Eleição
Sorocaba aumenta peso eleitoral no Estado
Número de eleitores aptos a votar cresceu 3,19% em relação às eleições de 2022, atingindo a marca de 529.973 eleitores
Mais de meio milhão de sorocabanos estão aptos para votar no domingo, nas eleições gerais que irão escolher presidente, governador, senadores e deputados.
O número de eleitores aptos a votar em Sorocaba cresceu 3,19% em relação às eleições de 2022, atingindo a marca de 529.973 eleitores neste ano, um ganho de 16.370 pessoas. Embora a expansão amplie a representatividade da cidade no cenário paulista, o avanço não garante a eleição.
O motivo reside no sistema proporcional empregado para a ocupação das cadeiras na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) e na Câmara dos Deputados. Nessa sistemática, as vagas são distribuídas de acordo com o desempenho do conjunto de candidatos e dos votos de legenda recebidos por cada partido ou federação.
Como destaca o especialista em Direito Eleitoral e presidente da Comissão de Direito Eleitoral da OAB Sorocaba, Nikolas Diniz, um dos elementos fundamentais dessa dinâmica é o quociente eleitoral. O índice é obtido pela divisão dos votos válidos do Estado inteiro pelo número de vagas disponíveis, excluindo-se brancos e nulos.
Em 2022, por exemplo, o quociente eleitoral paulista fixou-se em 238.817 votos para deputado estadual e 332.891 para deputado federal. A Alesp dispõe de 94 cadeiras, enquanto a bancada paulista no Congresso soma 70 deputados.
Por atuar como um filtro inicial, a regra permite que candidatos com desempenho individual expressivo, os chamados 'puxadores de votos', ajudem a legenda a conquistar mais assentos, beneficiando nomes do mesmo partido que obtiveram menos votos.
Sorocaba avança e Estado encolhe
O crescimento local sobressai-se ainda mais diante do panorama estadual: entre 2022 e 2026, o eleitorado total de São Paulo recuou de 34.667.793 para 34.104.226 votantes. Com o movimento inverso da cidade (que saltou de cerca de 513,6 mil para quase 530 mil), a fatia de Sorocaba no eleitorado paulista avançou de 1,48% para 1,55%.
Segundo Nikolas, o ganho de peso relativo consolida a cidade como um polo de votos mais expressivo, mas sem alterar diretamente o quociente eleitoral ou criar 'vagas reservadas' ao município, já que a disputa ocorre em âmbito estadual.
"Não é uma mudança que, sozinha, altere o valor do quociente eleitoral ou reorganize a disputa por cadeiras, mas é um ganho real de peso relativo: a cidade passa a ser, proporcionalmente, uma origem um pouco mais relevante de votos dentro do universo de eleitores que decide as eleições estaduais e federais em São Paulo", aponta o advogado.