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Outubro Rosa

Liga Sorocabana acolhe mulheres com câncer de mama

Entidade oferece apoio psicológico, atividades e auxílio para exames, além de acolher familiares durante o tratamento

13 de Outubro de 2026 às 22:03
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Outubro Rosa reforça a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e do acesso ao tratamento
Outubro Rosa reforça a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e do acesso ao tratamento (Crédito: Fábio Rogério)

O câncer de mama responde por 30% dos casos de câncer estimados entre mulheres no Brasil, e o do colo do útero, por 7,4%. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o país deve registrar, por ano, 78.610 novos casos de câncer de mama e 19.310 de câncer do colo do útero no triênio de 2026 a 2028.

Diante desse cenário, o Outubro Rosa reforça a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e do acesso ao tratamento. Em Sorocaba, a mobilização ganha força com a Liga Sorocabana de Combate ao Câncer, entidade sem fins lucrativos que apoia mulheres em tratamento.

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Vida após o diagnóstico

Na Liga, as assistidas encontram suporte, convivência e acolhimento. Mary Novais, de 66 anos, descobriu um nódulo na mama em 2022, durante o autoexame. Como o nódulo começou a incomodar, não esperou a próxima mamografia e procurou um posto de saúde. Encaminhada a uma mastologista, teve o diagnóstico confirmado em 27 de dezembro de 2022.

Segundo Mary, o processo foi rápido: a cirurgia foi feita em maio do ano seguinte. Hoje, após a mastectomia e a reconstrução mamária, ela segue frequentando a Liga, que conheceu na primeira sessão de quimioterapia. Lá, recebeu acompanhamento psicológico e fisioterapêutico, e a convivência com mulheres em situações semelhantes fez diferença. Nas aulas de artesanato e costura, aprendeu a confeccionar bolsas com materiais doados à entidade.

Meninas, cuidem-se. Façam o autoexame, que é necessário. O câncer não é o fim da vida. Venham para a Liga, que dá um acolhimento em que, às vezes, vocês esquecem que passaram pela doença. Não fiquem em casa chorando Mary Novais, 66 anos

Rosmeire Aparecida, de 61 anos, completa neste mês dez anos do diagnóstico, recebido em 2016, também após identificar um pequeno nódulo no autoexame. Como havia acabado de passar por uma bariátrica, mantinha os exames em dia e buscou avaliação médica imediatamente.

Ela passou por cirurgia, 16 sessões de quimioterapia e 30 de radioterapia, e enfrentou a queda dos cabelos. Hoje curada, faz acompanhamento anual com mastologista e oncologista. Chegou à Liga em novembro de 2016, por indicação de uma amiga, e desde então participa das atividades, especialmente do artesanato, que usa para enfeitar a casa no Natal.

"Aqui você descobre que não está sozinha no barco. Cada uma tem a sua história, e cada organismo reage de um jeito. E assim a gente vai, trocando experiências", conta.

Prevenção e tratamento

A mastologista e ginecologista Potyra Labonia Matiello explica que o acompanhamento médico regular é importante mesmo sem sintomas. A recomendação é iniciar a mamografia aos 40 anos para mulheres sem histórico familiar significativo, mas a idade e a frequência dos exames podem variar conforme os fatores de risco. Quando há casos na família, principalmente em parentes próximos, o acompanhamento pode começar mais cedo, dependendo da idade em que o familiar foi diagnosticado e da presença de alterações genéticas.

Nódulos, alterações na mama, dor persistente e secreção pelo mamilo devem ser investigados por um profissional de saúde. Segundo a médica, o autoexame ajuda a mulher a conhecer o próprio corpo, mas não substitui a mamografia, já que um nódulo percebido pelo toque nem sempre corresponde a uma alteração em estágio inicial. Além do histórico familiar, álcool, tabagismo, sedentarismo e excesso de peso estão relacionados ao risco.

O diagnóstico não significa necessariamente a retirada total da mama. O procedimento depende do tamanho do tumor em relação à mama, da presença de outros focos e das características do câncer: em alguns casos, retira-se apenas parte do tecido; em outros, é necessária a mastectomia. A indicação de quimioterapia e radioterapia também depende da avaliação de cada caso.

Apoio à família

Segundo a presidente da Liga, Erica Cannavan Mora , como o diagnóstico afeta toda a família, a entidade também oferece terapia familiar, para que os parentes participem do processo e recebam orientação.

O atendimento é gratuito, e a Liga recebe pacientes encaminhadas pela rede pública, por convênios ou pela rede particular. São mulheres de diferentes idades, inclusive jovens, embora a maioria esteja na menopausa. Em parceria com a Secretaria da Saúde, a Liga também custeia na rede particular exames de pacientes que aguardam atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Os encaminhamentos são feitos pela Secretaria, sem alterar a ordem da fila.

Corrida Pink do Bem

Parte dos recursos vem da Corrida Pink do Bem. A renda das inscrições e dos patrocínios mantém a Liga ao longo do ano e ajuda a custear exames. Em sua 12ª edição, a prova será realizada no domingo (18) com recorde de participantes: 6 mil inscritos. Na retirada dos kits, os participantes são convidados a doar um quilo de alimento ao Fundo Social de Solidariedade de Sorocaba.

Para Erica, a conscientização do Outubro Rosa precisa continuar o ano todo, incentivando as mulheres a buscar atendimento e manter os exames em dia. (Luiza Lopes de Oliveira - programa de estágio)


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