Sorocaba
Caio Oliveira relata pressão do Executivo sobre vereadores
arlamentar afirma que grupo de nove vereadores resiste a pressões do Executivo e defende autonomia para fiscalizar a Prefeitura; Izídio de Brito confirma candidatura à presidência e protocola moção de repúdio às exonerações na Câmara
A eleição para o comando do Legislativo de Sorocaba no biênio 2027—2028 ganhou novos contornos ontem (22), após o vereador Caio Oliveira (Republicanos) relatar pressão política sobre parlamentares e defender maior independência do Legislativo em relação à prefeitura. Em entrevista à rádio Cruzeiro FM 92,3, o vereador afirmou que mantém sua candidatura, após rompimento com o atual presidente, Luis Santos (Republicanos), e disse que um grupo de nove vereadores segue articulado em torno de seu nome.
A entrevista ocorreu na manhã seguinte à publicação de reportagem do Cruzeiro do Sul sobre a exoneração de servidores ligados a Caio e ao vereador Vinicius Aith (Republicanos), em meio ao distanciamento político entre os parlamentares e Luis Santos. As demissões foram de Marcelo de Almeida Júnior, então secretário legislativo, e Diogo Rodrigues da Silva, coordenador de Cerimonial, ligados a Caio, além de Ana Paula Freire de Vasconcelos, coordenadora da TV Legislativa, indicada por Aith.
O episódio se insere na articulação para a escolha da próxima Mesa Diretora, cuja eleição está prevista para dezembro. Caio e Aith haviam apoiado Luis Santos para a presidência no atual biênio, em um entendimento que, segundo o contexto da disputa, envolvia o compromisso de apoio a Caio para o período seguinte. O cenário mudou com o afastamento entre os vereadores e o atual presidente, que pretende permanecer no cargo.
Ao comentar a disputa, Caio afirmou que o acordo inicial previa que Luis Santos ocupasse a presidência nos dois primeiros anos e que ele assumisse nos dois anos seguintes. Segundo o vereador, porém, o entendimento foi alterado no decorrer do ano. Caio disse que decidiu manter sua candidatura mesmo diante da mudança de cenário e que não considera encerrada a articulação em torno de seu nome.
Caio afirmou que o grupo reúne nove vereadores e que as conversas avançam com outros três parlamentares. Entre os nomes citados por ele estão Vinícius Aith, Toninho Corredor, Rodolfo Ganem, Rogério Marques, Silvano Júnior, Roberto Freitas, Dylan Dantas e Alexandre da Horta. O vereador não apresentou, durante a entrevista, uma lista de compromissos formalizados pelos demais parlamentares, mas sustentou que há uma base consolidada para disputar a eleição.
O parlamentar também relatou a existência de pressão política sobre vereadores durante o processo de escolha da Mesa Diretora. Segundo Caio, as abordagens partiriam de integrantes do próprio Legislativo e do Executivo, incluindo secretários e ex-secretários municipais. Ele afirmou ainda que o prefeito Rodrigo Manga (sem partido) tem procurado vereadores em suas residências.
Caio, no entanto, não detalhou quais parlamentares teriam sido abordados, em que circunstâncias as conversas teriam ocorrido nem apresentou elementos que permitam associar diretamente esses relatos às exonerações dos servidores comissionados. A avaliação do vereador é de que a disputa pela presidência ultrapassa a escolha de um nome para comandar as sessões e envolve o grau de autonomia que a Câmara terá diante da administração municipal.
Na entrevista, ele defendeu que a relação entre os dois Poderes seja mantida, mas afirmou que a proximidade institucional não pode impedir a fiscalização da prefeitura. Para Caio, os vereadores precisam ter liberdade para apresentar questionamentos, investigar atos administrativos e cobrar respostas do governo municipal sem receio de sofrer consequências políticas.
A declaração ocorre em um momento em que Manga manifestou publicamente apoio à permanência de Luis Santos na presidência. Em entrevista à Cruzeiro FM 92,3 na quarta-feira (21), o prefeito classificou o atual presidente como um nome de sua confiança e defendeu o alinhamento entre o Executivo e o Legislativo. Manga também afirmou que a escolha da próxima Mesa Diretora cabe aos vereadores.
Caio não defendeu o rompimento institucional com a prefeitura, mas fez uma distinção entre manter diálogo com o governo e deixar de exercer o papel fiscalizador. Na avaliação dele, a Câmara precisa preservar condições para atuar de forma independente, inclusive quando houver divergências com decisões do Executivo.
A disputa também passou a contar com a confirmação de Izídio de Brito (PT), que anunciou sua candidatura à presidência da Câmara.
Além da disputa interna, Caio usou a entrevista para criticar as condições de funcionamento da base da Guarda Civil Municipal (GCM) no Jardim Maria Eugênia. Segundo ele, a unidade apresenta problemas estruturais, incluindo móveis antigos, obtidos por doação, e ausência de bebedouro. O vereador questionou se os recursos destinados à base estão sendo empregados de maneira adequada e se o funcionamento atual atende às necessidades de segurança da região.
Caio afirmou que destinou R$ 75 mil em emendas parlamentares para a unidade, enquanto Rodolfo Ganem teria reservado outros R$ 80 mil. Mesmo com os recursos, segundo o vereador, ainda há dúvidas sobre a aplicação do dinheiro e sobre os resultados obtidos. Ele também criticou o horário de funcionamento da base, das 6h às 18h.
O vereador não apresentou, na entrevista, documentos que comprovem eventual irregularidade na utilização das emendas. A crítica, segundo ele, está relacionada à diferença entre os recursos destinados e as condições que observa na unidade.
Outro tema abordado foi a execução das emendas impositivas referentes a 2025. Caio afirmou que entidades beneficiadas enfrentam dificuldades para receber os valores previstos e que os atrasos podem comprometer a manutenção dos atendimentos. Ele criticou o andamento dos repasses e disse que as instituições dependem dos recursos para manter serviços destinados à população.
Como exemplo, citou o Instituto Maria Claro, que atende crianças, incluindo aquelas com transtorno do espectro autista. De acordo com o vereador, a instituição precisa de mais de R$ 2 milhões em emendas parlamentares para evitar a redução do número de crianças atendidas. A situação, segundo ele, demonstra o impacto que a demora na execução dos recursos pode ter sobre organizações que prestam serviços complementares à rede pública.
Caio também comentou os atrasos nas obras do novo terminal de ônibus de Sorocaba. Ele afirmou que o cronograma já sofreu o terceiro adiamento e mencionou um requerimento apresentado pelo vereador Dylan Dantas (PL) para cobrar informações.
Para o vereador, cabe aos parlamentares acompanhar a execução de políticas públicas e cobrar explicações da administração municipal, independentemente da relação política que mantenham com o prefeito.
A eleição da Mesa Diretora deverá definir não apenas quem presidirá as sessões legislativas nos próximos dois anos, mas também a composição dos cargos de direção da Câmara. Até lá, a disputa segue marcada pelo rompimento entre antigos aliados, pelas exonerações de servidores comissionados e pela manifestação pública de Manga em favor da continuidade de Luis Santos no comando do Legislativo.
Izídio
O vereador Izídio de Brito (PT) confirmou que disputará a presidência da Câmara de Sorocaba. O parlamentar também protocolou uma moção de repúdio às exonerações de servidores comissionados do Legislativo, ocorridas em meio à articulação para a escolha da nova Mesa Diretora. (C.M.)
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