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PF e Receita fazem operação contra crimes praticados por ex-auditor na região de Sorocaba

11 de Novembro de 2020 às 08:11

PF apreendeu documentos, telefones celulares, mídias de computadores e cerca de R$ 180 mil em espécie durante a Operação Coletor. Crédito da foto: Vinícius Fonseca (11/11/2020)

Atualizada às 19h35

A Receita Federal, com o apoio da Ministério Público Federal e da Polícia Federal, realiza, na manhã desta quarta-feira (11),  uma operação contra lavagem de dinheiro, sonegação fiscal e improbidade administrativa, na região de Sorocaba. Os crimes teriam sido cometidos por um ex-auditor fiscal da Receita e familiares dele. Intitulada Coletor, a ação é deflagrada em Sorocaba, Araçoiaba da Serra e Ibiúna.

Ao todo, são cumpridos 13 mandados de busca e apreensão, em endereços residenciais e empresariais ligados ao ex-funcionário do órgão e aos demais envolvidos. Os mandados foram expedidos pela juíza federal substituta Fabiana Alves Rodrigues, da 10ª Vara Federal Criminal em São Paulo. O objetivo é coletar provas acerca de possível crime de lavagem de dinheiro, tendo como base os crimes de corrupção passiva, sonegação fiscal e outras atividades criminosas.

A Justiça também determinou o sequestro de 133 imóveis e de ativos em contas bancárias, até o limite de R$ 421.175.847,23, e veículos. O valor é equivalente ao patrimônio do ex-colaborador construído com indícios de irregularidades, afirma a Receita.

No início deste ano, o aposentado foi investigado pela Corregedoria da Receita Federal por improbidade administrativa. Além da região de Sorocaba, as buscas são realizadas na capital paulista e no Guarujá, no litoral do Estado.

Delegados durante coletiva na sede da Polícia Federal em Sorocaba. Crédito da foto: Vinícius Fonseca (11/11/2020)

Em coletiva de imprensa durante a manhã, a Polícia Federal em Sorocaba informou que até o momento já foram apreendidos documentos, telefones celulares, mídias de computadores e cerca de R$ 180 mil em espécie. Todo o material será analisado pela PF e a Receita Federal.

Como a investigação ainda está em andamento, até o momento não houve o indiciamento ou pedido de mandado de prisão contra o ex-auditor fiscal. O nome do ex-servidor não foi divulgado.

Investigações

A Receita iniciou as investigações em 2015. Três anos depois, em 2018, a Delegacia de Polícia Federal de Sorocaba também passou a apurar o caso.

Além da sonegação de tributos, por meio da omissão da verdadeira origem dos recursos, teria desenvolvido um esquema de lavagem de dinheiro com o uso de 52 empresas. Todas com atuação no ramo imobiliário, informa a Receita.

A criação dessas empresas, diz o órgão, visava fragmentar entre elas o patrimônio imobiliário do investigado, dificultando a atuação da fiscalização sobre o patrimônio. No sistema ilegal, uma parte dos tributos incidentes era recolhida. Os recursos eram divididos como supostos lucros lícitos aos sócios. No esquema, a Receita identificou empresas que distribuíram lucros em valores maiores do que os movimentados em suas contas bancárias. (Da Redação, com informações de Ana Cláudia Martins, Receita Federal e Polícia Federal)