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Era digital

Bancos reduzem agências e ampliam atendimento digital na região de Sorocaba

Segundo sindicato, 42 unidades foram fechadas em dez anos nos 40 municípios de sua base; bancos afirmam que mudança acompanha avanço dos canais digitais

01 de Setembro de 2026 às 20:25
João Frizo [email protected]
Moradores de Araçoiaba foram orientados a utilizar agência do Bradesco no centro de Sorocaba
Moradores de Araçoiaba foram orientados a utilizar agência do Bradesco no centro de Sorocaba (Crédito: Fábio Rogério)

A expansão dos serviços bancários digitais vem mudando a presença física dos bancos nas cidades da região de Sorocaba. Nos últimos dez anos, 42 agências foram fechadas nos 40 municípios que integram a base do Sindicato dos Bancários de Sorocaba e Região, segundo levantamento da entidade com dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). O número representa uma redução em relação às cerca de 235 unidades existentes anteriormente. Ao mesmo tempo, instituições financeiras ampliam os investimentos em aplicativos, internet banking e outras tecnologias.

Para o Sindicato dos Bancários, a redução da rede física está relacionada à diminuição de custos. O diretor de Jornalismo da entidade, Júlio César Machado, afirma que uma agência envolve despesas com aluguel, energia elétrica, água, materiais e salários, enquanto os canais digitais permitem a realização de grande parte das operações sem a necessidade da estrutura física. “Aquela expansão que os bancos programaram nos anos 90, que era abrir uma agência em cada avenida, hoje a ideia é o contrário: é fechar, diminuir”, afirma Machado.

Segundo ele, a digitalização acelerou esse processo, especialmente durante a pandemia. O dirigente cita ainda a mudança no perfil do atendimento bancário, com operações rotineiras cada vez mais concentradas nos aplicativos e outros canais eletrônicos.

A transformação também aparece nos números nacionais. A Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2026, realizada pela Deloitte, aponta que 83% das 240,8 bilhões de transações bancárias realizadas no Brasil em 2025 ocorreram por canais digitais. Somente pelo celular foram realizadas 187,5 bilhões de operações, o equivalente a 78% do total. O volume de transações pelo mobile banking cresceu 169% em cinco anos.

A Febraban afirma que a abertura e o fechamento de agências seguem as políticas individuais e estratégicas de cada banco e que a entidade não monitora essas decisões. Segundo a federação, os bancos estão adequando suas estruturas à mudança no comportamento dos consumidores, que passaram a utilizar mais os canais digitais.

A entidade também informa que quase todas as operações bancárias podem ser realizadas eletronicamente, incluindo pagamentos, transferências, contratação de crédito, investimentos, consultas e renegociação de dívidas. O setor prevê investimentos de R$ 50,4 bilhões em tecnologia em 2026, alta de 58% em relação ao orçamento de cinco anos atrás.

Nas instituições que responderam à reportagem, o avanço digital também aparece como justificativa para a transformação da rede física. O Itaú informou que cerca de 97% das transações de pessoas físicas de seus clientes já ocorrem pelos canais digitais. O banco afirma que, nos próximos anos, as unidades físicas deverão assumir um perfil mais consultivo e especializado, sem deixar de fazer parte da estratégia de atendimento.

O Bradesco informou que 98% das operações de seus clientes são realizadas pelos canais digitais. Segundo o banco, parte das agências passa por adequações de tamanho, unificação ou transformação em unidades de negócio. Clientes de unidades encerradas podem ser direcionados para agências próximas ou utilizar a rede de correspondentes Bradesco Expresso e os canais digitais.

O Banco do Brasil, por sua vez, não informou dados específicos por município. A instituição afirmou que vem fortalecendo um modelo de atendimento que combina canais físicos e digitais. Segundo o banco, a tecnologia amplia a conveniência e a agilidade, mas o atendimento humano continua importante, principalmente em decisões financeiras mais complexas.

Impacto

Embora a redução da rede física ocorra em diferentes municípios, o sindicato aponta impactos maiores para moradores que dependem do atendimento presencial. Machado cita Tapiraí como exemplo. Segundo ele, o município tinha apenas uma agência bancária, que foi fechada.

A Prefeitura de Tapiraí confirmou o encerramento da agência do Bradesco e informou que tentou negociar com o banco a permanência da unidade, mas não conseguiu reverter a decisão. Atualmente, segundo o executivo, o município conta com apenas uma instituição bancária, o Sicoob Cressem.

A administração municipal também reconheceu impacto para os moradores pela necessidade de deslocamento para outros municípios, e afirmou ter recebido reclamações sobre a situação. Segundo a administração, parte dos moradores está conhecendo e aderindo à instituição que atualmente mantém atendimento no município.

Outro exemplo citado é Araçoiaba da Serra, onde, segundo Machado, uma agência do Bradesco foi encerrada e os clientes passaram a ser direcionados para a unidade da avenida General Carneiro, em Sorocaba.

Para o diretor do sindicato, a necessidade de deslocamento pesa para pessoas de baixa renda e idosos que têm dificuldades para utilizar os serviços digitais. “Quem sofre o impacto da falta do atendimento presencial é a população de baixa renda”, afirma.

Segundo Machado, a utilização de aplicativos e outros canais eletrônicos não elimina todas as dificuldades. Para ele, problemas de atendimento automatizado, além da vulnerabilidade a golpes digitais, são fatores que reforçam a importância do contato presencial. “Eu afirmo que o atendimento presencial não pode ser completamente substituído pelo eletrônico, pois a falta do contato humano deixa lacunas críticas”, diz.

A Febraban, por outro lado, afirma que os canais digitais são uma alternativa prática e segura aos clientes e que oferecem a totalidade das transações financeiras do sistema bancário. A entidade também aponta que os bancos vêm ampliando investimentos em segurança digital e tecnologia.

Mudança

Para os bancos, a tendência não significa o desaparecimento das unidades físicas. O movimento é de transformação da função das agências, que deixam de concentrar operações rotineiras e passam a ter maior foco em relacionamento e orientação financeira.

O Itaú afirma que a rede física continuará fazendo parte de sua estratégia, enquanto o Banco do Brasil destaca a integração entre canais físicos e digitais. O Bradesco também aponta a transformação de unidades em espaços de negócios.

A pesquisa da Febraban mostra a dimensão dessa mudança. Além do crescimento das transações digitais, o estudo aponta aumento dos investimentos tecnológicos dos bancos, que devem alcançar R$ 50,4 bilhões em 2026.

Para o sindicato, porém, a redução da estrutura física deve continuar. Machado afirma que há unidades em processo de fechamento e que a tendência é de continuidade da redução da rede.

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