Economia
Cesta básica cai pelo 3º mês, mas compromete 74% do salário mínimo
Valor de R$ 1.207,71 em agosto representa queda de 0,35% em relação a julho, mas ainda acumula alta de 5,74% em 12 meses
A cesta básica sorocabana ficou 0,35% mais barata em agosto, passando de R$ 1.211,97, em julho, para R$ 1.207,71. O recuo, de R$ 4,26, dá continuidade ao movimento de redução iniciado em junho, quando o valor começou a cair após atingir o pico de R$ 1.259,74 em maio. Os dados são do Laboratório de Ciências Sociais Aplicadas (CSA) da Universidade de Sorocaba (Uniso).
Apesar da sequência de quedas, o valor ainda está acima do registrado no mesmo período do ano passado. Em agosto de 2025, a cesta custava R$ 1.142,17. Com isso, houve alta de 5,74% em 12 meses, o equivalente a R$ 65,54 a mais para o consumidor.
O economista e coordenador da pesquisa, Marcos Antonio Canhada, explica que o recuo observado nos últimos meses está relacionado principalmente à maior oferta de produtos agrícolas e ao comportamento de proteínas como frango e ovos. Segundo ele, esses itens são mais sensíveis à sazonalidade e respondem rapidamente às alterações na produção e na oferta.
Em agosto, o extrato de tomate teve a maior queda entre os 34 produtos pesquisados, de 15,81%. O preço médio passou de R$ 8,16 para R$ 6,87. Na sequência aparecem cebola (-10,02%), frango (-8,84%), batata (-8,07%) e ovos (-7,06%).
Segundo Canhada, a maior disponibilidade agrícola favoreceu a redução de preços de hortaliças e tubérculos, enquanto o equilíbrio entre produção e demanda contribuiu para a queda de algumas proteínas. A cebola e a batata, por exemplo, foram beneficiadas pelo aumento da oferta. Já o frango teve redução associada à maior produção e à diminuição dos custos de criação.
O movimento, no entanto, não ocorreu de maneira uniforme. Dos 34 itens que compõem a cesta, 18 tiveram aumento em agosto, enquanto 15 apresentaram queda e um permaneceu estável.
Entre as maiores altas estão o creme dental, que subiu 7,82%, passando de R$ 4,99 para R$ 5,38; o vinagre, com aumento de 6,73%, de R$ 3,27 para R$ 3,49; e o arroz, que ficou 5,26% mais caro, passando de R$ 25,67 para R$ 27,02 o pacote de 5 quilos.
Também tiveram alta o detergente (4,85%), o sabão em pó (3,88%), o sal (3,88%), a margarina (3,30%), o absorvente (3,18%) e o óleo de soja (2,86%).
No caso dos produtos de limpeza e higiene, o relatório da Uniso relaciona os reajustes ao aumento de custos de matérias-primas, energia, embalagens e transporte. Já o arroz é influenciado pela menor disponibilidade no mercado interno durante o período de entressafra.
Alta ainda pesa no ano
Embora a cesta tenha recuado nos últimos três meses, os preços de vários produtos permanecem acima dos registrados no fim de 2025. Entre dezembro de 2025 e agosto deste ano, a cebola acumulou alta de 74,47%, seguida pelo feijão (40,09%), leite longa vida (34,40%), sal (21,36%) e absorvente (17,03%).
Na comparação com agosto de 2025, a cebola também aparece entre os maiores aumentos, com alta de 67,42%. O feijão subiu 38,24%, o sal 28,87%, o absorvente 26,13% e a batata 21,56%.
Em sentido contrário, alguns produtos ficaram significativamente mais baratos no período de 12 meses. O café teve redução de 78,50%, seguido pelo açúcar refinado (-28,88%), salsicha (-18,72%), frango (-17,42%) e alho (-16,09%).
Para o economista Paulo Kikuti, vice-presidente do Sindicato dos Economistas no Estado de São Paulo (Sindecon-SP), o cenário atual representa mais um alívio conjuntural do que uma mudança estrutural nos preços. Ele avalia que fatores como clima, câmbio, combustíveis e oferta agrícola ainda podem alterar rapidamente o comportamento da cesta.
A expectativa, segundo os especialistas, é de pequenas oscilações nos próximos meses, e não necessariamente de novas quedas acentuadas. Entre os produtos que merecem atenção estão o óleo de soja, por sua relação com o mercado internacional e o câmbio; o arroz, dependendo da evolução da próxima safra; e a carne bovina, influenciada pelo ciclo pecuário.
Peso no bolso
O recuo de agosto representa pouco alívio para as famílias de menor renda. Considerando o salário mínimo nacional de R$ 1.621 em 2026, os R$ 1.207,71 da cesta correspondem a cerca de 74,5% desse valor.
Na avaliação de Kikuti, essa proporção deixa uma margem muito pequena para outras despesas essenciais. O consumidor que recebe um salário mínimo teria cerca de R$ 413 restantes depois da compra da cesta.