Sorocaba e Região

Pais protestam contra fim de projeto que atendia crianças autistas

As crianças tinham atendimentos de fonoaudiologia, terapia ocupacional, psicologia e psicopedagogia
Pais de crianças atendidas por projeto na Amas estão preocupados com fim de atendimentos. Crédito da foto: Fábio Rogério.

Os pais de 30 crianças que são atendidas na Associação de Amigos dos Autistas de Sorocaba (Amas) fizeram um protesto na manhã deste sábado (14). A manifestação foi contra o fim de um projeto que atendia crianças de 2 a 6 anos, que são autistas, com atendimento especializado e individual.

Por meio do projeto, as crianças tinham atendimentos de fonoaudiologia, terapia ocupacional, psicologia e psicopedagogia, toda a semana. O protesto ocorreu na rua Nova Odessa, no Jardim Vera Cruz, onde fica uma das sedes da Amas.

Porém, os atendimentos acabaram na semana passada e os pais foram informados pela direção da Amas que as 30 crianças não seriam mais atendidas por meio do projeto.
O motivo é que o projeto era realizado por meio de repasse do Fundo Municipal da Criança e do Adolescente (FUMCAD), através de edital do Conselho Municipal da Criança e do Adolescente (CMDCA), mas a Amas não foi contemplada em 2020 para receber o recurso.

Com isso, a entidade continua a atender normalmente outras 110 crianças e adolescentes na unidade, mas as 30 que eram atendidas pelo projeto especificamente por meio de repasse do Fundo, que tinha duração de um ano, acabou.

Prefeitura diz que projeto recebe recursos do FUMCAD

Questionada, a Prefeitura de Sorocaba informou que os recursos que a entidade recebia era oriundo de projeto apresentado pela Amas ao CMDCA. “São recursos do FUMCAD, que é gerido pelo CMDCA, órgão autônomo. Deste modo, a Prefeitura não tem interferência”, diz.

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A diretora da Amas, Jeane Collaço, afirma que o CMDCA abre edital para selecionar projetos, como o que era desenvolvido na entidade, chamado “Estimulação na 1ª Infância em Autistas”, que atendia crianças de 2 a 6 anos.

Segundo ela, o projeto existia há dois anos e em novembro do ano passado a Amas novamente apresentou a proposta para o edital do CMDCA cujo resultado saiu no último dia 10, mas a entidade não foi contemplada para receber recursos do FUMCAD. “18 entidades apresentaram projetos, mas somente oito foram contempladas e a Amas ficou de fora. Infelizmente a entidade não possui recursos para continuar atendendo as 30 crianças nesse projeto específico e remunerar os profissionais envolvidos”, diz.

Jeane disse ainda que o custo mensal do projeto, que é diferente dos demais atendimentos prestados na entidade para as outras 110 crianças e adolescentes, gira em torno de R$ 12 mil. “Vamos encaminhar as crianças para a Secretaria de Estado da Saúde e também para a Secretaria da Saúde de Sorocaba para que elas possam ser inseridas na rede pública de saúde”, afirma.

CMDCA

Já a presidente do CMDCA, Angélica Lacerda Cardoso, disse que o FUMCAD tem como fonte de renda doações e destinações do imposto de renda de pessoas física e jurídica (empresas).

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Ela disse ainda que o Conselho não possui nenhum recurso oriundo de verba pública e que em 2019 a arrecadação do FUMCAD foi menor que em anos anteriores.

“O projeto apresentado pela Amas ao FUMCAD foi custeado em 2019 e acabou em fevereiro de 2020, ou seja, teve duração de um ano. Porém, para 2020 o recurso do Fundo não foi suficiente para contribuir com o projeto da Amas”, lamenta.

Angélica afirma também que o CMDCA reuniu-se com os pais das crianças e informou sobre a questão. “Durante sete anos o FUMCAD ajudou a Amas. Os projetos existem e o recurso do Fundo apenas melhora o serviço que as entidades já fazem”, diz.

A presidente do CMDCA informa ainda que no ano passado o Conselho fez várias campanhas para que as pessoas destinassem doações para as entidades. “A gente precisa que a sociedade colabore ou faça doações diretamente para o Fundo. Com novas doações podemos abrir o edital novamente.

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O Fundo também recebe doações de multas trabalhistas quando o juiz determina”, destaca Angélica.

Pais reclamam

A dona de casa Tatiane Jaques, 34 anos, afirma que o filho autista de três anos era atendido na Amas por meio do projeto duas vezes por semana. Sem ter os atendimentos na entidade, a mãe teme que o filho não tenha o desenvolvimento adequado a partir de agora, visto que ela não tem como pagar pelos atendimentos dos profissionais especializados.

“Meu filho ainda não fala e tem as limitações por conta do autismo e lá na Amas ele era atendido de forma individual e com profissionais adequados. Agora 30 crianças vão ficar sem o atendimento necessário, mas isso não pode ocorrer, pois elas serão prejudicadas”, lamenta.

Tatiane disse ainda que algumas crianças já tiveram que aumentar a medicação que fazem uso por conta do autismo, pois já estão mais ansiosas e angustiadas sem o atendimento que tinham na Amas. “Precisamos de uma solução para a situação, as crianças necessitam”, aponta. (Da Redação)

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