LEGISLATIVO
Câmara de Sorocaba cria comissão para fiscalizar cobranças da CPFL
Moradores relatam contas que chegam a R$ 2.400 após troca de medidores; Votorantim registra queixas semelhantes
O vereador Fernando Dini (PP) formalizou ontem (1º) a criação de uma comissão especial da Câmara de Sorocaba para acompanhar e fiscalizar os problemas relatados por moradores de Sorocaba em relação à CPFL Piratininga. Algumas contas estão passando de R$ 2.400, por exemplo.
Dini assume a presidência do colegiado, que contará ainda com os vereadores Fausto Peres (Podemos), Izídio de Brito (PT) e Cristiano Passos (Republicanos). A comissão nasce em resposta ao crescimento das queixas sobre valores de faturas, principalmente após a troca de medidores convencionais por equipamentos digitais.
A força da comissão legislativa está justamente no seu caráter permanente de cobrança: segundo Dini, o grupo não vai se limitar a apurar denúncias pontuais, mas atuará de forma contínua, solicitando informações formais à concessionária, acompanhando caso a caso e monitorando as providências adotadas até a efetiva solução dos problemas. As prerrogativas do Legislativo para exigir explicações e prazos da CPFL, neste caso, são o que diferenciam a iniciativa de uma simples reclamação individual.
O pano de fundo que motivou a criação do colegiado não é novo. Um morador da cidade contestou recentemente uma fatura de R$ 2.420,87, um valor cerca de seis vezes superior à média mensal de R$ 400 registrada nos meses anteriores. A CPFL informou que vai analisar o faturamento e as condições técnicas de medição, mantendo a cobrança bloqueada até a conclusão da apuração, e atribuiu possíveis distorções ao cálculo proporcional entre o medidor antigo e o novo instalado.
Esse episódio está longe de ser isolado. Em Votorantim, consumidores relataram aumentos de mais de R$ 800 nas contas após a substituição de medidores, além de dificuldades para conseguir atendimento e receber as faturas corretamente. O acúmulo desses relatos, em diferentes cidades atendidas pela concessionária, reforça a percepção de que o problema ultrapassa casos pontuais e ajuda a explicar por que o tema ganhou relevância política suficiente para virar pauta formal na Câmara.
Os números do Procon Sorocaba dão dimensão ao problema: foram 189 reclamações contra a CPFL registradas em 2026, entre questionamentos sobre cobranças e valores de faturas. O próprio órgão, no entanto, faz uma ressalva importante — os casos são analisados individualmente, e o volume de queixas não permite concluir, por si só, que haja aumento generalizado de tarifas ou prática sistemática de cobrança indevida por parte da concessionária.
É nesse equilíbrio entre reclamação crescente e ausência de comprovação de irregularidade generalizada que a comissão pretende atuar. "Nós vamos acompanhar de perto. Vamos ouvir os consumidores, buscar informações, cobrar a CPFL e verificar quais providências estão sendo tomadas. Nosso compromisso é com o cidadão de Sorocaba, que precisa ter seus direitos respeitados", afirma Dini.
Para o parlamentar, a comissão representa uma resposta direta a um tipo de demanda que já chegava ao seu gabinete de forma recorrente. "Quando o consumidor procura o vereador porque não conseguiu resolver um problema, o nosso papel é agir. Foi por isso que propusemos essa comissão. Vamos fiscalizar e buscar respostas. O consumidor de Sorocaba não estará sozinho", conclui.
Enquanto a comissão organiza seus trabalhos, o Procon segue orientando os consumidores sobre como agir diante de contas consideradas abusivas: comparar o consumo atual com o histórico de meses anteriores, verificar mudanças nos hábitos de uso de equipamentos elétricos e, em caso de divergência, procurar primeiro a CPFL para pedir esclarecimentos ou revisão da fatura. Persistindo o problema, a reclamação pode ser formalizada no órgão, que atende sobre questões ligadas à CPFL às terças e quintas-feiras, mediante agendamento pelo WhatsApp (15) 99111-7448. É importante guardar as faturas, protocolos e fotos do medidor — um arsenal de provas que também deve alimentar o trabalho da nova comissão.