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Acidentes com escorpiões mobilizam ações de vigilância na região

Salto contabiliza 165 ocorrências até 15 de setembro e Sorocaba registra 498 em 2026; especialista destaca medidas de prevenção e a importância do atendimento após a picada

26 de Setembro de 2026 às 21:09
João Frizo [email protected]
Em caso de picada, procure atendimento médico imediatamente. Os locais de atendimento estão disponíveis no portal estadual de animais peçonhentos
Em caso de picada, procure atendimento médico imediatamente. Os locais de atendimento estão disponíveis no portal estadual de animais peçonhentos (Crédito: Divulgação/DepositPhotos)

Os acidentes com escorpiões mobilizam ações de vigilância e prevenção na Região Metropolitana de Sorocaba (RMS). Em Salto, a prefeitura contabiliza 165 ocorrências entre 1º de janeiro e 15 de setembro de 2026. Em Sorocaba, a administração municipal informa 498 registros no ano. Os números são acompanhados por medidas de controle, orientação aos moradores e manejo ambiental, enquanto especialista aponta a limpeza dos espaços, o cuidado com resíduos e a eliminação de possíveis abrigos como parte da prevenção. Após uma picada, a recomendação é procurar atendimento médico imediatamente.

Em Salto, 160 ocorrências são registradas em áreas urbanas e cinco em áreas rurais ou em outras localidades. Em 2025, o município contabiliza 261 acidentes, dos quais 240 ocorrem na área urbana e 21 nas demais áreas.


A Prefeitura de Salto mantém ações de controle que incluem busca ativa, captura noturna, orientação aos moradores e manejo ambiental. Até agosto, equipes realizam 107 visitas motivadas por solicitações da população, além das atividades relacionadas aos acidentes registrados.

Em Sorocaba, a administração municipal informa que aconteceram 695 acidentes em 2025 e confirma um óbito por picada de escorpião em 2026.

Registros

Os números variam conforme a fonte consultada. No painel da Secretaria de Estado da Saúde, atualizado em 16 de setembro, Sorocaba aparece com 483 notificações de acidentes por escorpião em 2026, enquanto Salto apresenta 157. As prefeituras informam, respectivamente, 498 e 165 ocorrências.

A diferença também aparece no recorte regional. A Secretaria Estadual da Saúde informa 1.286 notificações em 2026 na área do Departamento Regional de Saúde (DRS) de Sorocaba. Esse departamento abrange uma área maior que a RMS, portanto o total não corresponde apenas aos municípios metropolitanos.

Os levantamentos são apresentados conforme cada fonte, sem soma ou equivalência entre os números. As respostas municipais e o painel estadual também não indicam o mesmo período de atualização, o que precisa ser considerado na leitura dos dados.

Área urbana

Em Salto, a concentração dos registros na área urbana é um dos aspectos destacados pelo executivo. A administração relaciona as ações de controle à busca por animais, à orientação da população e ao manejo do ambiente. Até agosto de 2026, o município realiza 107 visitas após pedidos de moradores, além das atividades ligadas aos acidentes.

O pesquisador Paulo Goldoni, do Laboratório de Coleções Zoológicas do Instituto Butantan, cita diferentes fatores associados à presença de escorpiões nas cidades: condições de saneamento, disponibilidade de abrigos, manejo de resíduos, planejamento urbano e educação ambiental.

Goldoni também menciona a presença de espécies que podem se reproduzir por partenogênese, processo em que a reprodução ocorre sem a participação de um macho. Entre as espécies encontradas no Estado de São Paulo que representam risco, o pesquisador cita Tityus serrulatus, Tityus stigmurus e Tityus bahiensis.

A presença desses animais em áreas urbanas, porém, não deve ser explicada por um único fator. Na avaliação do especialista, as condições de saneamento e o acúmulo de materiais podem favorecer a existência de locais de abrigo. Ele também aponta a necessidade de ampliar a informação técnica e a capacitação de agentes públicos envolvidos na prevenção e no controle.

Prevenção

Entre as medidas indicadas por Goldoni estão a limpeza e o saneamento básico, a destinação adequada dos resíduos e a manutenção de terrenos. O pesquisador recomenda atenção a áreas públicas e privadas que possam oferecer condições para a presença desses animais, incluindo terrenos sem manutenção e locais com materiais acumulados por longos períodos.

Tijolos, telhas, madeira e outros objetos empilhados podem servir de abrigo. Por isso, a orientação é evitar que permaneçam sem uso por muito tempo e manter as áreas organizadas. Goldoni também defende a identificação de locais de risco, com base em relatos de moradores e visitas técnicas.

O especialista cita ainda a capacitação de servidores de diferentes setores — como equipes de limpeza, saúde e educação — para orientar a população e lidar com animais peçonhentos. Ele recomenda reuniões periódicas para analisar os dados disponíveis e fortalecer a atuação dos órgãos municipais responsáveis pelo controle, entre eles Zoonoses e Vigilância Ambiental.

Em Salto, o executivo orienta manter quintais, jardins e áreas de serviço limpos, retirar entulho e resíduos acumulados, vedar frestas e ralos e proteger os acessos à rede de esgoto. O município dispõe de 11 Ecopontos para o descarte adequado de materiais.

A administração também alerta que a dedetização isolada não deve ser considerada suficiente para controlar escorpiões. Ainda, a aplicação de produtos pode deslocar os animais e aumentar o risco de acidentes. A recomendação municipal é combinar a prevenção com a limpeza dos ambientes, a retirada de possíveis abrigos e o atendimento às solicitações dos moradores.

Ao encontrar um escorpião, Goldoni orienta procurar os órgãos municipais, como o Centro de Controle de Zoonoses ou a Vigilância Ambiental. A recomendação é não tentar manusear o animal sem orientação.

Atendimento

A Secretaria Estadual da Saúde recomenda procurar atendimento médico imediatamente após uma picada, mesmo quando os sintomas parecem leves. A pasta destaca a atenção às crianças de até 10 anos, que devem receber atendimento em até uma hora e meia.

Goldoni também aponta crianças com até 20 quilos como grupo de maior risco e menciona, “eventualmente”, pessoas idosas. O pesquisador orienta lavar o local com água e sabão e buscar atendimento de emergência sem demora.

A Secretaria Estadual da Saúde recomenda que, se for possível sem risco, a pessoa leve uma foto do animal para auxiliar na identificação. Informações sobre atendimento e distribuição de soros estão disponíveis no portal estadual de animais peçonhentos.