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Alerta Climático

Chuva segue até este domingo e amplia prejuízos na região

Granizo já provoca perdas em lavouras de Piedade, enquanto sequência de dias chuvosos mantém produtores e moradores atentos aos efeitos do excesso de água

11 de Setembro de 2026 às 21:25
João Frizo [email protected]
Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo recomenda aos produtores que reforcem as medidas preventivas nas propriedades
Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo recomenda aos produtores que reforcem as medidas preventivas nas propriedades (Crédito: Agência Brasil)

O mau tempo que atingiu Sorocaba e municípios da Região Metropolitana de Sorocaba (RMS) nos últimos dias ainda não deve dar uma trégua. A previsão indica continuidade das chuvas neste sábado (12) e domingo (13), mantendo o solo encharcado e o risco de novos transtornos, enquanto produtores rurais já contabilizam prejuízos provocados pelas tempestades recentes. Em Piedade, uma das principais áreas agrícolas da RMS, o granizo danificou plantações e reduziu a oferta de produtos, com reflexos nos preços de hortaliças e tubérculos.

A permanência das condições de instabilidade ocorre em um cenário de atenção para a região de Sorocaba. A Defesa Civil estadual mantém o monitoramento diante da possibilidade de novas chuvas fortes, rajadas de vento e granizo. O solo já saturado aumenta a preocupação com alagamentos, erosão e deslizamentos, especialmente em áreas de encosta e próximas a rios e córregos.

Em Sorocaba, foram registrados 54 milímetros de chuva em 24 horas, volume equivalente a cerca de metade da média esperada para todo o mês. Em Piedade, o acumulado chegou a 80 milímetros no mesmo período. Os volumes ajudam a dimensionar a intensidade da chuva e a preocupação com a continuidade da precipitação.

O porta-voz da Defesa Civil do Estado de São Paulo, capitão Maxwell de Souza, falou sobre o cenário em entrevista ao Jornal da Cruzeiro, da Cruzeiro FM 92,3. Segundo ele, os volumes registrados em diferentes municípios paulistas representam, em alguns casos, a quantidade de chuva que normalmente seria distribuída ao longo de um mês. "Isso é a chuva do mês inteiro caindo em um dia só", ressalta.

Agricultura sente os efeitos

Na RMS, um dos setores mais atingidos pelas condições climáticas é a agricultura. Na semana passada, uma forte chuva de granizo provocou danos em plantações de Piedade. Com a redução da oferta, a procura e os preços de vegetais, hortaliças e tubérculos aumentaram nesta semana.

A batata está entre os produtos que registraram maior impacto: o valor da caixa chegou a subir até 100% em comparação com as semanas anteriores.

A situação preocupa porque os efeitos das chuvas podem se prolongar mesmo depois da passagem dos temporais. Além dos danos diretos às lavouras, o excesso de água dificulta o manejo, compromete estradas rurais e pode afetar o transporte da produção.

Diante da previsão de continuidade das chuvas, a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) recomenda aos produtores que reforcem as medidas preventivas nas propriedades. A orientação inclui a vistoria de telhados de galpões, silos, estufas, currais, aviários e demais estruturas vulneráveis aos ventos.

Máquinas, implementos, insumos e defensivos devem ser mantidos em locais protegidos. Canais de drenagem e valetas precisam permanecer desobstruídos para facilitar o escoamento da água.

Chuva deve continuar

A previsão de chuva para este fim de semana mantém a necessidade de atenção na RMS. O problema, segundo a Defesa Civil, não está apenas na intensidade de uma eventual nova tempestade, mas também no efeito acumulado da água sobre o solo.

Com a sequência de dias chuvosos, aumentam os riscos de deslizamentos em encostas, erosão nas margens de rios e córregos e danos provocados pela movimentação da água em estradas e vias.

Em Sorocaba, a orientação é para que a população evite deslocamentos durante os períodos de chuva mais intensa. Ao perceber mudança brusca nas condições do tempo, a recomendação é deixar áreas abertas e procurar abrigo em uma edificação de alvenaria.

Redução de vazão

Ainda na questão de segurança, o Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae) de Sorocaba cobrou da empresa CBA, quanto à possibilidade de redução temporária da vazão defluente do Reservatório de Itupararanga, para o rio Sorocaba.

Diante do pedido, a empresa confirmou a adoção de uma vazão mínima operacional de segurança, que caiu de 11 para 6 metros cúbicos por segundo.

A iniciativa integra o conjunto de providências adotadas preventivamente pela autarquia, diante dos alertas emitidos pela Coordenadoria de Defesa Civil do Estado de São Paulo. O Saae/Sorocaba informa que mantém acompanhamento permanente da situação e contato com os órgãos e instituições envolvidos, para que as medidas necessárias sejam avaliadas e adotadas de acordo com a evolução das condições meteorológicas e hidrológicas.

Equipes permanecem mobilizadas em atenção às condições do sistema hídrico e o comportamento do rio Sorocaba.