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Comemoração

'Caminhos da Independência' passaram pela região de Sorocaba

07 de Setembro de 2026 às 21:01
Vernihu Oswaldo [email protected]
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Em 1822, enquanto a Independência do Brasil era declarada às margens do Ipiranga, o interior paulista vivia seu próprio clima de tensão. Em Sorocaba, porém, as lideranças locais preferiram agir com cautela. Como uma das principais cidades da província e em bom momento econômico, a vila buscava preservar seus interesses.

No início do século 19, Sorocaba tinha papel central na América portuguesa. A economia girava em torno da feira de muares, do comércio de tropas, do fornecimento de mantimentos e da pioneira Real Fábrica de Ferro São João do Ipanema. Na prática, a cidade era um polo estratégico que ligava a região Sul às áreas de mineração de Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso.

Segundo o historiador Leonardo Silveira, a força econômica e a localização privilegiada deram à cidade grande influência política. Em vez de se deixar levar pelo momento, a elite sorocabana aproveitou essa autonomia para negociar uma posição de neutralidade.

Isso ficou claro durante a chamada "Bernarda de Francisco Inácio", um motim ocorrido na capital. Na ocasião, a Câmara de Itu pressionou Sorocaba a tomar partido, mas o cenário político local estava dividido. De um lado, Rafael Tobias de Aguiar despontava como principal articulador pró-Independência. De outro, lideranças como José de Almeida Leme tentavam ganhar tempo. Leme chegou a ir a Itu para jurar fidelidade à futura Constituição portuguesa, adiando um rompimento imediato com Lisboa.

Além dos políticos locais, a região atraiu figuras que seriam centrais no Império. Os irmãos Andrada, entre eles José Bonifácio e Martim Francisco, estiveram na região em 1820 para realizar estudos minerais. Martim chegou a morar por cinco anos em São João do Ipanema, enquanto Bonifácio registrou em seus diários observações sobre a sociedade sorocabana e elogios às mulheres da vila.

Marcas na paisagem

Mais de dois séculos depois, a cidade ainda preserva traços desse período tropeiro e imperial. O antigo casarão de Rafael Tobias de Aguiar continua de pé no bairro Brigadeiro Tobias. Na vizinha Iperó, a Floresta Nacional de Ipanema abriga as ruínas da Real Fábrica de Ferro, por onde passaram os irmãos Andrada.

O Museu Histórico Sorocabano também guarda documentos e artefatos da época. A própria planta da cidade reflete essa história em seus endereços, com vias como a rua dos Andradas, a avenida D. Pedro I e o bairro Brigadeiro Tobias.

A participação de Itu

Já a Câmara de Itu teve papel mais direto nos acontecimentos que antecederam a Independência. A cidade se posicionou contra a "Bernarda de Francisco Inácio", articulando a resistência regional à desordem na capital. Os líderes ituanos declararam nulo o governo rebelde e reafirmaram lealdade ao príncipe-regente, movimento que logo foi seguido por quase todas as vilas da comarca.

O protesto foi um dos principais motivos que levaram dom Pedro I a viajar para São Paulo com a missão de restabelecer a ordem na província. A jornada culminou no Grito do Ipiranga, em 7 de setembro. Como reconhecimento pela lealdade durante a crise, o imperador concedeu a Itu o título de "Fidelíssima", em 1823, marcando o nome da cidade no processo de emancipação do País. (V.O.)