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Iara Bernardi aciona Comissão de Ética contra Tatiane Costa por publicação sobre boicote a comerciantes

Petista questiona possível quebra de decoro parlamentar; vereadora do PL diz ser alvo de perseguição política e afirma que já enfrentou dez pedidos de cassação

27 de Outubro de 2026 às 13:08
Caroline Mendes [email protected]
Questionada sobre a nova representação, Tatiane disse não estar preocupada com a iniciativa e atribuiu a denúncia a uma tentativa de silenciar suas posições políticas.
Presidente do colegiado, Cristiano Passos, afirmou que a prioridade neste momento é a votação do orçamento municipal de 2027 (Crédito: Caroline Mendes)

A disputa política entre as vereadoras Iara Bernardi (PT) e Tatiane Costa (PL) chegou novamente à Comissão de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara de Sorocaba. Iara protocolou uma representação na segunda-feira (26) para pedir a apuração de uma publicação de Tatiane nas redes sociais sobre boicote a comerciantes em razão de posicionamentos políticos. A parlamentar do PL reagiu à denúncia, afirmou que está “totalmente tranquila” e acusou a esquerda de tentar impedir suas manifestações.

A representação questiona uma publicação em que, segundo o documento, Tatiane incentiva consumidores a boicotarem estabelecimentos comerciais que não se declarem alinhados politicamente à direita. Para Iara, a conduta pode contrariar os deveres éticos de um agente público, especialmente no que diz respeito à pluralidade política, às liberdades individuais e à convivência democrática.

Em manifestação sobre o caso, a vereadora do PT criticou o incentivo ao boicote e relacionou a atitude à dificuldade de aceitar resultados eleitorais. “A derrota nas urnas não justifica ataques à democracia nem desrespeito a quem tem opiniões divergentes”, afirmou Iara. Ela também defendeu que comerciantes e consumidores não sejam alvo de hostilidade por suas posições políticas.

Tatiane fala em perseguição

Questionada sobre a nova representação, Tatiane disse não estar preocupada com a iniciativa e atribuiu a denúncia a uma tentativa de silenciar suas posições políticas.

“Estou totalmente tranquila porque é, mais uma vez, uma insanidade da esquerda. Eles querem me cassar exatamente pelo que eu defendo”, declarou.

A vereadora afirmou que já sofreu boicotes por ser de direita e disse que sua trajetória profissional também foi afetada por essa posição. “Eu fui expulsa do meio artístico por ser uma artista de direita”, afirmou.

Tatiane acrescentou que publica em seu perfil no Instagram capturas de tela de ameaças que diz ter recebido. Segundo ela, comerciantes também enfrentam situações semelhantes por se identificarem com a direita.

“Pela primeira vez, quando a direita começa a falar em boicotar a esquerda, já é pedido de cassação”, argumentou. Para a parlamentar, a representação apresentada por Iara demonstra o que considera um tratamento desigual entre os dois campos políticos.

A vereadora também afirmou que já foi alvo de dez pedidos de cassação relacionados a declarações e comportamentos. Como exemplo de sua atuação, disse que já pediu a cassação de integrantes da esquerda em situações que, na avaliação dela, envolveram crimes.

“Eu peço cassação quando eles realmente cometem crime. Agora, eles pedem minha cassação por falar, eles já pediram minha cassação por ler livros”, declarou.

As afirmações sobre perseguição, ameaças e tentativas de silenciamento são avaliações feitas pela própria Tatiane. A representação apresentada por Iara, por sua vez, busca apurar se a publicação questionada é compatível com as obrigações éticas do mandato parlamentar.

Análise ficará para depois do recesso

A representação deverá aguardar a retomada das discussões da Comissão de Ética. O presidente do colegiado, Cristiano Passos (Republicanos), afirmou que a prioridade neste momento é a votação do orçamento municipal de 2027.

Segundo ele, a análise das denúncias ficará para depois do recesso parlamentar. A justificativa é a necessidade de concentrar os trabalhos na tramitação da Lei Orçamentária Anual (LOA), cuja primeira discussão está prevista para 17 de novembro, a segunda para o fim do mês e a redação final para 15 de dezembro.

Ao comentar a frequência das representações, Cristiano afirmou que o colegiado tem recebido novos pedidos em meio a disputas políticas. “Virou uma briga ideológica, que qualquer assunto vira motivo de representação”, declarou.

O presidente também argumentou que uma reunião da comissão exige tempo dos vereadores e que, neste período, a prioridade deve ser a discussão de um orçamento que atende a população de diferentes faixas sociais.

A apresentação da representação não significa que tenha sido comprovada uma infração ética. O caso ainda depende de análise pelo colegiado, que deverá definir os encaminhamentos após o recesso.