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Qualificação

Construção civil sofre com falta de mão de obra em Sorocaba

Setor busca atrair jovens, ampliar a capacitação e estruturar planos de carreira para enfrentar o envelhecimento da mão de obra

28 de Outubro de 2026 às 21:02
Thaís Verderamis [email protected]
Diretor da unidade do Senai de Sorocaba, Fábio Rocha da Silveira
Diretor da unidade do Senai de Sorocaba, Fábio Rocha da Silveira (Crédito: Renata Amaral)

A construção civil enfrenta dificuldades para contratar profissionais qualificados, em um cenário de envelhecimento da mão de obra e pouco interesse dos jovens pelo setor. Em Sorocaba, a idade média dos trabalhadores da área é de 42 anos, segundo dados do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai). Para reverter o quadro, entidades do setor buscam ampliar a oferta de cursos profissionalizantes e estruturar planos de carreira que atraiam novos trabalhadores.

A escassez de profissionais já é uma realidade para as empresas. De acordo com a coordenadora de suprimentos da Brio Incorporadora, Joicy Lima, a contratação exige atenção à qualificação e ao cumprimento de normas de segurança e de documentação. "Temos investido na prospecção de fornecedores e no acompanhamento, principalmente na parte de qualificação no próprio canteiro de obras, no cumprimento de instruções normativas, na documentação e na segurança do trabalho. Também fazemos o acompanhamento após a contratação", afirma.

Segundo Joicy, a empresa busca estabelecer relações duradouras com os prestadores de serviços que atendem aos requisitos básicos, mas reconhece as dificuldades para encontrar profissionais preparados. "Empreiteiros que apresentam os requisitos básicos, a gente acolhe com carinho, pega na mão e acaba construindo uma jornada de parceria a longo prazo. Mas confesso que tem sido um desafio", relata.

Qualificação

Para mudar esse cenário, o Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP), em parceria com o Senai, promoveu ontem (28), na unidade do Senai no Itavuvu, em Sorocaba, o Road Show das Trilhas Profissionais da Construção. A iniciativa busca padronizar nomenclaturas de funções, estruturar planos de carreira e ampliar a qualificação profissional, com o objetivo de tornar o setor mais atrativo para novos trabalhadores.

De acordo com o diretor da regional Sorocaba do SindusCon-SP, Renan Pérsio dos Santos, a proposta prevê mudanças na organização das carreiras e no desenvolvimento profissional dos trabalhadores.

"A gente está apresentando a trilha profissional da construção civil, que é um projeto que desenvolvemos junto com o Senai e com outras entidades, tanto patronais quanto dos colaboradores, para conseguir desenvolver o plano de carreira do trabalhador da construção civil. Vamos mudar desde a nomenclatura até toda a jornada de trabalho, para que, em um período de até 12 anos, ele consiga avançar no plano de carreira e ter todo esse desenvolvimento, com conteúdo e também com experiência de trabalho", afirma.

O Senai também atua na ampliação da capacidade de formação profissional. Segundo o diretor da unidade de Sorocaba, Fábio Rocha da Silveira, foram contratados 120 profissionais em todo o Estado de São Paulo para ministrar cursos voltados à construção civil. "São professores que estão habilitados a receber esse contingente de qualificação que nós iremos realizar a partir de agora", afirma.

Parcerias

A expectativa das entidades é que as iniciativas contribuam, a médio e longo prazo, para melhorar a qualificação dos profissionais e ampliar a disponibilidade de mão de obra no setor. Para isso, a participação das construtoras é considerada fundamental, tanto no incentivo à capacitação de suas equipes quanto na orientação de trabalhadores terceirizados.

Para Joicy, a mobilização das entidades representa um avanço na busca por soluções para o problema. "Esse evento já nos tranquiliza no sentido de perceber que é um problema que está sendo mais visado e para o qual se busca uma solução. Agora, é manter essa comunicação com o Senai e procurar aproveitar os futuros cursos, tanto para a mão de obra própria quanto para indicar oportunidades de qualificação aos profissionais terceirizados com quem trabalhamos, para realmente melhorar essa qualificação e pensar em uma parceria a longo prazo", afirma. (T.V.)