Buscar no Cruzeiro

Buscar

Patrimônio histórico

Sorocaba tem 63 monumentos com danos ou falta de reparos

Levantamento aponta furtos de placas e bustos, pichações, corrosão e ausência de elementos históricos; Prefeitura afirma que repõe identificações e prepara nova licitação

07 de Setembro de 2026 às 20:01
Caroline Mendes [email protected]
Monumento ao Tropeiro, na Praça do Tropeiro, foi doado por Francisco Matarazzo Júnior em homenagem ao 3º Centenário de Sorocaba
Monumento ao Tropeiro, na Praça do Tropeiro, foi doado por Francisco Matarazzo Júnior em homenagem ao 3º Centenário de Sorocaba (Crédito: FÁBIO ROGÉRIO)

Placas e bustos de bronze furtados, pichações, corrosão, fissuras e até o desaparecimento de elementos que faziam parte da composição original de monumentos. Um levantamento realizado pelo Instituto de Cidadania e Políticas Públicas (ICPP) identificou 63 monumentos, marcos e outros bens de interesse histórico-cultural que apresentam danos, alterações ou precisam de confirmação sobre sua situação atual em Sorocaba.

O levantamento foi realizado a partir de pesquisa histórica, consulta a registros bibliográficos, diligências presenciais, fotografias atuais e comparação com imagens e documentos históricos. Do total, 42 bens tiveram documentação mais completa, com localização, histórico, registros fotográficos e indicação de avarias aparentes, e foram apresentados em uma ação civil pública movida contra o Município. Outros 21 foram identificados em fontes históricas e diligências preliminares, mas ainda dependem de confirmação oficial.

Para o advogado Hudson Moreno Zuliani, do ICPP e da Loja Maçônica Ética e Cidadania, o problema ultrapassa a simples deterioração de peças. "Sorocaba precisa tratar seus monumentos como patrimônio histórico e cultural, não como mobiliário urbano substituível", afirma.

Entre os casos apontados está o monumento a Luiz Matheus Maylasky, na Praça Maylasky, em frente ao Museu da Estrada de Ferro Sorocabana. Segundo o ICPP, a composição original do monumento, que incluía busto, pedestal, placas e painel em baixo-relevo relacionado à ferrovia, foi substancialmente alterada com o passar do tempo.

O instituto também cita como problemas encontrados o furto de placas e bustos de bronze, o desaparecimento de elementos originais, pichações, deterioração material, corrosão, fissuras, falta de manutenção preventiva e possíveis intervenções que teriam descaracterizado alguns monumentos.

Ação pede proteção
do patrimônio

Diante do levantamento, o ICPP ingressou com uma ação civil pública contra a Prefeitura de Sorocaba. O processo solicitava, em caráter de urgência, a adoção de medidas de proteção e a recuperação dos bens apontados na pesquisa.

A liminar foi negada pela Justiça. Em primeira instância, o juiz considerou que a restauração imediata de dezenas de monumentos envolveria questões técnicas, impacto orçamentário e necessidade de produção de provas.

O ICPP recorreu ao Tribunal de Justiça de São Paulo, mas a 6ª Câmara de Direito Público negou o recurso em 8 de julho. O colegiado entendeu que não estavam demonstrados os requisitos para a tutela de urgência. O TJ-SP também considerou prematura uma ordem genérica de restauração sem perícia especializada e destacou que o levantamento do instituto, embora relevante, foi produzido de forma unilateral.

A decisão ressaltou, porém, que o Município tem responsabilidade constitucional pela proteção do patrimônio cultural. Segundo os desembargadores, uma intervenção judicial pode ocorrer diante de comprovada inércia da Administração, o que ainda não estaria demonstrado no atual estágio do processo.

Câmeras

Paralelamente à ação judicial, o ICPP e a Loja Maçônica Ética e Cidadania participaram da elaboração do Projeto de Lei nº 119/2026, apresentado pelo vereador Ítalo Moreira. A proposta prevê o reforço da vigilância dos monumentos, incluindo a instalação de câmeras.

Segundo Hudson Zuliani, o monitoramento pode ajudar a inibir furtos e atos de vandalismo e facilitar a identificação de responsáveis. O advogado ressalta, porém, que a medida deve ser acompanhada de inventário atualizado, manutenção periódica, iluminação adequada e integração entre os órgãos municipais responsáveis pela Cultura, Serviços Públicos e segurança.

O projeto ainda tramita na Câmara Municipal.

Prefeitura diz
que repõe placas

A Secretaria de Cultura informou que realizou um inventário dos monumentos em 2021 e o atualizou em 2025. Segundo a pasta, cerca de 20 placas foram trocadas desde o ano passado e outras 14 estão em processo de reposição. A Secretaria afirma que segue um cronograma interno e prepara uma nova licitação para a contratação de serviços de troca de placas dos monumentos históricos. A Prefeitura também informou que as novas placas estão sendo feitas em acrílico, em substituição ao metal, por ter menor valor comercial e, portanto, ser menos atrativo para furtos.

Sobre a Praça do Canhão, a Secretaria de Cultura informou que acompanha a manutenção do local em parceria com a Secretaria de Serviços Públicos e Obras. A reposição das placas do monumento está em tramitação. A base de concreto instalada recentemente foi construída para receber a nova placa.

Para o ICPP, a substituição do bronze por acrílico pode reduzir a atratividade econômica dos furtos, mas não resolve, sozinha, a preservação histórica dos monumentos.

A Prefeitura orienta que a população denuncie atitudes suspeitas pelo telefone 153, da GCM, ou 190, da PM. De acordo com o executivo, se identificados, os responsáveis poderão responder pelo crime de dano ao patrimônio público.

 

Galeria

Confira a galeria de fotos