Sorocaba e Região

Os bancos e as filas

Dependendo do horário e do dia, precisar resolver pendências em uma agência bancária, entre elas pagar alguma conta ou sacar dinheiro na boca do caixa pode ser muito demorado. As filas hoje são muito mais organizadas do que foram há dez anos, por exemplo. Hoje há fila preferencial para idosos e pessoas com deficiência, senhas, locais para aguardar sentado etc, mas a espera continua longa. E, na grande maioria das vezes, não é por má vontade dos funcionários da agência. É todo o sistema bancário que passa por mudanças.

Há alguns anos, regiões centrais das cidades grandes e médias tinham seus principais edifícios ocupados por agências bancárias. Isso mudou. Ocorreram inúmeras incorporações e diminuiu muito o número de bancos e, consequentemente, de agências. Um exemplo: funcionários estaduais, ativos e aposentados, que recebiam pelo Banespa, passaram a receber pela Caixa Econômica Estadual e hoje recebem pelo Banco do Brasil, que por sinal, diminuiu drasticamente o número de suas agências. O resultado pode ser visto em qualquer agência do BB na cidade nos dias próximos ao pagamento dos funcionários.

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A própria carreira de bancário mudou bastante. Há algumas décadas, um jovem começava a trabalhar em um banco como auxiliar de escritório ou office-boy (estafeta, para usar linguagem da época) e ia progredindo na carreira. Dependendo do seu grau de instrução e dedicação, chegava ao cargo de gerente, próximo ao final de carreira. Hoje a realidade é completamente outra. A carreira deixou de ser tão atraente e na maioria dos cargos, funcionários têm cotas de vendas de diversos produtos do banco para cumprir. Um estudo divulgado pela consultoria Ernest & Young mostra que até 2025, um em cada três postos de trabalho devem ser substituídos por tecnologia inteligente. Em nove anos, há previsão da possível extinção de várias carreiras, entre elas a de caixa bancário.

Reportagem publicada pelo Cruzeiro (Bancos provocam longas filas e descumprem lei municipal, 3/7, pág. A5) de Ana Cláudia Martins, mostra a demora no atendimento em várias agências bancárias. Ela ouviu muitas reclamações dos usuários e queixas, mas que não se transformam em denúncias formais junto ao setor de fiscalização da Prefeitura. Está em vigor no município, desde 2005, uma lei que estabelece que o cliente bancário tem que ser atendido, no máximo, em 15 minutos em dias normais e em até 30 minutos em véspera de feriados ou após feriados prolongados, dias de pagamentos dos funcionários públicos municipais, estaduais ou federais e de vencimentos de contas de concessionárias de serviços públicos e de recebimento de tributos municipais, estaduais e federais. Todos esses poréns e a burocracia necessária para a apresentação de uma queixa certamente desestimulam o cidadão que perdeu uma hora na fila do banco, mas não quer perder metade do dia para fazer valer seus direitos, sem saber se a agência será punida. De acordo com a lei, a agência que não cumprir o prazo está sujeita à multa de R$ 9.187,86. Em caso de reincidência, o valor dobra. O resultado é que no primeiro semestre deste ano, somente duas agências foram multadas em R$ 19.635,72 por descumprimento da lei municipal.

Os bancos hoje investem dinheiro e tecnologia para que, num futuro próximo, praticamente todas as operações sejam realizadas à distância. Multiplicam-se os aplicativos para que compras, pagamentos, transferências e outras operações sejam feitas pelo celular. A senhora aposentada que hoje começa a se familiarizar com o caixa eletrônico, em breve utilizará um aplicativo em seu smartphone. O único problema é o saque de dinheiro vivo, em que o canal correto é o caixa eletrônico. O sistema bancário esqueceu-se da bandidagem que se especializou em explodir tais dispositivos. Os caixas eletrônicos deveriam estar espalhados por todo canto, em postos de gasolina, nas estradas, em frente às agências, como acontece em todos os países com um melhor grau de segurança, mas estão desaparecendo por conta das ameaças de assalto. As filas, assim como os bancos, da maneira que os conhecemos hoje, tendem a acabar, mas até lá continuarão irritando muito os correntistas.

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