Sorocaba e Região

Número de crianças infectadas por Covid-19 aumenta na região

Apesar de baixa taxa de complicações, há mortes contabilizadas
José Rivera, Glaucia Silva Santos e os dois filhos. Bernardo (de branco), de apenas 3 anos, faleceu de Covid-19 em março. Crédito da foto: Arquivo pessoal.

A quantidade de crianças infectadas pela Covid-19 cresceu no mês de março na região de Sorocaba. Se há uma boa notícia, é a de que as internações correspondem a apenas 2,5% dos casos, mas essas complicações existem e já causaram, infelizmente, a morte de alguns pequenos.

Bernardo José Rivera, de apenas 3 anos, é um deles. Ele sofreu um acidente doméstico em setembro do ano passado na piscina de sua casa, em Alumínio, fragilizando sua saúde. Seus pais, o vereador José Rivera (PSB) e Glaucia Silva Santos, vinham tomando todos os cuidados para que nenhum deles fosse infectado, mas infelizmente toda a família acabou contaminada.

Foi muito pouco tempo até Bernardo contrair a doença, desenvolver os sintomas e falecer no dia 10 de março, esperando um leito em um hospital. A mortalidade em crianças é de 0,08%, sendo 2/3 naquelas que possuem algum problema anterior, segundo o Hospital das Clínicas, como foi com a criança.

“Só saímos poucas vezes de casa por conta do tratamento prévio dele, mais nada. Tínhamos uma ‘UTI’ em casa desde o acidente, mas chegou um dia que a respiração estava muito ruim por causa da Covid e a preocupação era levá-lo até o hospital. Ele chegou lá com saturação de 26, sendo que o normal de uma pessoa é 92-93. Eu sabia que ele não ia aguentar”, iniciou Glaucia.

“Eu sei que todo mundo que o atendeu fez o melhor. Qualquer mãe morreria milhões de vezes no lugar de um filho. Eu perdi ele duas vezes, no acidente e agora. Eu não vi meu filho estudar, se formar, namorar, eu não vi nada, mas a gente tem que se apegar em alguma coisa. Eu não vejo o fim do poço, não sei mais quanto eu vou cair”.

Leia mais  Cidadão pode enviar sugestões ao Orçamento de SP até dia 11

Casos aumentam

Só em março, 108 crianças de 0 a 12 anos foram contaminadas em Sorocaba, sendo que uma faleceu, com apenas um mês de vida, segundo dados da Secom. Desde o início da pandemia, são 852 casos confirmados para essa faixa etária, uma média de 71 casos por mês, indicando, portanto, um aumento bastante significativo neste mês de março. Na região, os dados seguem em ascensão também – Piedade, por exemplo, vem apresentando casos entre crianças quase diariamente.

“No ano passado, oito crianças foram internadas no GPACI com Covid, sendo que duas precisaram de UTI, mas tinham câncer também. Uma delas veio a falecer. Só da segunda quinzena de fevereiro até agora, são sete casos diagnosticados. É um aumento substancial em relação ao ano passado”, explicou o Dr. Gustavo Ribeiro Neves, oncologista e diretor técnico do GPACI.

Leia mais  Por Covid, Sudeste tem mais óbitos do que nascimentos pela 1ª vez

Esses dados são apenas de pacientes que foram internados, ou seja, a quantidade é muito maior se contabilizados também os casos ambulatoriais. Segundo o especialista, com o aumento de contaminados adultos, as crianças também são afetadas, ainda mais por conta das novas variantes.

Bernardo, com problemas prévios, pegou coronavírus e não resistiu. Crédito da foto: Arquivo pessoal.

Neves reitera que todos os pequenos devem seguir os protocolos de saúde, com uso de máscaras, por mais difícil que seja, e álcool em gel, além de evitar aglomerações, ainda mais por conta do início do outono. Ele ainda indica que, talvez, o afastamento das escolas seja interessante neste momento.

“Agora ainda vem uma fase difícil da sazonalidade, com o início do outono e depois inverno, quando começa mais vírus de bronquiolite e influenza vírus, por exemplo, então isso causa infecção conjunta e podem gerar problemas, além de ser uma fase de alta demanda na pediatria. É uma preocupação”.

Conscientização

Glaucia Silva Santos vive o luto pela morte do filho, mas mesmo diante da dificuldade de falar sobre o assunto, acredita ter o papel de alertar outras famílias.

Leia mais  Esperando volta, jogadores do São Bento treinam por primeira vitória

“Realmente é difícil, mas os casos em crianças estão crescendo absurdamente. Nem vejo mais jornal. Tem gente na rua, buscando isso. Desde que aconteceu, só fico na cama. Vejo mães com crianças passeando. Gente, pelo amor de Deus, é uma doença de dia para noite, leva embora quem a gente mais ama”, finalizou. (Marina Bufon)

Comentários