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Investigação

Caixa-preta de helicóptero não registrou voo em que estava o cantor Rick, diz Cenipa

Relatório preliminar também aponta relatos de falhas nos geradores da aeronave e condições meteorológicas de baixa visibilidade; cantor foi velado e sepultado em Sorocaba

22 de Outubro de 2026 às 19:53
Da Redação com Estadão Conteúdo [email protected]
Rick Sollo, de 59 anos, ficou conhecido nacionalmente pela dupla Rick & Renner
Rick Sollo, de 59 anos, ficou conhecido nacionalmente pela dupla Rick & Renner (Crédito: Divulgação)

O relatório preliminar do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) sobre o acidente com o helicóptero que matou o cantor Rick, da dupla Rick & Renner, e outras quatro pessoas apontou que o gravador de voz da cabine da aeronave não registrou o voo que terminou em queda. O artista foi velado e sepultado em Sorocaba, no dia 24 de setembro, em uma cerimônia reservada a familiares e amigos.

O velório ocorreu no Jardim Cemitério Pax, onde também foi realizado o sepultamento. A despedida reuniu familiares, amigos e artistas, entre eles Zezé Di Camargo, Marrone, Daniel, Alexandre Pires e Felipe Araújo. A decisão de restringir o acesso à cerimônia foi tomada pela família do cantor.

Sobre a investigação, o Cenipa informou que os registros recuperados do equipamento não correspondiam ao trajeto realizado no dia do acidente. "As gravações do CVR (Cockpit Voice Recorder) foram extraídas pelo Cenipa, porém não correspondiam ao voo da ocorrência", diz o relatório. O equipamento é um dos componentes conhecidos como caixa-preta.

Segundo o órgão, o gravador não era obrigatório para o modelo da aeronave, conforme os Regulamentos Brasileiros de Aviação Civil. Apesar disso, o helicóptero possuía um dispositivo instalado em 17 de maio de 2002, com capacidade para armazenar 30 minutos de gravação.

O Bell 430, de prefixo PP-MGR, decolou às 10h30 do Aeródromo Costa Esmeralda (SDEN), em Porto Belo, Santa Catarina, com destino ao heliponto Metropolitan Criciúma. O pouso estava previsto para as 11h24.

A aeronave foi localizada no segundo dia de buscas, em uma área de difícil acesso na região de Santa Bárbara, em Urubici. Segundo a tenente-coronel Heloísa Helena Battisti, comandante do 5º Batalhão de Bombeiros Militar, as equipes precisaram deixar as viaturas e caminhar por aproximadamente três horas até chegar aos destroços.

O documento, divulgado nesta quinta-feira (22), também menciona relatos de falhas recorrentes nos geradores do helicóptero, que não teriam sido solucionadas definitivamente.

"Foram obtidos relatos de falhas intermitentes dos geradores da aeronave, algumas das quais teriam ocorrido em situações de exposição à umidade (voo dentro de nuvens/ou sob chuva)", afirma o relatório preliminar.

As condições meteorológicas também são abordadas na investigação. Conforme o Cenipa, a previsão indicava chuva moderada, visibilidade reduzida a três quilômetros, trovoadas e presença de nuvens de grande desenvolvimento vertical. Havia ainda indicação de obscurecimento de montanhas na região da Serra Geral.

Uma troca de mensagens e chamadas telefônicas entre o copiloto do helicóptero e um operador do Aeroporto de Lages, em Santa Catarina, mostrou preocupação com as condições climáticas no dia do acidente. A conversa foi divulgada pelo programa Fantástico, da TV Globo.