Mudança
Santuário busca ajuda para levar Sandro ao Mato Grosso
Arrecadação pretende reunir R$ 30 mil para auxiliar nas despesas da operação e na preparação para receber o animal
O Santuário de Elefantes Brasil (SEB), localizado na Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso, abriu nesta sexta-feira (28) uma campanha de arrecadação para auxiliar nos custos da transferência do elefante Sandro, que podem chegar a R$ 200 mil.
A campanha on-line pretende arrecadar R$ 30 mil e, até o momento, já conta com R$ 3.840, o equivalente a 13% da meta. De acordo com o advogado e presidente do SEB, Raphael Bontempi Ferreira, o objetivo é contribuir com os custos envolvidos na operação de transferência e com os preparativos para receber Sandro.
Segundo o biólogo e diretor do SEB, Daniel Moura, a equipe do Santuário e a caixa de transporte devem chegar a Sorocaba por volta de 12 de setembro. A partir daí, terá início o processo de transferência, que inclui a aclimatação do animal à estrutura que será utilizada no transporte.
Durante atendimento à imprensa realizado na sexta-feira, a equipe do Santuário esclareceu dúvidas sobre as diferentes etapas da operação, entre elas o processo de aclimatação, as características da caixa de transporte e as condições da viagem. Também foram abordadas questões como a permanência do animal em pé durante o trajeto e os possíveis impactos desse procedimento sobre sua saúde.
De acordo com o SEB, a caixa de transporte possui cinco metros de comprimento, 3,5 metros de altura e 2,5 metros de largura. As dimensões são semelhantes às do recinto onde Sandro vive atualmente, no Parque Zoológico Municipal Quinzinho de Barros, em Sorocaba, há cerca de 40 anos.
A estrutura será equipada com dois aparelhos de ar-condicionado para garantir maior conforto ao animal durante a viagem, especialmente porque o clima no Mato Grosso é mais quente e seco nesta época do ano.
O espaço interno também foi planejado para permitir que Sandro faça pequenos deslocamentos para frente e para trás. Por outro lado, não haverá espaço suficiente para que ele consiga se virar completamente. Segundo o Santuário, isso é necessário porque uma movimentação brusca do animal poderia provocar o desequilíbrio e até o tombamento do caminhão de transporte, aumentando o risco de acidentes.
A caixa também não terá espaço para que Sandro se deite. De acordo com Daniel Moura, porém, a condição não representa um problema para a saúde do elefante. O biólogo explica que, na natureza, esses animais podem caminhar durante dias em processos migratórios e, por isso, os cerca de dois dias previstos para a viagem podem ser percorridos em pé.
Em relação ao estresse provocado pelo deslocamento, Daniel afirma que ele pode ocorrer, mas tende a ser temporário.
Santuário
O Santuário de Elefantes Brasil conta atualmente com seis fêmeas de elefante-asiático, mesma espécie de Sandro, em uma área de 30 hectares. Segundo Daniel Moura, o espaço é cerca de 30 vezes maior do que o recinto ocupado atualmente pelo animal no zoológico de Sorocaba.
As fêmeas, entretanto, permanecem em um habitat separado daquele que será destinado a Sandro. Os animais poderão manter contato caso demonstrem interesse, por meio de uma área com grades, sempre com supervisão e acompanhamento da equipe técnica do Santuário.
De acordo com Daniel, a organização dos espaços busca reproduzir o comportamento observado na natureza, onde machos e fêmeas se aproximam principalmente durante os períodos de acasalamento. A separação também está relacionada ao fato de que o Santuário não tem como objetivo a reprodução dos animais.
Alimentação
Outro ponto esclarecido pelo biólogo durante o atendimento à imprensa foi relacionado à saúde e à alimentação de Sandro. Atualmente, segundo informações da Prefeitura de Sorocaba, o elefante recebe alimentos picados no zoológico, pois apresenta dificuldade para se alimentar em razão da perda dos dentes.
Daniel explica que animais mantidos em cativeiro dependem da alimentação oferecida pelos responsáveis. Na natureza, entretanto, os elefantes têm acesso a uma variedade maior de alimentos, incluindo alfafa, flores e brotos.
No Santuário, Sandro continuará recebendo alimentação picada, mas também poderá explorar o ambiente natural com maior autonomia e se alimentar da vegetação disponível na área onde ficará.
O animal também passará por acompanhamento veterinário para que a equipe possa avaliar seu estado de saúde e identificar eventuais necessidades de cuidados ou tratamentos.
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