Entrevista
Derrite propõe mudanças no Judiciário e ampliação do combate ao crime organizado
Em entrevista ao Jornal da Cruzeiro, da Cruzeiro FM 92,3, candidato ao Senado também fala sobre prevenção a desastres, segurança pública e relação com os Estados Unidos
O deputado federal e candidato ao Senado por São Paulo, Guilherme Derrite (PP), defende mudanças no sistema de escolha dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), alterações no regimento do Senado e ampliação dos mecanismos de combate ao crime organizado. Os temas são abordados em entrevista ao Jornal da Cruzeiro, da Cruzeiro FM 92,3, na manhã de ontem (17).
Ex-secretário de Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP) e ex-integrante do Corpo de Bombeiros, ele também comenta a prevenção a desastres naturais e a relação diplomática entre Brasil e Estados Unidos. Natural de Sorocaba, cita ainda ações realizadas durante sua gestão na secretaria estadual.
Prevenção
Ao comentar as chuvas que atingem o Estado, especialmente o Vale do Ribeira, ele defende investimentos em planejamento e obras estruturais para reduzir os impactos de enchentes e deslizamentos. A partir da experiência no Corpo de Bombeiros, relata que atuou em ocorrências de enchentes, desabamentos e soterramentos.
“O Brasil, de forma geral, em nenhuma área está acostumado a lidar com prevenção”, diz. Ele cita a segurança pública, a defesa civil e a questão ambiental como áreas que precisam de preparação antecipada. Também reconhece os avanços nos sistemas de alerta da Defesa Civil paulista, mas ressalta que eventos de grandes proporções podem superar a estrutura disponível.
Meio ambiente
Na discussão sobre desenvolvimento e preservação, o candidato defende a conciliação entre proteção ambiental e atividade econômica. Ele cita projetos de infraestrutura no litoral paulista, como a duplicação de rodovia na região do litoral norte e a construção de um aeroporto em Guarujá, que, em sua visão, podem ampliar o turismo e gerar empregos.
“Não podemos deixar de gerar desenvolvimento econômico, emprego, renda”, afirma. Ao encerrar o tema, manifesta solidariedade aos moradores do Vale do Ribeira e aos prefeitos da região atingida pelas chuvas.
Supremo
A crise institucional envolvendo o STF ocupa parte da entrevista. O candidato critica decisões individuais de ministros e afirma que a Corte, em sua interpretação, avança sobre atribuições do Legislativo. Para ele, a forma de nomeação dos integrantes do tribunal precisa mudar.
Entre as propostas estão a definição de idade mínima, critérios objetivos para comprovar notável saber jurídico e mandato temporário de até dez anos. Também defende que pessoas que exerceram cargos políticos ou assumiram posições político-ideológicas não sejam nomeadas.
“Qualquer um que tenha assumido um posicionamento político e ideológico não pode ser nomeado ministro da Suprema Corte”, diz. Com a renovação de 54 das 81 cadeiras do Senado nas eleições deste ano, ele defende que o tema seja discutido na próxima legislatura.
Senado
O candidato critica a falta de análise de pedidos de impeachment de ministros do STF. Segundo ele, há 109 solicitações que não são apreciadas pela Casa. A proposta apresentada envolve mudanças no Regimento Interno do Senado e da Câmara dos Deputados.
“Quando atinge um número suficiente para abertura de uma CPI, abertura de uma CPMI, ou pedido de impeachment, isso tem que ser posto, no mínimo, em votação”, afirma. Para ele, a alteração permitiria que os parlamentares registrassem seus posicionamentos, sem deixar a decisão concentrada nas mãos dos presidentes das Casas.
Crime organizado
Questionado sobre a Operação Vectura Corrupta, que tem como alvo o ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Milton Leite, Derrite diz que toma conhecimento da ação pela imprensa naquela manhã e não apresenta detalhes sobre a investigação. Ressalta que não faz condenação prévia e defende a responsabilização caso seja comprovado envolvimento com organizações criminosas.
Na sequência, cita a Operação Fim da Linha, realizada durante sua gestão na Secretaria de Segurança Pública. Segundo ele, a investigação apura o uso de empresas de transporte municipal para lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC).
O candidato defende mecanismos legais para atingir bens ligados a atividades ilícitas, além de medidas judiciais que permitam auditorias e intervenções em empresas investigadas. Afirma que organizações criminosas buscam atuar em setores que movimentam grandes quantias, como transporte e saúde.
Segurança
Ao falar sobre Sorocaba, o entrevistado destaca a inauguração do 55º Batalhão da Polícia Militar do Interior (55º BPM/I) e afirma que a cidade recebe um acréscimo de 400 policiais militares durante sua gestão na secretaria estadual. “A população de Sorocaba esperava por décadas o aumento real do efetivo”, declara.
Ele também menciona o monitoramento eletrônico de agressores de mulheres, implantado inicialmente na capital e depois expandido para Sorocaba e outros municípios. Segundo os números apresentados na entrevista, o projeto-piloto acompanha 383 agressores e registra 171 descumprimentos de medidas protetivas. O candidato afirma que os alertas permitem acionar a Polícia Militar e impedir a aproximação às vítimas.
Relação externa
Sobre as tarifas impostas pelos Estados Unidos a empresas brasileiras, Derrite diz ser contrário à taxação, mas atribui o desgaste diplomático à postura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A declaração é apresentada como sua avaliação política.
Ele defende maior aproximação entre os dois países, tanto na área econômica quanto no combate ao crime organizado. Cita iniciativas de cooperação entre governos latino-americanos e os Estados Unidos para troca de informações e atuação contra organizações criminosas transnacionais.
“É só assim que a gente vai conseguir combater o crime organizado”. Questionado sobre possíveis pressões nas negociações, mantém a oposição às tarifas e reitera a defesa de uma relação comercial mais próxima.
Sorocaba
Ao final da entrevista, ele destaca sua ligação com a cidade onde nasceu e afirma que pretende representá-la no Senado. “Eu sou paulista, eu nasci na cidade de Sorocaba, com muito orgulho”, declara. Ele também diz que pretende atuar para que o Senado cumpra suas atribuições constitucionais.