Luiza Lopes (programa de estágio)
Alunos sem celular relatam melhora de foco e convívio
Após período de adaptação, estudantes e educadores apontam aumento na concentração, no desempenho escolar e na socialização
A proibição do uso de celulares nas escolas mudou a rotina dos estudantes dentro e fora da sala de aula. Passado o período de adaptação, alunos e profissionais relatam mais concentração nas aulas, melhora no rendimento escolar e maior interação nos intervalos.
Sancionada em 13 de janeiro de 2025, a Lei Federal nº 15.100 proíbe o uso dos aparelhos nas escolas públicas e privadas da educação básica de todo o país. O objetivo é proteger a saúde mental e física de crianças e adolescentes.
Na Escola Estadual Professor José Odin de Arruda, dirigida por Kátia Marques Carrasco, o celular já era controlado antes da lei, mas continuava sendo a principal fonte de distração. Segundo a diretora, notificações, mensagens e jogos roubavam instantaneamente a atenção dos alunos. Com a proibição, ela percebeu mudanças significativas. "Eu consigo pontuar várias coisas positivas, como a melhora na aprendizagem, a concentração dos nossos alunos e a parte de atividades físicas."
Hoje, quem leva o aparelho para a escola precisa guardá-lo logo no início da aula. Os celulares ficam trancados no armário e só são devolvidos ao fim do período. Quando alguma atividade exige tecnologia, a escola disponibiliza recursos.
Para a professora de língua portuguesa Sandra Yabiku Ferraz Pontes, o começo foi o mais desafiador. Na avaliação dela, os estudantes demonstravam grande dependência do aparelho e sentiram falta dele principalmente nos momentos ociosos. Nos intervalos, a escola passou a reforçar atividades como futebol, pingue-pongue e jogos de tabuleiro, e alguns alunos levaram o novo hábito para fora da escola. "Antes eles não tinham esse hábito, então muitos deles deixaram de ser sedentários", afirma.
Mais atenção
Pedro Henrique Sampaio de Oliveira, de 15 anos, aluno do 9º ano, conta que, antes da proibição, bastava uma notificação chegar para o celular ganhar sua atenção. Hoje, ele percebe a diferença no próprio desempenho. "Antes eu estudava o suficiente para passar na prova e é isso, só que agora eu consigo absorver melhor o conteúdo e, tipo, eu consigo prestar atenção, consigo lembrar mais de uma determinada matéria."
Colega de série, Geovanna Aika de Melo Kubayashi, de 15 anos, sentiu a mudança principalmente nas disciplinas de que menos gostava. "Porque a minha paixão é português, história, geografia, humanas em geral. Então quando era aula de matemática, química, eu já falava assim, 'ah, não quero'. Pegava o celular, dava uma mexidinha", conta.
A ausência do aparelho também mudou a convivência. Isabelle Gabriele Guilherme da Silva Pereira, de 11 anos, aluna do 6º ano, passava parte do recreio no celular e hoje alterna entre o vôlei e a conversa. "No intervalo eu costumava ficar mexendo no celular com o meu grupo, agora, às vezes eu jogo vôlei ou então eu fico só conversando mesmo."
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