Em Sorocaba
Moradores do Jardim Gutierres aguardam há anos pela regularização de imóveis
Famílias da rua José Martinez Gabarron relatam dificuldades para obter documentação das propriedades; prefeitura tem decreto para desapropriação de área destinada ao prolongamento de via
Moradores da rua José Martinez Gabarron, no Jardim Gutierres, zona leste de Sorocaba, aguardam há anos pela regularização dos imóveis onde vivem. Os relatos apontam diferentes situações envolvendo a documentação das propriedades. Enquanto alguns moradores afirmam que não conseguem concluir o processo de regularização, outros enfrentam problemas relacionados à divisão e ao registro dos imóveis. A região também é abrangida por um decreto municipal de 2018 que declarou de utilidade pública uma área de 1.019,38 metros quadrados para fins de desapropriação e prolongamento de via pública.
Um dos moradores que tenta resolver a situação é do autônomo Renato Gonçalves Arruda. Ele afirma que vive na rua José Martinez Gabarron há aproximadamente 20 anos e que busca regularizar sua propriedade desde cerca de 2002. Segundo ele, grande parte das residências do local enfrentam problemas semelhantes. Ele estima que mais de 70% dos imóveis estejam nessa situação, embora não haja, até o momento, um dado oficial da administração municipal sobre a quantidade de propriedades sem regularização.
Renato afirma que procurou a prefeitura em diferentes ocasiões para obter informações sobre a situação dos imóveis e sobre processos relacionados ao desmembramento da área e das propriedades existentes na rua. Entre os documentos que apresentou estão os processos administrativos nº 2008/8329 e nº 2001/9990.
Segundo ele, os processos teriam ficado sem andamento durante anos. Arruda também procurou a Ouvidoria Municipal e possui protocolos registrados em 2023 e 2026. No protocolo mais recente, segundo o morador, a solicitação foi encaminhada à secretaria responsável.
Tentativas
Renato conta que já procurou diferentes administrações municipais e vereadores para tratar da situação. Segundo ele, moradores receberam, ao longo dos anos, promessas relacionadas à regularização dos imóveis e a melhorias na região.
Entre as intervenções mencionadas pelo morador estão a documentação das propriedades, a abertura da rua, a implantação de uma praça, ligações com os bairros Jardim Astro e Jardim Piratininga e a instalação de uma academia ao ar livre. Arruda também afirma que existem terrenos pertencentes ao município na rua que são utilizados para a passagem de águas pluviais.
O morador também cita a construção de empreendimentos residenciais na região. Segundo ele, nos últimos anos foram implantados três empreendimentos de grande porte na rua. A existência dos empreendimentos, porém, não significa, por si só, que haja relação entre os processos de aprovação deles e a situação documental das casas antigas, o que não foi apontado pela prefeitura nas respostas encaminhadas à reportagem.
Para Renato, uma das principais dúvidas atualmente envolve a abertura de uma via na área localizada no final da rua. Ele afirma que recebeu a informação de que a regularização dos imóveis estaria relacionada à abertura da rua.
Utilidade pública
A existência de uma intervenção viária na região é confirmada por documento municipal. O Decreto nº 24.279, de 26 de novembro de 2018, declara de utilidade pública, para fins de desapropriação, um imóvel destinado ao prolongamento de via pública.
O decreto informa que a área a ser desapropriada possui 1.019,38 m² e está localizada na rua José Martinez Gabarron, no bairro do Itatuba ou Árvore Grande. O imóvel consta como pertencente a José Martinez Rodrigues e/ou sucessores. O documento está relacionado ao Processo Administrativo nº 9.990/2001.
A descrição técnica do decreto delimita a área a partir de pontos localizados na rua citada e estabelece seus limites e medidas. O texto também determina que a aquisição poderia ocorrer por compra, desapropriação amigável, doação gratuita ou outra forma de aquisição prevista no Código Civil, desde que atendidas as condições estabelecidas no próprio decreto.
A publicação do decreto, contudo, não significa que a desapropriação tenha sido concluída. O documento apenas declara a área de utilidade pública para essa finalidade.
Questionada sobre a situação atual, a Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento Urbano (Seplan) informou que parte da interligação entre as vias citadas pela reportagem é objeto de decreto já publicado. Segundo a pasta, atualmente o Poder Público Municipal realiza um estudo de disponibilidade econômico-financeira para verificar o custeio da desapropriação e o prosseguimento da intervenção.
Em nova resposta, a Seplan confirmou que a área a ser desapropriada está delimitada no Decreto nº 24.279/2018. A secretaria informou ainda que os processos estão disponíveis para consulta dos proprietários e envolvidos na ação na sede da Seplan, localizada no segundo andar do Paço Municipal.
Situação diferente
A dificuldade com a documentação também aparece no relato do aposentado José Azilson Almeida, que mora no bairro há 15 anos. O caso dele, porém, apresenta outra situação.
Almeida conta que comprou o imóvel por meio de um contrato assinado pelos antigos proprietários. Segundo ele, os proprietários morreram e não foi realizado o inventário. Com isso, afirma que não conseguiu regularizar a propriedade.
O morador diz que já buscou informações sobre a situação e que sabe de outras pessoas da região que também tentaram procurar soluções. Ele não soube informar se a intervenção viária prevista para a área será realizada.
José também relatou que já houve tentativa de conseguir uma passagem pelo local para uma saída em direção à rodovia Raposo Tavares (SP-270). Segundo ele, a autorização não foi concedida por um dos herdeiros da área.
Esclarecimentos
A prefeitura confirmou a existência do projeto de interligação e do decreto de desapropriação, mas informou que ainda realiza estudo sobre a disponibilidade financeira para custear a intervenção.
Também permanece em apuração o andamento atual dos processos administrativos mencionados pelos moradores e quais medidas ainda são necessárias para a regularização das propriedades.
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