Entrevista
Dini cobra respostas da CPFL sobre aumento nas contas de energia
Vereador afirma que reclamações aumentam após troca de medidores e aguarda respostas da concessionária
O vereador Fernando Dini (PP) da Câmara Municipal de Sorocaba que acompanha as reclamações relacionadas à CPFL Piratininga, afirma que o volume de queixas sobre aumento nas contas de energia não permite que os casos sejam tratados como ocorrências isoladas. De acordo com ele, parte dos relatos envolve consumidores que tiveram aumento nas faturas após a substituição dos medidores. Em entrevista ao Jornal da Cruzeiro, da Cruzeiro FM 92,3, na manhã de ontem (10), Dini afirma que os canais de comunicação da Câmara recebem mais de 500 reclamações em sete dias.
O parlamentar também cita reclamações registradas no Procon e relata casos de consumidores que passam de contas de R$ 50 para R$ 500 e de R$ 200 para R$ 1 mil. “A CPFL ainda identifica como erros pontuais, mas não é possível tantos erros pontuais diante dessa onda crescente de todo mundo reclamando”, afirma.
A comissão realiza a primeira reunião com participação de vereadores, consumidores e um representante da CPFL. Segundo ele, o grupo encaminha questionamentos à concessionária e espera receber as respostas na próxima reunião, marcada para 17 de setembro, às 14h, no Plenarinho da Câmara.
Atendimento
Além dos valores das contas, Dini questiona o atendimento oferecido pela CPFL. Segundo ele, consumidores relatam espera de duas a cinco horas para conseguir atendimento e, em alguns casos, não recebem prazo para resposta às reclamações.
O vereador cita o caso de uma moradora de 75 anos, do Jardim João Romão, que procura a concessionária para contestar uma conta. Ela aguarda por horas e realiza o atendimento por meio de um totem. Ele também relata a dificuldade da consumidora para registrar o número do protocolo.
O parlamentar também apresenta o caso de um morador de 78 anos que procura a comissão. Conforme o relato do parlamentar, a conta do consumidor, que recebe um salário mínimo, passa de cerca de R$ 80 para R$ 480. Dini afirma que o homem tenta resolver a situação há quatro meses.
Para ele, a demora nas respostas também cria preocupação em relação aos cortes de energia. De acordo com Fernando, há consumidores que permanecem com a conta em discussão enquanto aguardam uma manifestação da empresa. “O que nós precisamos é que se faça um mutirão. Não está dando conta”, afirma.
Medidores
Dini também relaciona parte das reclamações à substituição dos medidores. Segundo ele, consumidores procuram a comissão após registrar aumento nas faturas depois da troca dos equipamentos.
Durante a entrevista, um ouvinte relata que tem o medidor substituído em março e recebe, no mês seguinte, uma conta com aumento superior a 100%. De acordo com ele, o relato apresentado no programa, a CPFL realiza testes virtuais e identifica erro de consumo.
Ele ainda afirma que a concessionária não apresenta, até o momento, uma justificativa que relacione diretamente a troca dos medidores aos aumentos registrados. Conforme Fernando, a empresa informa que os equipamentos passam por auditoria.
Dini defende que a CPFL adote procedimentos de verificação também quando ocorre aumento expressivo no consumo. O parlamentar compara a situação com casos em que a empresa identifica uma queda no consumo e envia uma equipe para verificar o motivo. “Quando a conta sobe exorbitantemente, como vem ocorrendo, não vai a equipe da CPFL lá”, afirma.
Procon
A atuação do Procon também entra nos questionamentos da Comissão Especial. Ainda, afirma que o Legislativo solicita informações ao órgão sobre as medidas adotadas diante das reclamações contra a CPFL.
Entre os questionamentos estão o número de notificações encaminhadas à concessionária e as providências tomadas pelo órgão nas últimas semanas. “Eu quero saber, essa demora no atendimento, esse atendimento que não é humanizado, quantas notificações foram dadas da CPFL pelo Procon?”, afirma.
Segundo ele, as respostas do Procon devem ser apresentadas antes da próxima reunião da comissão, para que os parlamentares possam divulgar as informações.
Próximos passos
Dini também defende que o poder público adote medidas dentro dos mecanismos legais para cobrar respostas da concessionária. Ele afirma que a comissão busca a participação de deputados estaduais e federais na discussão.
Conforme ele, o deputado federal Maurício Neves (PP) já leva o assunto para Brasília. Dini também afirma que pretende discutir com o prefeito Rodrigo Manga (sem partido) quais medidas a prefeitura pode adotar diante das reclamações.
A próxima reunião da Comissão Especial ocorre em 17 de setembro, às 14h, na Câmara de Sorocaba. Fernando pede que consumidores levem as contas de energia para apresentar os casos aos vereadores. “Todos que estiveram presentes na última reunião dessa terça-feira saíram de lá com a promessa da solução daqueles problemas pontuais. Mas, na verdade, o que nós queremos é um problema rápido, que seja esclarecido rápido, para toda a população de Sorocaba”, afirma.
Sandro
Durante a entrevista, Fernando também critica a transferência do elefante Sandro e afirma que a Prefeitura foi notificada pelo Ibama para adequar o recinto, mas não realizou as mudanças. Ele questiona o transporte do animal por cerca de 1,6 mil quilômetros e cita a necessidade de alimentação picada e o histórico de cólicas. “Como que vai fazer? Um animal com cólica, você imagine como que ele fica. Imagina um elefante”, afirma.