Sorocaba e Região

Pandemia quebra tradição religiosa e adia 122ª Romaria de Aparecidinha

Decisão do arcebispo Júlio Endi Akamine foi comunicada em carta aberta aos fiéis
No ano passado, cerca de 50 mil fiéis participaram da procissão. Crédito da foto: Erick Pinheiro. (14/7/2019)

 

Mais antiga peregrinação de Sorocaba, a 122ª Romaria de Aparecidinha, que aconteceria no próximo dia 12 de julho, será adiada para outra data, ainda a ser definida, por causa da pandemia do novo coronavírus. A decisão foi comunicada pelo arcebispo metropolitano de Sorocaba, dom Júlio Endi Akamine, nesta sexta-feira (12), em carta aberta aos fiéis da Arquidiocese de Sorocaba e devotos de Nossa Senhora Aparecida.

Na carta, Akamine informa que o adiamento se faz necessário “a fim de evitar que a própria romaria seja causa de disseminação de Covid-19 e também porque não é possível preparar a infraestrutura necessária para esse grande evento”.

No ano passado, cerca de 50 mil fiéis participaram da procissão, com trajeto de 16 quilômetros, que tradicionalmente ocorre no segundo domingo de julho, acompanhando a imagem da santa da Catedral, no Centro, até o seu santuário, no bairro de Aparecidinha.

Leia mais  Secretaria da Habitação retoma hoje atendimento presencial sem agenda

No comunicado aos fiéis, o arcebispo lembra que a Romaria de Aparecidinha surgiu há mais de 120 anos “como súplica dos católicos à  intercessão de Nossa Senhora Aparecida pelo fim da epidemia [de febre amarela] que matava muitas pessoas em Sorocaba e Região”. “Neste ano vivemos um sofrimento semelhante”, compara a autoridade católica.

Segundo pesquisadores, a tradicional romaria remonta ao final do século retrasado, sendo que em 1899, como voto religioso realizado durante um surto de febre amarela que matou centenas de pessoas na cidade. O então pároco monsenhor João Soares estipulou a realização anual das romarias, duas vezes por ano: após 1º de janeiro, a imagem retorna da Catedral Metropolitana para a capela de sua origem no segundo domingo de julho.

Em 1918, a cidade foi atingida por outra epidemia, de gripe espanhola que, segundo publicação do Cruzeiro do Sul naquele período, causou mais de 300 mortes na cidade.

“Pedimos a todos os romeiros de Aparecidinha que se unam na mesma oração para suplicar mais intensamente ainda pelo fim desta pandemia”, finaliza o arcebispo.

Comentários