Legislativo
Moradores reclamam da falta de contêineres e descarte irregular de lixo
Vereador Roberto Freitas cobra estudos da Prefeitura sobre novas soluções para a coleta diante do adensamento urbano e defende investimentos na coleta seletiva
A falta de contêineres para o descarte de resíduos e, ao mesmo tempo, a resistência de moradores à instalação dos equipamentos em frente às suas casas levaram o vereador Roberto Freitas (PL) a cobrar explicações da Prefeitura de Sorocaba sobre o planejamento da coleta de lixo no município. Por meio do requerimento nº 128/2026, apresentado na Câmara, o parlamentar questiona se a administração estuda alternativas para modernizar o sistema diante do crescimento e do adensamento urbano.
Segundo Freitas, o problema aparece com frequência nas reclamações recebidas pelo Legislativo. "Esse é um problema recorrente no meu gabinete e nos de outros vereadores", afirmou. Ele relata situações de contêineres superlotados, com lixo espalhado nas ruas, além de conflitos provocados pela instalação dos equipamentos em calçadas estreitas.
Um dos pontos levantados pelo vereador está relacionado ao novo Plano Diretor de Sorocaba, que permite o parcelamento do solo com terrenos de testada mínima de cinco metros. Na avaliação de Freitas, a configuração de imóveis com frentes reduzidas pode dificultar a instalação dos contêineres convencionais sem comprometer o acesso a garagens e o espaço destinado aos pedestres.
"Há bairros, por exemplo, que a testada à frente da casa é de cinco metros. Se você coloca um contêiner numa rua dessas, acaba inviabilizando a entrada do carro", disse.
O requerimento questiona o Executivo sobre uma eventual revisão do Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos (PMGIRS), estudos técnicos sobre os impactos do adensamento na coleta e a existência de diretrizes para novos loteamentos e construções.
Outra preocupação apontada é a ausência de equipamentos em determinadas regiões. Conforme o vereador, a falta de contêineres contribui para que sacos de lixo sejam deixados diretamente nas calçadas, ficando sujeitos a rompimentos provocados por animais e à dispersão dos resíduos.
"Não temos contêineres suficientes para atender à demanda da cidade de Sorocaba. Muitas ruas não têm esses contêineres, muito por conta dos moradores pedindo para retirar", afirmou.
O parlamentar também defende que o município avalie modelos diferentes dos equipamentos tradicionais. Entre as alternativas citadas no requerimento estão contêineres subterrâneos ou semienterrados, as chamadas "Ilhas Ecológicas" em áreas públicas e mudanças no sistema de coleta porta a porta, com horários definidos para a colocação dos resíduos.
Coleta seletiva
Para Freitas, a discussão também precisa envolver a destinação dos materiais recicláveis. Ele critica a ausência de um sistema municipal estruturado de coleta seletiva e afirma que parte dos resíduos que poderia ser encaminhada para reciclagem acaba misturada ao lixo comum.
"Eu faço a separação de lixo, mas no final eu jogo no mesmo lugar", afirmou. "Não temos um serviço de coleta seletiva na cidade, não temos um programa de educação de separação de lixo na cidade."
O vereador relaciona o problema à situação das cooperativas de reciclagem, que, segundo ele, enfrentam dificuldades para manter mão de obra diante da baixa remuneração obtida com a comercialização dos materiais recicláveis. Para enfrentar a questão, defende que a Prefeitura avalie contratos e subsídios às cooperativas para garantir a continuidade do serviço.
"Não é a falta de recurso, é a falta de prioridade. O que eu priorizo na cidade? Na minha opinião, esse é um ponto que precisa ser priorizado e de forma rápida", disse.
12,8 mil contêineres
Sorocaba tem 12.800 contêineres de 1 mil litros, atendendo todas as regiões de Sorocaba, informa a prefeitura. "Com relação aos lotes de 5 metros de testada, essa questão será analisada em momento oportuno pela Secretaria do Meio Ambiente, Proteção e Bem-Estar Animal (Sema), mas geralmente nesses casos o atendimento se dá por meio das esquinas e faixas de estacionamento. No momento, não há estudos para adotar alternativa aos contêineres", respondeu à administração municipal.
Em relação à coleta seletiva, a prefeitura ressalta que fornece a estrutura e equipamentos necessários, como barracões, prensas, balanças, esteiras, empilhadeiras e caminhões com insumos e motoristas, cabendo às cooperativas a mão de obra dos cooperados.
Além disso, Sorocaba participa do programa Integra Resíduos, do governo estadual. O programa pretende modernizar a gestão de resíduos sólidos por meio de arranjos regionais, com soluções economicamente viáveis para os municípios, incluindo os catadores de materiais recicláveis. (C.M.)