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Expansão urbana e população crescem em ritmos diferentes na RMS

Levantamentos do IBGE mostram avanço de áreas urbanizadas entre 2019 e 2022 e variações populacionais estimadas para 2025 e 2026

14 de Setembro de 2026 às 20:36
João Frizo [email protected]

Estimativas do IBGE mostram variações no número de habitantes entre os municípios da região
Estimativas do IBGE mostram variações no número de habitantes entre os municípios da região (Crédito: ARQUIVO / JCS)

A expansão das áreas urbanizadas e o crescimento da população não avançam necessariamente no mesmo ritmo. Na Região Metropolitana de Sorocaba (RMS), dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram diferenças entre os municípios tanto na variação do número de habitantes quanto no aumento do espaço urbanizado. Os indicadores, porém, referem-se a períodos distintos e medem fenômenos diferentes.

No levantamento territorial que compara 2019 e 2022, Ibiúna registrou acréscimo de 33,02 quilômetros quadrados de áreas urbanizadas; São Roque teve aumento de 14,32 km²; Mairinque, de 14,30 km²; e Sorocaba, de 13,46 km². Também aparecem na relação Piedade, com 11,23 km²; Porto Feliz, com 11,04 km²; e Araçoiaba da Serra, com 10,35 km².

Já as estimativas populacionais do IBGE, com referência em 1º de julho de cada ano, apontam que Sorocaba passou de 762.172 habitantes em 2025 para 766.390 em 2026 — acréscimo estimado de 4.218 pessoas. Votorantim foi de 133.510 para 134.103 habitantes; Araçoiaba da Serra, de 33.832 para 33.989; e Alumínio, de 17.607 para 17.621.

Em Sarapuí, a estimativa subiu de 10.677 para 10.718 habitantes. Jumirim passou de 3.132 para 3.139. Tapiraí, por sua vez, teve redução de uma pessoa na estimativa, de 8.122 em 2025 para 8.121 em 2026.

Os números populacionais são estimativas, não uma contagem direta de cada morador. Variações pequenas, portanto, precisam ser interpretadas com cautela. Da mesma forma, o aumento da área urbanizada não informa, por si só, quantas pessoas passaram a morar nos locais incorporados ao espaço urbano.

A comparação entre os dados exige uma distinção: o levantamento de áreas urbanizadas abrange o intervalo de 2019 a 2022, enquanto os números populacionais considerados são estimativas para 2025 e 2026. Além disso, a população municipal inclui moradores das áreas urbanas e rurais; o indicador territorial identifica a incorporação de áreas ao espaço urbanizado.

Assim, os dados permitem observar que houve expansão territorial em determinados municípios e que as estimativas populacionais variaram de maneira desigual. Não permitem, isoladamente, afirmar que a expansão urbana provocou crescimento demográfico, que novos loteamentos já foram ocupados ou que moradores deixaram uma cidade para se estabelecer em outra.

Expansão física

O professor Carlos Henrique Costa da Silva, do Departamento de Geografia, Turismo e Humanidades da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), campus Sorocaba, explica que a expansão urbana e a variação da população correspondem a processos diferentes.

"A expansão física da urbanização e o crescimento da população medem processos diferentes", afirma. Segundo o professor, áreas com lotes maiores, edificações dispersas e baixa densidade podem ampliar a extensão urbanizada sem receber, proporcionalmente, muitos moradores. Imóveis de uso ocasional e espaços destinados a atividades econômicas também podem contribuir para essa diferença.

Ao analisar o levantamento territorial, Costa da Silva observa que o IBGE identificou predomínio de feições pouco densas na expansão registrada. O padrão é compatível com uma ocupação mais dispersa, mas não permite determinar, sem informações adicionais, qual é o uso de cada empreendimento.

O professor ressalta que, para demonstrar que a área urbanizada cresceu mais rapidamente do que a população, seria necessário comparar dados referentes ao mesmo período e ao mesmo recorte territorial. A comparação entre 2019-2022 e 2025-2026 não permite estabelecer essa relação diretamente.

Crescimento regional

No relatório sobre a dinâmica demográfica paulista, elaborado a partir das estimativas do IBGE, a RMS apresentou crescimento populacional agregado de 0,4115% entre 2025 e 2026. O resultado estadual foi de 0,2109%. Segundo o documento, 26 dos 27 municípios da região tiveram aumento nas estimativas.

O professor relaciona o resultado à posição da região na rede urbana paulista e à integração com as regiões metropolitanas de São Paulo e Campinas. Ele também menciona a presença de atividades industriais, logísticas, comerciais, agrícolas e de serviços, além da rede rodoviária Castelo-Raposo.

No relatório, Costa da Silva afirma que a contribuição específica de cada fator "precisa ser investigada". A análise destaca que a identificação das causas depende de informações sobre nascimentos, óbitos, migração e eventuais revisões das bases de cálculo. Portanto, a relação entre integração regional, atividade econômica e crescimento populacional é uma interpretação a ser aprofundada, não uma causalidade comprovada pelos números apresentados.

O relatório também diferencia a RMS da Região Imediata de Sorocaba, que é outro recorte territorial. Esta última registrou crescimento agregado de 0,4296%, com aumento em 21 dos 22 municípios. Tapiraí foi o único com redução, de 0,0123%, índice próximo da estabilidade.

Na Região Imediata, Sorocaba teve crescimento estimado de 0,5534%. As maiores taxas foram registradas por Capela do Alto, com 0,6813%; Iperó, com 0,6531%; Salto, com 0,6257%; Boituva, com 0,6108%; e Araçariguama, com 0,6005%. São Roque teve aumento de 0,0258%; Alumínio, de 0,0795%; e Piedade, de 0,0461%.

Em Mairinque

O jornalista Nícolas Borba, morador de Mairinque desde o nascimento, relata ter percebido diferentes fases de mudança na cidade. Segundo ele, houve crescimento durante a infância, seguido por um período de menor transformação e, mais recentemente, uma retomada gradual.

Borba observa a construção de condomínios e loteamentos, além de maior oferta de eventos e atividades culturais. Também percebe o surgimento de pequenos estabelecimentos, como barbearias, serviços de estética, padarias e docerias. Ele afirma, no entanto, não saber se os empreendimentos residenciais em construção já resultaram na chegada de novos moradores.

Sobre a rodovia Raposo Tavares, o morador avalia que as melhorias podem favorecer a atividade econômica no futuro, especialmente pela circulação de caminhões. Essa avaliação é uma percepção pessoal e não comprova uma relação entre as condições da rodovia e a expansão urbana ou populacional.

Em Alumínio

Em Alumínio, a jornalista Vitória Machado Arruda, moradora da cidade desde o nascimento, relata perceber menos mudanças na região central e mais transformações em áreas rurais. Ela cita a duplicação da rodovia, a implantação de retornos, o asfaltamento de ruas e a abertura de vias e construções em direção às regiões do Irema e das Figueiras.

Na avaliação da moradora, o comércio e os serviços locais atendem a diversas necessidades, embora ela ainda procure algumas opções de compras fora do município ou pela internet, conforme o produto que busca. Também menciona serviços de beleza, oficinas e redes de supermercados, além de dizer que sua família passou a fazer mais compras na cidade.

Arruda afirma que as mudanças nas áreas rurais podem ser menos perceptíveis no cotidiano de quem circula principalmente pelo centro. O relato registra a experiência individual da moradora e não substitui indicadores oficiais sobre população, emprego ou atividade econômica.

Planejamento

A análise do professor aponta que a expansão urbana dispersa pode ampliar distâncias percorridas, dependência do automóvel e custos de implantação e manutenção de redes de água, esgoto, transporte e equipamentos públicos. Também pode aumentar a pressão sobre áreas rurais, vegetação e recursos hídricos.

Esses efeitos são apresentados como possíveis consequências desse padrão de ocupação, e não como impactos já mensurados nos municípios citados. Para avaliar a situação local, seria necessário observar onde estão as novas ocupações, qual é sua densidade, que infraestrutura existe e como os moradores se deslocam entre casa, trabalho e serviços.

A conclusão do relatório é que o planejamento regional deve considerar, ao mesmo tempo, o número de habitantes, a localização das novas áreas urbanizadas e as relações cotidianas entre os municípios. A comparação dos indicadores disponíveis mostra diferenças de ritmo, mas a identificação dos fatores que explicam essas mudanças depende de dados mais específicos e compatíveis entre si.


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