Sorocaba e Região

Para ser doador de órgãos é necessário revelar intenção para a família

Campanha alerta que apenas parentes podem autorizar procedimentos
Para ser doador é necessário revelar intenção para a família
Setembro Verde quer estimular mais pessoas a se manifestarem como doadoras. Crédito da foto: Divulgação

 

“Foi um milagre o que aconteceu comigo. Agradeço a Deus todos os dias porque voltei a viver de novo”, afirma Vânia Andries, 60 anos. Em 2011, ela conseguiu rins compatíveis e desde então não precisa passar por hemodiálise. “Era uma vida muito sofrida, dia sim, dia não, tinha de passar quatro horas na máquina e não voltava bem. Quando melhorava, já tinha de fazer de novo”, conta ela, que hoje tem qualidade de vida e inclusive está feliz por poder trabalhar.

Nesta sexta-feira (27), no Dia Nacional da Doação de Órgãos, Vânia incentiva as pessoas a terem essa consciência e doarem seus órgãos a quem precisa. “Depois que morreu, o que vai fazer? Tem mais que doar mesmo, para salvar vidas. Até hoje eu rezo pela pessoa que doou seus rins pra mim”. Conforme balanço da Central de Transplantes do Estado de São Paulo, 20% dos procedimentos são de rins, 10% de fígado e o mesmo porcentual é verificado em relação ao coração.

O Dia Nacional da Doação de Órgãos faz parte da campanha Setembro Verde. Para incentivar mais pessoas a doarem órgãos, a Unimed Sorocaba está divulgando em suas redes sociais uma campanha cujo mote é a palavra “sim”, destacando que, na maioria dos momentos mais importantes da vida, como um pedido de casamento, por exemplo, esse termo é decisivo.

Leia mais  Faculdade de Medicina discute Setembro Amarelo

 

A campanha alerta para o fato de que muitas pessoas têm o desejo de serem doadoras, mas seus familiares não chegam sequer a saber dessa intenção. Por isso, é muito importante manifestar essa disposição à família. Cada doador de órgãos pode ajudar a salvar até sete vidas.

Para ser doador é necessário revelar intenção para a família
Vânia: doação de rim salvou a vida. Crédito da foto: Cortesia

A Central de Transplantes reforça essa informação. Atualmente, a doação de órgãos deve ser consentida. Quem quiser ser doador não precisa mais incluir a informação no RG ou na CNH. Basta comunicar a família sobre o desejo. A autorização para doação deve ser dada por familiares com até o 2º grau de parentesco. A orientação é que haja diálogo entre as famílias sobre o desejo de ser ou não doador de órgãos.

A doação pode ser de órgãos (rim, fígado, coração, pâncreas e pulmão) ou de tecidos (córnea, pele, ossos, válvulas cardíacas, cartilagem, medula óssea e sangue de cordão umbilical). Alguns órgãos podem ser doados em vida como o rim, parte do fígado e da medula óssea.

A doação de órgãos de pessoas falecidas acontece somente após a confirmação do diagnóstico de morte encefálica. Geralmente, são pessoas que sofreram um acidente que provocou traumatismo craniano (acidente com carro, moto, quedas etc.) ou que sofreram acidente vascular cerebral (derrame) e evoluíram para morte encefálica, ou seja, a perda completa e irreversível das funções cerebrais, definida pela cessação das funções corticais e de tronco cerebral; portanto, é a morte de uma pessoa.

6 em cada 10 transplantes são de córnea

A cada 10 transplantes realizados no Estado de São Paulo, seis são de córneas. É o que aponta o balanço realizado pela Central de Transplantes estadual. Somente no primeiro semestre deste ano, por exemplo, foram realizados 4.023 transplantes no Estado, sendo 2.583 especificamente de córnea.

O Hospital Oftalmológico de Sorocaba — Banco de Olhos de Sorocaba (BOS) é a unidade de saúde que mais realiza transplantes e captação de córneas no Brasil. Somente no estado de São Paulo, o BOS responde por 36% dos transplantes de córneas. Em 2018, das 5.702 cirurgias registradas no Estado, 2.045 foram feitas pelo hospital.

Leia mais  BOS faz parceria com Estado para zerar fila do transplante de córnea

 

No momento, 2.814 pessoas estão à espera de córneas em São Paulo. Essa é a segunda maior demanda depois de rins (14.483), seguida por fígado (793), pâncreas/rins (400), coração (196) e pulmão (99).

São Paulo é o que mais transplanta no País, respondendo por quase metade dos procedimentos feitos no Brasil. Em Sorocaba, desde o início do ano até setembro, os hospitais realizaram via SUS 29 transplantes, sendo 24 de fígado e cinco de rim. O Conjunto Hospitalar de Sorocaba e o Hospital Regional de Sorocaba Dr. Adib Domingos Jatene contabilizam, juntos, 24 captações de órgãos.

Outra referência na cidade é a Unimed, considerada é um dos mais ativos centros transplantadores credenciados pelo Ministério da Saúde. A unidade, que abriga o Hospital Dr. Miguel Soeiro realizou 1.202 procedimentos — somando os renais, ósseos, de córnea, de fígado, de fígado-rim (duplo), de medula óssea (autólogo e alogênico — muitos deles, para pacientes cobertos com recursos do SUS.

Os transplantes já realizados são: córnea (725), fígado (169 – ontem foi realizado mais um), fígado-rim (2), medula óssea autólogo (222), medula óssea alogênico (14), coração (21), ósseo, tecnicamente denominado tecido ósteo-condro-fáscio-ligamentoso (44), rim, intervivos (4) e rim, doador falecido (2).

Ainda hoje, o Hospital Dr. Miguel Soeiro continua sendo o único hospital privado do interior paulista habilitado para realizar transplantes de fígado e o quinto centro com maior produção nesta modalidade de procedimento, dentre as 34 equipes habilitadas no Estado. (Daniela Jacinto)

Comentários