Sorocaba e Região

Passageiros continuam sendo barrados no transporte coletivo em Sorocaba

Idosa foi barrada na manhã deste sábado (28) ao chegar na entrada do Terminal Santo Antônio
Funcionários de uma das empesas que operam o transporte coletivo em Sorocaba abordam passageiros nas catracas do Terminal Santo Antônio. Crédito da foto: Fábio Rogério.

Atualizada às 17h54

Usuários do transporte coletivo de Sorocaba continuam sendo barrados e impedidos de entrar nos ônibus. A situação foi novamente flagrada na manhã deste sábado (28) nas catracas do Terminal Santo Antônio, o maior da cidade. Somente 40% da frota de ônibus está rodando em horário de pico, mas a decisão judicial determina 60%.

Por meio de nota, a Urbes – Trânsito e Transportes, responsável pelo gerenciamento do transporte coletivo de Sorocaba, informou que “tem atuado para que o transporte coletivo atenda a todos os usuários, com atenção especial aos serviços considerados essenciais neste momento de pandemia”. A informação vai de encontro com um vídeo, gravado no Terminal Santo Antonio, cujas imagens mostram um usuário sendo barrado na catraca.

A Urbes divulgou ter feito um acordo com o Sindicato dos Rodoviários de Sorocaba e a Prefeitura. “Estabeleceu-se que 40% da frota do transporte coletivo está atendendo, das 5 horas às 21 horas, a população, em tabela horária de domingo. A Urbes reforça a necessidade das pessoas ficarem em casa, em isolamento social, a fim de evitar a contaminação pela Covid-19. Ou seja, só saia de casa se for extremamente necessário.” O Sindicato dos Rodoviários de Sorocaba também foi questionado a respeito, mas informou que não irá responder.

Uma idosa de 61 anos, que pretendia pegar um ônibus para retornar a casa dela, depois do trabalho, não conseguiu entrar no terminal. Ela disse que foi impedida de entrar.

Maria Cecília Volpe Mello disse que por volta das 9h10 deste sábado foi até o Terminal Santo Antônio, onde pretendia pegar um ônibus para o bairro Mineirão, onde fica a residência dela. Porém, ela conta que ao se aproximar da catraca um funcionário aproximou-se e disse que ela não poderia entrar.

Maria disse ainda que por conta da distância não poderia voltar para a casa a pé e então teve que chamar um transporte por aplicativo. “O rapaz do terminal não deixou eu entrar e disse que o meu cartão, por ser de idoso, nem iria funcionar. Fiquei constrangida, pois eu precisava pegar o ônibus para voltar para a casa”, reclama.

Também nesta manhã, todas as pessoas que chegavam até as catracas do Terminal Santo Antônio eram abordadas pelos funcionários de uma das empresas que operam o transporte coletivo em Sorocaba. E a entrada só era permitida para os profissionais que trabalham em serviços essenciais das áreas da saúde, segurança pública e abastecimento, entre outros.

Além disso, muitos trabalhadores informais, como é o caso da cuidadora de idosos citada acima, também realizam serviços essenciais, mas como são autônomos, não conseguem comprovar que atuam nas categoriais de serviços considerados essenciais neste momento, por conta da pandemia do novo coronavírus.

O mesmo ocorre, por exemplo, com funcionários terceirizados na área da limpeza e que trabalham em hospitais ou unidades de saúde. Com a paralisação parcial do transporte coletivo, o Conjunto Hospitalar de Sorocaba (CHS) tem sofrido com a falta de funcionários que não conseguem chegar na unidade.

Por conta disso, a gestora do CHS entrou na Justiça para pedir a ampliação da operação do transporte coletivo na cidade.

Impasse

Na quinta-feira (26), o Cruzeiro do Sul já havia publicado matéria a respeito relatando que muitos passageiros estão sendo deixados nos pontos de ônibus, sem a possibilidade de acesso aos coletivos. Isso estaria ocorrendo em diferentes regiões da cidade, o que não atende à determinação judicial.

Na terça-feira (24), a desembargadora relatora Rosemeire Uehara Tanaka, do TRT-15 determinou a disponibilização de 60% da frota. No entanto, um acordo entre Urbes e o sindicato da categoria, que passou a valer na manhã da última quinta-feira, estabeleceu a retomada da operação com apenas 40% da frota, somente a trabalhadores de serviços considerados essenciais.

A informação foi confirmada pela Urbes Trânsito e Transportes, responsável pelo gerenciamento do transporte coletivo de Sorocaba. Segundo a empresa pública, houve um acordo com o Sindicato dos Rodoviários de Sorocaba para circular somente 40% da frota. A decisão contraria a Justiça.

Passageiros são abordados na entrada do Terminal Santo Antônio por conta da paralisação parcial do transporte coletivo. Crédito da foto: Fábio Rogério.

O transporte coletivo foi interrompido em Sorocaba e região no final da manhã de segunda-feira (23). O Sindicato dos Rodoviários decidiu recolher toda a frota de ônibus urbano, intermunicipal e rodoviário nos 43 municípios que compõem a base de representação da entidade.

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Por meio de nota, o sindicato informou que os trabalhadores irão permanecer parados por 15 dias. A medida foi adotada diante da propagação do novo coronavírus, causador da Covid-19.

No dia seguinte, o Tribunal Regional do Trabalho da 15ª região (Campinas) foi favorável ao pedido feito pela Urbes. Na decisão, determinou o imediato retorno da operação do transporte coletivo da cidade.

A desembargadora relatora Rosemeire Uehara Tanaka concedeu a liminar determinando a disponibilização de 60% da frota em horários de pico. Ou seja, das 5h às 8h e das 17h às 20h.

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No restante do dia, o volume de veículos seria de 40% da frota, atendendo assim a necessidade da população que precisa se deslocar, especialmente aos profissionais que trabalham em serviços essenciais das áreas da saúde, segurança pública e abastecimento. (Da Redação)

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