Expectativa
Compradores avaliam uso do prédio do antigo Villàgio
Imóvel foi a leilão por dívida da Rocco dona do empreendimento ao Banco do Brasil
Thaís Verderamis
O prédio do antigo Shopping Villàgio, na praça Pio 12, no Jardim Santa Rosália, em Sorocaba, foi arrematado em um leilão judicial por R$ 53 milhões pela Luthero Leilões. O imóvel estava avaliado em R$ 116,3 milhões.
O terreno com 5.172,88 metros quadrados e 28.322,63 metros de área construída abrigou o Shopping Villàgio de 2010 a 2015. De acordo com Luthero Caixeta Barbosa Junior, CEO da Luthero Leilões, o imóvel tem múltiplas possibilidades de uso.
"O comprador já avalia diferentes vocações para o empreendimento: a retomada como shopping center, a transformação em um centro médico — com hospitais, clínicas ou laboratórios —, a instalação de uma universidade ou faculdade, ou ainda a ocupação por grandes atacadistas, inclusive de capital chinês, segmento que vem crescendo fortemente no Brasil", afirma.
Duas empresas arremataram o prédio, a Premodisa Sorocaba Sistemas Pré-Moldados Ltda e a Lajeal Pré-Fabricados em Concreto Ltda. O pagamento foi realizado em partes, R$ 30 milhões em dinheiro e R$ 23.604.486,44 em créditos que as empresas possuiam com a Rocco Empreendimentos, empresa proprietária do imóvel.
No entanto, de acordo com o especialista em direito público Márcio Tomazela, apesar de arrematado, as empresas ainda aguardam a emissão da Carta de Arrematação. "O imóvel foi arrematado pela Premodisa e pela Lajeal, e existe o respectivo Auto de Arrematação. O que ainda não ocorreu é a conclusão das providências necessárias para que as arrematantes recebam formalmente o imóvel e possam assumir a posse. Para isso, é necessária a expedição da Carta de Arrematação, além do respectivo Mandado de Imissão na Posse", explica.
Recurso
O processo ainda está correndo judicialmente, uma vez que a Rocco entrou com recurso. "Houve decisão atribuindo efeito suspensivo parcial justamente para impedir, neste momento, a expedição da Carta de Arrematação. Portanto, a arrematação já aconteceu, mas a transferência e a entrega do imóvel ainda não foram concluídas", afirma o especialista.
A reportagem do Cruzeiro do Sul entrou em contato com a Rocco, com a Premodisa e com a Lajeal para comentar o caso e a situação atual do imóvel. No entanto, não retornaram até o início da noite de ontem (1º). O espaço segue aberto.
Antes do encerramento das atividades, a Rocco Empreendimentos firmou uma Cédula de Crédito Comercial no valor de R$ 1,8 milhão com o Banco do Brasil. Em 2014, pela falta de pagamentos, a dívida atingiu os R$ 2,03 milhões e o Banco do Brasil moveu uma execução contra a Rocco. Em 2015, o imóvel foi penhorado.
Depois da penhora, as partes envolvidas entraram em acordo, que foi homologado judicialmente e registrado. Porém, a Rocco não teria cumprido o que foi determinado. De 2017 a 2024, o imóvel passou por avaliações e repetidas tentativas de leilão. Foram registrados pelo menos quatro tentativas que não tiveram sucesso.
Em 2024, o imóvel foi avaliado em aproximadamente R$ 116,3 milhões. Já em 2025 e 2026 a Justiça autorizou o leilão com lance mínimo a partir de R$ 30 milhões. A Rocco entrou com recurso contra o leilão e o preço mínimo. Em maio deste ano, o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP) rejeitou o recurso.
Em junho, a arrematação foi homologada por R$ 53 milhões, mas a carta de arrematação foi suspensa. Ainda sim, as empresas arrematantes Premodisa e Lajeal estão se movimentando para garantir a carta. Em agosto entraram com um Agravo de Instrumento, um recurso para recorrer da decisão da suspensão da carta e continuam depositando o pagamento das parcelas da arrematação.