Polêmica
Aumento nas contas de energia serão avaliadas em mutirão
Comissão de vereadores reúne relatos de moradores sobre aumentos atípicos, falhas nas leituras e problemas após troca de medidores
A suspeita de cobranças indevidas nas contas de energia elétrica em Sorocaba ganhou novos desdobramentos, agora com a presença de Câmara, Procon e prefeitura. Entre as medidas divulgadas nesta terça-feira (8), um possível mutirão de avaliação dessas contas problemáticas.
Moradores de diferentes bairros relatam aumentos considerados incompatíveis com o consumo habitual, especialmente após a substituição de medidores pela CPFL Piratininga. O problema mobilizou a Casa de Leis, que criou uma Comissão Especial para acompanhar o problema — a primeira reunião foi ontem.
A comissão conta com a participação dos vereadores Fernando Dini (PP), Fausto Peres (Podemos), Silvano Júnior (Republicanos) e Izídio de Brito (PT). Eles ouviram novos relatos de consumidores e cobraram da concessionária a adoção de uma força-tarefa para revisar as contas consideradas abusivas, conferir as leituras dos medidores e verificar possíveis cobranças indevidas.
O representante comercial da CPFL Marcelo Gongra participou do encontro e apresentou esclarecimentos sobre os procedimentos relacionados aos medidores e às leituras de consumo. Os vereadores, porém, ressaltaram que as reclamações não são casos isolados e defenderam que os consumidores tenham respostas individualizadas para as situações apresentadas.
Segundo o gestor da empresa, a medida de substituição dos aparelhos foi feita para atender a uma demanda do Ministério das Minas e Energia, mas por enquanto o serviço de leitura ainda vem sendo realizado de forma presencial, o que aumenta a margem de erro.
Complicações de pagamento
Moradores levaram à reunião registros de leituras dos relógios que, segundo eles, não correspondem ao consumo indicado nas faturas. Um dos participantes também questionou o cumprimento de um compromisso que, conforme relatado, teria sido assumido pela CPFL em reunião anterior: o de não interromper o fornecimento de energia enquanto o questionamento do consumidor permanecesse sem resposta.
Outro morador relatou o impacto pessoal provocado pela cobrança que considera irregular. Segundo ele, uma conta ficou mais de R$ 200 acima do valor habitual e permanece sem solução há cinco meses.
As condições oferecidas para o pagamento das contas também foram questionadas. Uma consumidora relatou ter recebido uma cobrança de aproximadamente R$ 1 mil e afirmou que a possibilidade de parcelamento apresentada pela concessionária seria limitada a seis vezes, com exigência de cartão de crédito.
Durante a reunião, foi sugerido que a CPFL avalie alternativas que permitam um número maior de parcelas, a exemplo do que ocorre com o Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae) em determinadas situações.
Fernando Dini afirmou que "a população está enfrentando problemas e nós precisamos buscar soluções. Nosso objetivo é ouvir os consumidores, cobrar respostas da CPFL e acompanhar cada encaminhamento. Não vamos desistir enquanto essa situação não tiver um desfecho justo e que não prejudique o consumidor".
A próxima reunião da comissão será realizada no dia 17 de setembro, no Plenarinho da Câmara de Sorocaba.
Mutirão de reclamação
Como principal encaminhamento da reunião da comissão, foi proposta a criação de um mutirão para reunir contas consideradas abusivas e submetê-las à análise e aferição. A intenção é concentrar os casos, investigar as divergências e encaminhá-los à CPFL para revisão.
A medida busca transformar as reclamações individuais em um levantamento mais amplo sobre o problema, permitindo identificar padrões e verificar se existem inconsistências relacionadas à leitura dos medidores ou ao faturamento.
A comissão também propôs a suspensão de cortes relacionados ao não pagamento de contas questionadas e criação de uma campanha ativa para esclarecer aos moradores os possíveis motivos que podem levar ao registro de reclamações.
Cerca de 200 reclamações
Paralelamente às discussões na Câmara, o Procon Sorocaba informou ter registrado, em 2026, cerca de 200 reclamações relacionadas à CPFL, incluindo questionamentos sobre cobranças e valores de faturas.
Em reunião realizada também na terça-feira, na sede da concessionária em Sorocaba, o prefeito Rodrigo Manga (sem partido) e representantes do Procon solicitaram que a CPFL suspenda, preferencialmente em até 48 horas, o corte de energia de consumidores que tenham apresentado reclamações relacionadas a interrupções ou indícios de aumento atípico de consumo ou faturamento, até que os casos sejam apurados.
Também foi sugerida a suspensão da substituição de medidores no município até que sejam esclarecidas as causas das alterações de consumo ou faturamento relatadas pelos consumidores.
A CPFL apresentou aos representantes da prefeitura e do Procon os procedimentos adotados pela empresa e aspectos técnicos que, segundo a concessionária, podem explicar alterações nos valores das contas. A orientação apresentada durante o encontro foi para que cada consumidor receba uma resposta detalhada, considerando as características específicas de sua reclamação.
Como parte das medidas anunciadas, a unidade móvel do Procon Sorocaba estará na sede local da CPFL Piratininga, na avenida São Paulo, 1.472, Vila Haro, entre sexta-feira (11) e segunda-feira (14), para orientar e prestar suporte aos consumidores. (Da Redação)