada às 17h18

Trinta e três cães, todos da raça pitbull, foram resgatados entre segunda (16) e terça-feira (17) em uma chácara de Itu. A Polícia Civil confirmou que os animais eram treinados para rinhas.

Uma estrutura de concreto construída na propriedade era usada para o confronto entre os cães. Anabolizantes, uma esteira de corrida e uma piscina também foram encontrados no local e eram utilizados para preparar os animais para as brigas.

Segundo o investigador Bruno Ceccolini, a chácara tem ligação com o caso descoberto no final de semana em Mairiporã. O homem que morava no local é o peruano, de 52 anos, que está entre os 41 detidos na operação ocorrida no fim de semana na cidade da Grande São Paulo.

No imóvel há fotos do homem, que foi solto na segunda-feira após passar por audiência de custódia. “A casa pertence a uma mulher e quando chegamos aqui havia apenas duas funcionárias, que devem ser ouvidas”, disse o investigador.

Dona dos cães

O advogado da proprietária do imóvel esteve no local e contou que ela também era dona dos cães. “Ela não sabia o que ocorria aqui. Apenas sabia que ele cuidava dos cães”, defendeu o advogado da mulher, que reside em outra propriedade em Itu.

O advogado Wilson José dos Santos Muscari disse não saber se o local era devidamente registrado como criadouro de animais, o que demanda CNPJ, veterinário responsável e canil adequado. Todos os animais estavam acorrentados a árvores, com pequenas casinhas de madeira e sem alimentação. Nenhum veterinário se apresentou como responsável.

 

De acordo com Ceccolini, o caso será investigado pela Polícia Civil de Itu em parceria com a unidade de Mairiporã. “As investigações seguirão e os envolvidos poderão responder por maus tratos, jogos de azar e associação criminosa”, disse o investigador.

Atualmente a pena aplicada em casos de maus-tratos é de três meses a um ano de detenção e multa. Um projeto de lei em tramitação na Câmara dos Deputados, que altera a Lei dos Crimes Ambientais, propõe que a punição seja aumentada para o período de dois a cinco anos, multa e a perda da guarda do animal, se for o caso.

 

A operação

O resgate dos cães teve início na segunda-feira, com o apoio de ongs, após a Polícia Civil receber denúncia anônima sobre os as condições dos animais. Na propriedade todos os pitbulls estavam acorrentados e alguns apresentam ferimentos e precisaram receber transfusão de sangue. Havia ainda três fêmeas prenhas.

Foi apreendido um cartão de crédito com o nome do indivíduo apontado como responsável pelo local. Ele é investigado pela Polícia Civil por envolvimento com a prática de rinha.

A perícia esteve na chácara e os cachorros foram custodiados à Associação de Vida Animal (AVA), em Atibaia, e socorridos para vários abrigos. Eles devem passar por avaliação veterinária, receberão os cuidados necessários e então seguirão para adoção consciente.

Outros animais

No local também havia seis bodes, um porco, dois cavalos, galinhas e patos, além de animais silvestres, como duas calopsitas, um porquinho da Índia, um canário da terra, duas maritacas e dois gambás. Esses animais foram encaminhados ao Centro de Referência de Assistência Social (Cras) da região de Itu, onde passarão por avaliação e reabilitação.

Patrícia Gollitsch Daunt, presidente da Associação de Socorro e Proteção aos Animais de Itu, acompanhou o resgate e conta que apesar de assustados, os animais são dóceis. “O que a gente vê aqui é um desrespeito às leis, uma amostra de até que ponto chega a maldade do ser humano”, lamentou a ativista. Já Alan Leal, integrante do movimento Cadeia Para Maus-Tratos, conta os animais estavam no meio de fezes e também muitos ratos ocupavam o espaço.

Leal explica que os cães resgatados são dóceis com humanos, mas por conta do treinamento se tornam muito agressivos entre si. “A maior dificuldade no resgate é essa, a princípio esses cães terão que ficar separados e as ongs não dispõem de tanto espaço”, afirma.

Ainda conforme Leal, uma avaliação inicial apontou oito cães mais debilitados. Esses animais serão enviados para uma ong especializada em pitbulls, a Pit Alê, de São Paulo. Outros serão distribuídos entre outras ongs e permanecerão em abrigos e em lares temporários. Também participaram da ação as ongs Animais Têm Voz, de Americana, e Abrigo Vida de Anjo, de Mairiporã.

Caso em Mairiporã

Em Mairiporã, na Grande São Paulo, 19 cães que participavam de uma “rinha” foram resgatados no último sábado. Os animais, da raça pitbull, eram incentivados a lutar entre si e foram encontrados com diversos ferimentos. Entre os envolvidos na luta de cães estão veterinários, médicos, um policial militar e cinco estrangeiros, entre ele o morador do imóvel de Itu.

No total 41 pessoas foram detidas e levadas para a Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente, em São Paulo. Porém, o grupo participou de audiência de custódia na segunda-feira e apenas um deles permaneceu preso — o homem foi apontado pelo proprietário do sítio como responsável por alugar o local e por fazer o pagamento da locação.

Segundo a Polícia Civil, a “rinha” era combinada em um grupo no aplicativo de WhatsApp. De acordo com os agentes, um dos cachorros não sobreviveu em uma das lutas e foi servido como churrasco para os participantes. Os cães que sobreviveram receberão todo o atendimento médico necessário e, depois de castrados e adestrados, irão para adoção.

De acordo com a Polícia Civil, esses encontros que eram realizados para a “rinha” de cães rendiam alto valores em dinheiro e os participantes chegavam a apostar até carros. (Com informações de Larissa Pessoa e Sabrina Souza)

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