Saúde
Vigilância Sanitária coleta materiais após denúncias na hemodiálise do CHS
Secretaria Estadual de Saúde apura ocorrências registradas em outubro; familiares relatam pacientes internados em estado grave após sessões no Conjunto Hospitalar de Sorocaba
A Vigilância Sanitária de Sorocaba realizou uma inspeção no serviço de hemodiálise do Conjunto Hospitalar de Sorocaba (CHS) após denúncias de intercorrências envolvendo pacientes durante sessões realizadas em outubro. Durante a visita técnica, foram coletados materiais que serão submetidos a análises. A fiscalização contou com a participação da Vigilância Epidemiológica municipal e de órgãos estaduais de Saúde e Sanitária.
Em nota, a Prefeitura informou que os materiais coletados seguem para análise e posterior adoção das providências necessárias. Não foram divulgados detalhes sobre os pontos identificados durante a inspeção nem sobre o prazo para a conclusão dos exames.
A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP) confirmou que apura a denúncia relatada pelo Jornal Cruzeiro do Sul. Segundo a pasta, informações repassadas pela entidade gestora do CHS apontam que foram adotadas medidas de controle e segurança. Até o momento, não há registro de novos casos suspeitos relacionados à ocorrência.
A investigação também inclui as circunstâncias dos dois óbitos mencionados em mensagens atribuídas a profissionais do serviço, referentes aos dias 21 e 22 de outubro. A Secretaria informou que adotará as providências cabíveis após o encerramento da apuração. Não foi esclarecido, até o momento, se há suspeita de relação entre as mortes e possíveis problemas no procedimento de hemodiálise.
Familiares relatam casos graves
Além das denúncias que motivaram o pedido de fiscalização, familiares de pacientes procuraram a reportagem para relatar episódios de agravamento do quadro clínico após sessões de hemodiálise realizadas no dia 19 de outubro.
Um dos relatos é de Maéle Gonçalves Pereira de Oliveira, sobrinha de Vicente Gonçalves Senário Junior. Segundo ela, o tio passou mal gravemente após aproximadamente uma hora e meia de tratamento no Hospital Leonor Mendes de Barros. De acordo com o relato do paciente à família, outras duas pessoas que realizavam hemodiálise no mesmo turno também apresentaram mal-estar.
Vicente foi transferido para o Hospital Regional de Sorocaba, onde permanecia internado em estado grave quando a familiar formalizou o pedido de apuração, em 23 de outubro. Maéle afirma que ele ficou sem realizar hemodiálise até a madrugada daquele dia e que a família recebeu a informação de que o paciente apresentava uma infecção no sangue, mas não obteve esclarecimentos suficientes sobre a origem do quadro, os resultados das hemoculturas e as condutas adotadas em relação ao cateter.
A sobrinha solicitou investigação sobre uma possível relação entre o procedimento dialítico e a infecção, além de informações sobre as medidas médicas adotadas e a continuidade segura do tratamento.
Outro relato foi apresentado por Andréa, familiar de José Nascimento Cajueiro. Segundo ela, o padrasto passou mal durante uma sessão de hemodiálise em 19 de outubro, por volta das 21h30, e foi transferido em estado crítico para o Hospital Regional de Sorocaba.
A familiar afirma que, na chegada à unidade, ele não conseguia falar ou movimentar os braços e as pernas e apresentava ausência de respostas neurológicas. Dois dias depois, em 21 de outubro, foi transferido para o Hospital da Luz, na Vila Mariana, em São Paulo, onde permanecia internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), em estado grave.
De acordo com Andréa, os médicos suspeitam que o paciente tenha sofrido uma paralisia durante a hemodiálise e permanecido algum tempo sem oxigenação adequada. A hipótese ainda não foi relacionada oficialmente a eventual falha no procedimento.
Investigação
O pedido de fiscalização foi formalizado pelo vereador Ítalo Moreira, que solicitou à Vigilância Sanitária municipal uma inspeção imediata no serviço. O documento concentrou a atenção na qualidade da água utilizada na hemodiálise e nas condições de reprocessamento dos dialisadores, filtros empregados no tratamento.
O parlamentar também pediu a coleta de amostras, a análise dos produtos utilizados e a verificação dos registros de limpeza, testes e descarte dos equipamentos. Outra solicitação foi a preservação de prontuários, exames, registros do tratamento da água e amostras bacterianas que possam contribuir para esclarecer as ocorrências.
O ofício ainda solicitou que a fiscalização abrangesse todos os turnos de atendimento, para avaliar a extensão de eventual risco aos pacientes. Segundo o vereador, os fatos novos foram comunicados ao Ministério Público.
A reportagem também procurou o Seconci, entidade gestora do CHS, que informou que compartilhará seu posicionamento assim que receber as informações e os resultados da fiscalização realizada pela Vigilância Sanitária.
Até o momento, não foram apresentados resultados conclusivos que permitam estabelecer a causa das intercorrências ou eventual vínculo entre o procedimento de hemodiálise e os quadros clínicos relatados pelas famílias.