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Saúde

Sem dor, sorocabana descobre câncer renal por leve sangramento

Mesmo sem histórico na família ou presença de sintomas, o câncer se manifestou de maneira silenciosa.

13 de Outubro de 2026 às 21:13
Da Redação [email protected]
Insistência do marido levou Priscila
 a investigar o único sinal da doença
Insistência do marido levou Priscila a investigar o único sinal da doença (Crédito: Arquivo Pessoal)

Em meio à rotina, uma descoberta inesperada mudou a vida de Priscila Gomes Carregosa Navarro. Aos 35 anos, a sorocabana recebeu o diagnóstico de câncer renal, também conhecido como câncer de rim, em outubro de 2025, enquanto amamentava. A doença não provocava dores nem outros sintomas aparentes, e ela não tinha histórico familiar de casos semelhantes.

O único sinal foi um leve sangramento na urina, que a levou a procurar atendimento médico e fazer exames. Naquele momento, Priscila não imaginava o resultado. Segundo ela, a insistência do marido para que investigasse a alteração foi importante para a descoberta.

Os exames identificaram um tumor no rim com suspeita de malignidade. O diagnóstico trouxe uma nova rotina, marcada por desafios e decisões sobre o tratamento. "É difícil explicar o que passa pela cabeça quando você ouve uma palavra como 'câncer'", conta.

Com a equipe médica, Priscila decidiu fazer uma cirurgia parcial para retirar o tumor e preservar parte do rim. Em abril de 2026, porém, veio outra notícia difícil: um novo tumor havia surgido no mesmo órgão, novamente sem provocar dor ou sangramento. "Se a primeira descoberta tinha tirado meu chão, a segunda parecia levar embora até a sensação de segurança que eu havia recuperado", afirma.

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Diante do novo quadro, ela optou pela retirada completa do rim. Atualmente, segue em tratamento oncológico com imunoterapia, com previsão de continuidade por mais um ano. A experiência despertou nela o desejo de compartilhar sua história e incentivar outras pessoas a procurar atendimento médico diante de alterações no organismo.

O caso também chama a atenção para o caráter silencioso do câncer renal, que pode evoluir sem sintomas evidentes nas fases iniciais. O urologista Diogo Vicentainer da Silva, formado pela PUC-SP e atuante em cirurgias oncológicas, acompanhou o caso de Priscila. Ele explica que a ausência de sintomas não descarta a presença de um tumor. "Esse é justamente um dos desafios da doença: uma pessoa pode ter uma lesão renal e se sentir perfeitamente bem", afirma.

O especialista reforça que os cuidados com a saúde devem considerar fatores individuais, como idade, histórico familiar, doenças prévias e fatores de risco. A avaliação médica periódica pode ajudar a identificar alterações, embora os exames devam ser definidos conforme as necessidades de cada pessoa.

Entre os sinais que merecem atenção estão a dor persistente na região lombar e a presença de sangue na urina. Em alguns casos, o sangramento ocorre uma única vez e desaparece espontaneamente, o que leva a pessoa a acreditar que o problema foi resolvido e a adiar a investigação médica.

O oncologista clínico Lucas Chagas, formado pela Unicamp e integrante do Instituto de Oncologia de Sorocaba, também acompanhou o caso. Ele destaca a importância dos hábitos de vida e aponta fatores associados ao risco de câncer renal, como tabagismo e obesidade. A recomendação é manter uma alimentação equilibrada, praticar atividade física e fazer acompanhamento médico adequado.

A história de Priscila reforça a importância de procurar avaliação profissional diante de sinais incomuns, como sangue na urina, mesmo quando não há dor ou outros sintomas. Uma alteração não significa necessariamente câncer, mas investigar sua causa é fundamental para definir a conduta adequada. (Sabrina Alves - programa de estágio)