Sorocaba e Região

Ônibus ficam sem rodar em Sorocaba durante assembleia dos motoristas

Sindicato convocou profissionais para discutir demissões; empresas dizem que estão sem recursos
Ônibus ficaram parados durante assembleia. Crédito da foto: Divulgação

*Atualizada às 14h00

O transporte coletivo de Sorocaba deixou de rodar por volta das 12h30 desta quinta-feira (23), durante realização de assembleia dos motoristas, convocada pelo Sindicato dos Rodoviários de Sorocaba e Região. A entidade informou que os ônibus devem voltar ao normal após a reunião. Passageiros reclamaram da paralisação e houve confusão no Terminal São Paulo.

Uma nova paralisação não está descartada, já que, segundo o sindicato, as empresas não pagaram o adiantamento salarial aos trabalhadores no dia 20 deste mês e estariam sendo “intransigentes” nas rodadas de negociação. Já as empresas afirmam que não há “outra providência senão demitir”.

As empresas de transporte de ônibus de Sorocaba, Consor e STU divulgaram nota conjunta na qual dizem que o adiantamento de salário ainda não foi pago por causa das dificuldades financeiras do momento, mas que estão “buscando uma solução”. As concessionárias do transporte coletivo municipal dizem ainda que se a prefeitura continuar pagando o subsídio referente a 40% da frota que está circulando, mesmo com prejuízo, as empresas seguirão com o mesmo percentual circulando na cidade. “Aos 60% restante não teremos outra providência senão demitir, pois não há recurso disponível”.

Assembleias ocorreram nas garagens das empresas. Crédito da foto: Vinícius Fonseca (23/4/2020)

O sindicato diz que se reuniu nesta quarta com empresas do transporte urbano e da Prefeitura, “empenhados em chegar a um acordo sobre a questão trabalhista diante da pandemia do novo coronavírus”. A reportagem apurou que a prefeita Jaqueline Coutinho (PSL) apresentou a proposta de manter o subsídio mensal integral de R$ 6 milhões, mesmo com apenas 40% da frota operando, para que elas pudessem honrar com os deveres trabalhistas, que está sendo analisada pelas empresas. “O que não se pode, mais uma vez, é jogar nas costas da prefeitura uma conta que é deles [empresas]”, disse a prefeita na manhã desta quinta em entrevista à rádio Jovem Pan.

O sindicato afirma que concordou com a adesão da Medida Provisória 936, do governo federal, que instituiu o chamado “Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda”, porém as mesmas estariam “intransigentes” e apresentando novos obstáculos diante de possibilidades de acordo. As empresas, por sua vez, dizem que o sindicato aceitou a redução da jornada de trabalho de 100% para 50%, porém, em relação a remuneração, reivindicam o recebimento de 100 %, ou seja, aceitam trabalhar metade e receber o total. “Isso não é viável, nem pelas empresas e nem tampouco ao erário público”, consideram.

A Urbes, empresa pública que gerencia o transporte na cidade, informa que a até o momento operação nesta quinta-feira (23) está reduzida como adotada no início da pandemia e normal dentro desse padrão. Por meio de nota, a Urbes diz que “seu papel é contribuir para que as partes cheguem a um acordo e que não haja prejuízo àqueles que precisam trabalhar por exercerem atividades nos serviços essenciais neste momento de pandemia”.

Comentários