Novo lar
Sandro deixa caixa de transporte em segundos e começa adaptação no Santuário de Elefantes
Após deixar o Zoológico de Sorocaba, ele percorreu 1,6 mil quilômetros até o Santuário, na Chapada dos Guimarães (MT)
Após percorrer cerca de 1,6 mil quilômetros desde Sorocaba, o elefante asiático Sandro chegou na sexta-feira (18) ao Santuário de Elefantes Brasil (SEB), na Chapada dos Guimarães, no Estado do Mato Grosso. O animal deixou a caixa de transporte poucos segundos depois que a estrutura foi aberta e começou a explorar a área destinada à sua adaptação.
O comboio chegou à propriedade por volta das 13h, no horário local. Após os procedimentos para posicionar a caixa junto ao espaço de adaptação, a estrutura foi aberta por volta das 13h30. De acordo com o Santuário, a saída ocorreu em uma das menores durações já acompanhadas pela equipe.
Nos primeiros momentos no novo ambiente, Sandro explorou o espaço e utilizou um monte de terra disponível na área. O contato com terra, areia e lama faz parte do comportamento natural dos elefantes e pode auxiliar nos cuidados com a pele, na proteção contra insetos e na regulação da temperatura corporal.
Segundo Daniel Moura, biólogo e diretor do Santuário de Elefantes Brasil, a resposta dele foi positiva, mas a equipe continuará acompanhando o comportamento do animal para definir o ritmo da adaptação.
Ele permanecerá inicialmente em uma área de aproximadamente 700 metros quadrados, próxima ao setor veterinário. O espaço permite o acompanhamento da equipe, avaliações e atividades de enriquecimento ambiental durante os primeiros dias.
A passagem para outras áreas do habitat destinado aos elefantes asiáticos machos será gradual. Conforme o animal demonstrar conforto e as etapas iniciais de acompanhamento forem concluídas, novos espaços poderão ser liberados. O comportamento de Sandro será um dos principais indicadores para essa transição.
Viagem
A operação começou na quarta-feira (16), quando Sandro deixou o Zoológico Municipal Quinzinho de Barros, em Sorocaba, onde viveu por mais de quatro décadas. Segundo o Santuário, o deslocamento ocorreu de maneira tranquila.
Durante o trajeto, o animal manteve a alimentação à qual estava acostumado em Sorocaba, com capins e vegetais. Também foram oferecidos alimentos complementares de forma gradual. Nas paradas, a equipe observou as preferências dele, que demonstrou interesse por maçãs. O mamão inteiro já fazia parte da rotina anterior do elefante.
A equipe realizou paradas prolongadas para descanso, além de pausas para alimentação, hidratação, avaliação do animal e limpeza da caixa de transporte. Na primeira noite, o comboio fez uma parada mais longa e retomou a viagem por volta das 5h.
A estrutura utilizada no transporte contou com equipamentos para higienização, preparação dos alimentos, abastecimento de água e geração de energia. Sandro também permaneceu monitorado por câmeras durante todo o percurso. No trecho final, em Mato Grosso, a caixa foi transferida para um caminhão menor, adequado às curvas e aos acessos mais estreitos próximos ao Santuário.
Primeiro macho
Sandro tem aproximadamente 54 anos e viveu por mais de 40 anos no Zoológico Municipal Quinzinho de Barros. A transferência para o Santuário ocorreu após uma disputa judicial e foi determinada pela Justiça.
Com a chegada à Chapada dos Guimarães, ele se tornou o primeiro elefante macho acolhido pelo Santuário de Elefantes Brasil. A instituição já abrigava seis elefantas asiáticas: Maia, Rana, Mara, Bambi, Guillermina e Baby.
Apesar da presença das fêmeas, Sandro não será incorporado ao grupo delas. Segundo o Santuário, os elefantes asiáticos machos apresentam uma dinâmica social diferente e podem viver sozinhos, formar associações com outros machos ou se aproximar temporariamente de grupos de fêmeas. Por isso, o SEB mantém áreas distintas para machos e fêmeas.
A instituição também informa que não realiza reprodução dos animais acolhidos. O manejo dele será voltado às necessidades individuais do elefante e à possibilidade de expressão de comportamentos naturais.
A chegada ao Santuário encerra a viagem de Sandro, mas inicia uma nova etapa de adaptação. Nos próximos dias, a equipe deverá acompanhar a resposta do animal ao ambiente antes de ampliar gradualmente seu acesso às demais áreas.