Cultivo
52ª Exposição Nacional de Orquídeas reúne produtores e apreciadores em Sorocaba
Evento conta com representantes de cerca de 25 cidades de São Paulo e Minas Gerais e oferece exposição, oficinas, sorteios e venda de plantas
O Círculo Orquidófilo Sorocabano (COS) promove, desde sexta-feira (25) até este domingo (27), das 9h às 16h, a 52ª Exposição Nacional de Orquídeas de Sorocaba. O evento reúne representantes de aproximadamente 25 cidades dos estados de São Paulo e Minas Gerais, com uma mostra de cerca de 2 mil plantas.
A exposição é realizada no Salão de Eventos da Igreja Bom Jesus dos Aflitos, localizado na rua Nogueira Padilha, em Sorocaba. A entrada é gratuita.
Durante o evento, o público também pode participar de oficinas de cultivo de orquídeas e de sorteios de plantas. A iniciativa é uma oportunidade para os apreciadores conhecerem diferentes espécies, trocarem experiências com cultivadores e aprenderem mais sobre os cuidados necessários para o cultivo.
Exposição reúne cultivadores de diferentes cidades
De acordo com Moisés Cunha, vice-presidente do Círculo Orquidófilo Sorocabano, a entidade tem 55 anos de existência. Ele explica que, após o período da pandemia, quando a exposição deixou de ser realizada por três anos, a organização enfrentou uma preocupação adicional neste ano devido às condições climáticas.
“Nosso círculo aqui em Sorocaba já tem 55 anos. E este ano passamos um apuro, porque choveu muito e a chuva se antecipou. Estávamos preocupados que não teríamos plantas para expor”, contou.
Segundo Moisés, apesar da preocupação, o evento conseguiu reunir um grande número de plantas e participantes. “Estamos com mais de mil plantas expostas, 24 cidades vieram nos prestigiar e temos mais na área de vendas”, afirmou.
Além de conhecer as plantas expostas, os visitantes podem adquirir exemplares e observar técnicas de cultivo utilizadas por pessoas que se dedicam à atividade.
“Então, o pessoal que gosta de cultivar vai ter o exemplo de quem cultiva profissionalmente. E também plantas disponíveis para a compra, para tentar cuidar de uma planta, de uma vida, na sua casa”, disse.
O produtor Thiago Jordão, de Corumbataí (SP), também participa da exposição. Ele conta que o cultivo de orquídeas faz parte da história de sua família.
“Eu venho de uma família de produtores de orquídeas. Meu pai começou a cultivar ainda na adolescência e, ao longo dos anos, esse trabalho se transformou em um negócio familiar, que hoje eu tenho a responsabilidade de conduzir ao lado dos meus pais, que continuam participando da empresa. Atualmente, temos uma produção profissional, com cerca de 10 mil metros quadrados de estufas, onde cultivamos e comercializamos uma grande variedade de plantas".
Jordão comentou ainda que selecionou algumas plantas especiais para serem entregues como premiação aos destaques da exposição. "É uma forma de valorizar quem participa do evento e reconhecer o trabalho daqueles que apresentam plantas de grande qualidade. Para nós, também é uma satisfação poder contribuir com a exposição e compartilhar um pouco do nosso trabalho com o público”, destacou.
Cultivo como forma de cuidado
O cultivo de orquídeas também é uma atividade que pode estimular o cuidado. Moisés Cunha, vice-presidente do Círculo Orquidófilo Sorocabano, comentou que se trata de uma forma de incentivar a responsabilidade, especialmente entre jovens e crianças.
“Antigamente, na minha época de criança, a gente cuidava de bichinho, passarinho, coelhinho, depois cuidava dos pais e dos avós. Hoje, a juventude não tem mais essa opção”, comentou. “Então, vamos incentivar os filhos, os jovens, a trabalharem com a orquídea. Aprender a cultivar uma orquídea, que é cultivar uma vida, e depois aprender a cultivar a vida dos pais e dos avós”, afirmou.
Diversidade
O vice-presidente do COS também chamou a atenção para a diversidade das orquídeas e para as diferentes estratégias desenvolvidas pelas espécies ao longo da evolução.
Segundo Moisés, as diferentes características das flores estão relacionadas à necessidade de atrair os agentes responsáveis pela polinização. “Elas se dedicam a ser belas, cheirosas, perfumadas, ou fedidas e feias, ou albinas, para poder atrair o inseto polinizador".
Ele explicou também que algumas espécies desenvolvem características específicas para atrair determinados animais. “Então, quando você vê uma planta muito bonita, muito colorida ou muito cheirosa, é porque ela se especializou em atrair o inseto”, contou.
Para Moisés, a flor tem como principal função garantir a continuidade da espécie. “E ela dá flor, não é para nos agradar, não. Ela dá flor para perpetuar a espécie. Essa que é a graça que você aprende com a orquídea”, destacou.
Ele também ressaltou a capacidade de adaptação das plantas ao longo do tempo. “É uma vida tentando se prolongar por muitos e muitos anos. E por isso que, nessa evolução de tantos anos, ela foi muito próspera. Tem tudo isso na natureza”, afirmou.
Segundo Moisés, o cruzamento entre diferentes espécies também contribui para a grande diversidade de orquídeas. “E quando existe o cruzamento de espécies diferentes, chega a 100 mil espécies híbridas na natureza. Então, vale muito a pena começar já”, disse.
Cuidados
Moisés também orientou os visitantes sobre um dos principais aspectos relacionados ao cultivo das orquídeas: permitir que elas tenham contato com o ambiente e com os agentes responsáveis pela polinização.
Segundo ele, a polinização faz parte do ciclo natural da planta. “Ela vai se sentir mais de forma natural, vai ser polinizada. Você vai perder a flor, porque, quando ela for polinizada, ela vai engravidar e não precisa mais mandar energia para a flor. Mas ela vai prosperar, a espécie dela”, afirmou.
Para o vice-presidente do Círculo Orquidófilo Sorocabano, observar esse processo também é uma forma de compreender a natureza. “E faz sentido para a vida dela, faz sentido para a nossa vida”, concluiu.
Produção e adaptação ao clima
A produtora Marcia Maremoto, de São Lourenço da Serra (SP), também participou da exposição e falou sobre o cultivo e a produção de orquídeas. Segundo ela, além do cultivo de diferentes espécies, atualmente começou a trabalhar também com a produção de híbridos. “Ultimamente, eu estou começando a fazer alguns híbridos. Orquídea tem uma gama enorme, vários tipos”, comentou.
Marcia explicou que uma das estratégias é buscar plantas que tenham maior adaptação às características climáticas da região. “A gente tenta adaptar alguma coisa que está mais ligada ao nosso clima, que é um clima mais de serra. Então, nesse clima de serra, dá para adaptar vários tipos de cultivo”, afirmou.
Segundo a produtora, as condições do clima favorecem o cultivo de diferentes variedades de orquídeas. “A gente consegue cultivar, assim, grande parte das orquídeas. Então, o clima também ajudou nessa parte. A gente não sabia, mas o nosso clima é muito bom para orquídea”, destacou.
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