Sorocaba
Familiares e amigos pedem por justiça no caso de atropelamento de Evellin
Motorista já foi ouvido pela polícia e teve veículo apreendido
Dezenas de pessoas se reuniram na avenida Itavuvu, próximo ao número 2000, para protestar e pedir justiça por Evellin Ribeiro Garcia, a menina de 18 anos que morreu após ser atingida por um veículo que transitava pela faixa exclusiva do BRT. Ela foi atendida e permaneceu seis dias internada, antes de falecer na tarde de ontem (24).
Evellin trabalhava em um comércio na avenida e atravessava pela faixa viva diariamente. Na sexta-feira (18), ela teria ligado para a mãe avisando que estava indo para o ponto, próximo às 21h, esperar o ônibus. Poucos minutos depois, ao chegar à faixa viva, carros das duas faixas de rolamento normais pararam para que ela atravessasse. Outro veículo, porém, vindo pela faixa do BRT, na qual não é permitido o tráfego de carros comuns, não parou e atingiu a menina. O motorista fugiu sem prestar socorro.
Durante o protesto, ex-colegas de trabalho de Evellin, amigos e familiares seguraram faixas pedindo justiça. Os manifestantes interromperam o trânsito algumas vezes para mostrar as faixas. Diversos motoristas pararam para permitir que o ato acontecesse. Durante o período que a reportagem permaneceu no local, diversos veículos, entre carros, motos e vans escolares, passaram pelo corredor do BRT. Os manifestantes aplaudiam ironicamente quem realizava esse ato.
Amigos da vítima descreveram a menina como tranquila e amorosa. Andresa da Silva Ribeiro, tia de Evellin, lembrou, emocionada, da sobrinha: "A Evellin era uma menina doce. Toda vez que ela ia trabalhar, passava na frente de casa e eu falava: 'Deus abençoe, Deus te acompanhe, proteja e guarde, filha'".
"Todos os carros pararam para ela passar. Ela já estava finalizando a travessia quando o carro veio em alta velocidade. Ele nem freou, não tentou parar, veio e atropelou a menina", afirma.
Andresa disse que o protesto é pacífico e pede por segurança no local, além de justiça. "A gente não quer que a morte da Evellin seja em vão. A gente quer justiça e quer que as autoridades tomem uma atitude para que isso não aconteça mais."
Diversos pedestres que passavam pelo local afirmaram que já presenciaram diversas vezes situações de abuso por parte dos motoristas, desrespeitando a faixa viva, trafegando pela faixa do BRT e quase atropelando outras pessoas. Uma pessoa afirmou preferir andar mais para atravessar no semáforo.
As faixas de rolamento do BRT são para uso exclusivo dos ônibus, sendo proibida a circulação de motocicletas, carros e transporte escolar no local. A proibição vale para todo tipo de tráfego, inclusive para manobras de ultrapassagem.
A Secretaria de Segurança Pública (SSP) afirmou que o caso é investigado por meio de inquérito policial no 8º Distrito Policial de Sorocaba. O autor compareceu à unidade policial e prestou depoimento. O veículo foi localizado e apreendido na cidade de Votorantim. A autoridade policial aguarda a elaboração dos laudos para análise e prossegue com as demais diligências para esclarecer os fatos.
O que diz a prefeitura
A Prefeitura de Sorocaba, por meio da Secretaria de Mobilidade (Semob), afirmou que "tem atuado em três vertentes: fiscalização, educação para o trânsito e engenharia de tráfego. Isso visto que a negligência, a imprudência e a imperícia são os três fatores que levam os condutores a cometerem acidentes e infrações de trânsito."
Informou ainda que, "até agosto, registrou 1.055 autuações a motoristas (carros ou motos) por tráfego proibido em faixas exclusivas do sistema BRT, identificadas via videomonitoramento do Centro de Controle Operacional Integrado (COOI) ou por atuação direta de agentes de trânsito. Trata-se de infração gravíssima, com base no Artigo 184 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), punível com multa de R$ 293,47 e perda de sete pontos na habilitação. Somente podem trafegar pelas faixas exclusivas do BRT veículos de transporte escolar, com passageiros e unicamente para ultrapassagem. A legislação proíbe a colocação de lombadas e faixas elevadas nos corredores do sistema BRT, cujos dispositivos são instalados conforme critérios do CTB e do Conselho Nacional de Trânsito (Contran)."
Denúncias devem ser feitas pelos canais 0800 118 0118 (Semob), 153 (GCM) e 190 (PM), para serem apuradas no momento do fato.
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