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Saúde

Prefeitura abre pregão para novo veículo do Samu

Enquanto isso, nove ambulâncias paradas em Sorocaba são alvo de questionamento pelo Ministério Público Federal

03 de Setembro de 2026 às 20:26
Caroline Mendes [email protected]
Ambulâncias estacionadas em pátio municipal à espera de liberação para operação
Ambulâncias estacionadas em pátio municipal à espera de liberação para operação (Crédito: ARQUIVO JCS (2/7/2025)

A Prefeitura de Sorocaba abriu licitação para adquirir um novo Veículo de Intervenção Rápida (VIR) para o Samu 192, enquanto o Ministério Público Federal (MPF) cobra na Justiça a recuperação de nove ambulâncias que, segundo o órgão, estão paradas há mais de um ano. O novo pregão foi publicado no Jornal do Município de quarta-feira (2).

O Pregão Eletrônico nº 043/2026 prevê a aquisição de um veículo destinado ao atendimento pré-hospitalar móvel do Samu. As propostas podem ser apresentadas até 18 de setembro, quando também está prevista a abertura da disputa.

Segundo a prefeitura, porém, o veículo previsto no pregão não é uma ambulância. Trata-se de um VIR 4x4, destinado ao atendimento de emergência em áreas rurais ou locais de acesso mais difícil. Conforme o Executivo, a aquisição será custeada por meio de emenda impositiva do vereador Fábio Simoa.

A licitação ocorre em meio à Ação Civil Pública nº 5002370-34.2026.4.03.6110, na qual o MPF afirma que metade das 18 ambulâncias adquiridas com recursos federais pelo município está inoperante. Segundo o órgão, os veículos aguardam reparos há meses, incluindo serviços como troca de bateria, pneus e freios.

Em junho, uma decisão liminar determinou que a prefeitura recolocasse os veículos em operação em até 30 dias. O MPF afirma que a determinação não foi cumprida e pediu multa diária de R$ 5 mil ao município e de R$ 1 mil ao prefeito e aos secretários de Saúde e Administração.

O que diz a prefeitura

Em resposta, a prefeitura afirmou que "não foi notificada desta ação". A administração municipal informou ainda que o Samu opera atualmente com 10 viaturas em atividade regular.

Ela sustenta que o serviço está em conformidade com os parâmetros do Ministério da Saúde para municípios de grande porte, citando a Portaria GM/MS nº 1.864/2003 e outras normativas regulamentadoras do Samu 192.

A referência, entretanto, chama atenção porque a Portaria nº 1.864/2003 foi revogada em 2011 pela Portaria nº 2.026/2011. Portanto, a norma apresentada pela prefeitura como fundamento para os parâmetros de cobertura não está mais vigente.

Na resposta, o Executivo não detalhou quais são as 10 viaturas atualmente em operação, nem informou qual é a situação individual das nove ambulâncias apontadas pelo MPF como inoperantes.

Também não esclareceu quando os veículos questionados na ação judicial poderão voltar a operar.

Sobre o novo pregão, a prefeitura reforçou que não se trata da compra de uma ambulância, mas de um veículo 4x4 para intervenção rápida, voltado principalmente a áreas rurais e locais de difícil acesso. O custo será bancado por emenda impositiva do vereador Fábio Simoa.

Demanda regional

O MPF questiona a avaliação de que a frota disponível seja suficiente apenas com base na população de Sorocaba. O município é sede do Departamento Regional de Saúde (DRS XVI) e referência para outros 32 municípios, abrangendo uma população regional superior a 2 milhões de pessoas.

Além da recuperação das ambulâncias, a ação também cobra a regularização das apólices de seguro da frota. Ao final do processo, o MPF pede que os 18 veículos sejam mantidos em condições de circulação e que os reparos sejam realizados em prazo máximo de 15 dias.

Assim, enquanto a prefeitura prepara a aquisição de um VIR 4x4 para atendimentos em áreas de difícil acesso, segue em disputa na Justiça a situação das ambulâncias já existentes e apontadas pelo MPF como inoperantes.