Homenagem
Hangar de Sorocaba recebe nome de Cherubim Rosa Filho
O hangar que abriga o Aeroclube de Sorocaba desde 1942 recebeu ontem (11) uma placa em homenagem ao aviador militar e ex-presidente do Superior Tribunal Militar (STM) Cherubim Rosa Filho. A cerimônia ocorreu na data em que o aviador completaria 100 anos, e marca como homenagem o local onde ele iniciou sua carreira na aviação.
A iniciativa partiu de um primo da família, em conjunto com o vereador Fernando Dini (PP).
Em 2022, foi aprovada a Lei Municipal nº 12.689/22, promulgada em 5 de dezembro daquele ano, que deu o nome de "Hangar Ten. Brig. Cherubim Rosa Filho" à primeira construção do antigo Campo de Aviação da Terra Vermelha, onde atualmente funcionam o Aeroporto e o Polo de Manutenção e Serviços Aeronáuticos de Sorocaba.
A reportagem do Cruzeiro do Sul acompanhou a homenagem no hangar do Aeroclube de Sorocaba. Em conversa com a filha de Cherubim, Cláudia Braga Rosa, momentos marcantes da carreira do aviador foram relembrados, do início na aviação até seu último pedido. "Antes de falecer, ele pediu que eu trouxesse as cinzas para o Aeroclube de Sorocaba, para que eu pudesse lançar sobre o local. É justamente o alfa e o ômega, o início e o fim, onde ele começou a história dele e onde vai finalizar", comentou Cláudia.
A filha também contou como começou a trajetória do pai na aviação. Segundo ela, durante uma Festa da Primavera, Cherubim e uma colega foram sorteados para fazer um voo panorâmico, e a experiência despertou o interesse do futuro aviador. "A história do papai começou aqui no Aeroclube de Sorocaba. Ele e uma colega, durante uma Festa da Primavera, foram sorteados para fazer um voo panorâmico. Então, assim que ele desceu do avião, a primeira coisa que ele perguntou foi: 'Moço, como que faz para aprender a voar isso daí?'. Então, a partir daí, ele tomou gosto pela aviação e correu atrás", afirmou.
Acidente na Amazônia
Rosa Filho teve diversas conquistas ao longo da carreira, entre elas episódios que marcaram sua trajetória. Em uma ocasião, enquanto transportava uma carga de cimento de Aragarças (GO) para Manaus (AM), o avião que pilotava, com outros cinco tripulantes, caiu na Floresta Amazônica. "Em 1958, o avião teve uma pane, eles caíram na Amazônia e ficaram uma semana lá. Depois disso, todos os noticiários já os davam como desaparecidos. Então, eles conseguiram pedir ajuda e voltaram para o Rio de Janeiro e São Paulo", relembrou a filha.
Passagem pelo STM
Também foi lembrada a passagem de Rosa Filho pelo Superior Tribunal Militar, onde atuou de 1993 a 1995. Ele foi o primeiro representante da Aeronáutica a presidir o STM sob a Constituição de 1988. Entre as principais características do pai, Cláudia destacou a serenidade e a neutralidade em situações de pressão. "Ele sempre falou que julgar é difícil, justamente porque você não pode ser bom nem pode ser ruim. Você tem de ser neutro para que possa tomar as atitudes corretas em um julgamento. E o papai sempre foi muito honesto nesse ponto, porque é uma vida que tem risco", afirmou. (Frederico Spindola - programa de estágio)