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Vida Livre

Elefante Sandro completa um mês em santuário

Ex-morador do zoológico de Sorocaba, animal de 54 anos explora o novo recinto, toma banhos de lama e recebe reforço alimentar para ganhar peso

16 de Outubro de 2026 às 21:22
Vernihu Oswaldo [email protected]
Sandro explorando
Sandro explorando (Crédito: Reprodução/Santuário de Elefantes Brasil )

O elefante Sandro completou um mês em sua nova casa, o Santuário de Elefantes Brasil, em Chapada dos Guimarães (MT). Após as idas e vindas de sua transferência, o animal de 54 anos apresenta boa adaptação ao local e avança na recuperação física. Sua evolução é acompanhada por milhares de pessoas nas redes sociais do santuário, que publica regularmente o dia a dia do elefante. Sandro tem explorado as áreas disponíveis, aproveitado o lago para se banhar de lama e recebido reforço alimentar para ganhar peso e recuperar a musculatura.

Desde o segundo dia no santuário, quando foi liberado para acessar as áreas externas, ele demonstrou disposição para conhecer o ambiente. O biólogo Daniel Moura, do santuário, o classificou como um "explorador nato". Sandro começou a caminhar pelo recinto sem se intimidar, passando pelas bordas e, aos poucos, avançando para as regiões mais vegetadas, entre árvores e palmeiras.

O recinto tem três áreas conectadas ao centro veterinário, pelas quais o elefante pode circular livremente. Mesmo quando os tratadores não acompanham seus movimentos, é possível identificar os caminhos que ele percorreu pelas pegadas, fezes e marcas de lama deixadas pelo trajeto.

Uma das preferências de Sandro é ficar perto do lago, onde consegue entrar com o corpo inteiro e espalhar lama sobre a pele. De lá, ele também pode observar as elefantas asiáticas mantidas em outro recinto.

Segundo Daniel, esse comportamento é importante para a saúde do animal. A lama ajuda a proteger a pele do calor e dos insetos, além de contribuir para a remoção de tecidos mortos. Depois do banho, Sandro costuma se esfregar em árvores e usar galhos e troncos para retirar o material acumulado.

O contato com a água também é relevante para os cuidados com as patas. De acordo com a equipe, o elefante passou muito tempo sem receber os tratamentos necessários nessa região. A avaliação de possíveis lesões depende de um processo gradual de condicionamento, para que ele permita o acesso dos profissionais ao corpo e às patas durante exames e procedimentos.

Por isso, a equipe incentiva o contato com a água, que ajuda a amolecer os tecidos. Além de aproveitar o lago, Sandro costuma jogar água dos bebedouros no chão para formar pequenas poças de lama, que depois espalha pelo corpo.

Alimentação e ganho de peso

A alimentação também faz parte do processo de recuperação. Os tratadores perceberam que Sandro prefere feno úmido ao seco e passaram a oferecer os alimentos separadamente, em vez de triturar toda a comida, como era feito no zoológico. A estratégia permite observar quais itens ele aceita melhor e adaptar a dieta às suas preferências.

O cardápio inclui itens crus e cozidos. Os que ele tem mais dificuldade para comer são servidos cozidos, o que facilita a ingestão. Essas preferências também ajudam no trabalho de condicionamento e treinamento.

O objetivo é que Sandro ganhe pelo menos 100 quilos e chegue a um peso considerado adequado para sua idade e porte. Além do reforço alimentar, a circulação pelo recinto contribui para recuperar e fortalecer a musculatura, evitando a perda de massa muscular e reduzindo os riscos de problemas de saúde associados à falta de exercício. Neste primeiro mês, ele tem caminhado com frequência e avançado na adaptação à nova rotina.

Sucesso nas redes

Em Mato Grosso, Sandro virou sensação nas redes sociais. O santuário publica com frequência vídeos e fotos do novo morador e das elefantas que vivem no local, e muitos sorocabanos interagem e agradecem por poder continuar acompanhando a vida do animal.

Um dos vídeos que mais agradaram ao público mostra Sandro comendo uma melancia. Ele desenvolveu uma técnica própria: enquanto as elefantas do santuário costumam esmagar a fruta inteira na boca, Sandro a quebra com a tromba e depois come os pedaços. Às vezes, segundo a equipe, prefere comer apenas a polpa e beber o suco, descartando a casca. No Zoológico Quinzinho de Barros, ele estava acostumado a receber a fruta inteira.