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Casas que guardam a memória de Sorocaba

Gabinete de Leitura, IHGGS e Academia Sorocabana de Letras unem acervos, histórias e instituições na GIA para preservar o passado e aproximá-lo das novas gerações

28 de Agosto de 2026 às 16:38
Vernihu Oswaldo [email protected]
IHGGS
IHGGS (Crédito: Daniel Gouveia)

Uma cidade sobrevive do que produz, mas só se eterniza pelo que lembra. Pelo que monumentaliza. Às vezes, os monumentos também servem para guardar outras memórias. Em Sorocaba, instituições como o Gabinete de Leitura Sorocabano, o Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de Sorocaba (IHGGS) e a Academia Sorocabana de Letras (ASL), além de ocuparem monumentos arquitetônicos, protegem acervos, histórias e referências que ajudam a contar a trajetória da cidade.

Essa vocação é tão forte que as três instituições formam hoje o núcleo da GIA ­ União Cultural, uma rede criada para unir forças em prol do patrimônio local. E o peso dessa responsabilidade começa pelas próprias sedes que ocupam.

O Gabinete de Leitura, por exemplo, resiste no coração da Praça Coronel Fernando Prestes. Oficialmente fundado em 13 de janeiro de 1867, é uma das instituições do gênero mais antigas do Brasil ainda em atividade.

Já o IHGGS funciona na Casa de Aluísio de Almeida, patrimônio histórico construído na década de 1930 pelo coronel Aníbal Castanho de Almeida, pai do sacerdote Luiz Castanho de Almeida, conhecido pelo pseudônimo de escritor “Aluísio de Almeida”, um dos principais historiadores de Sorocaba.

Por fim, a Academia Sorocabana de Letras encontrou sua sede na antiga biblioteca operária e espírita, cuja história está ligada ao movimento operário da cidade e à oferta de acesso ao conhecimento, inclusive para pessoas com menos condições.

Inspirada no modelo secular da Academia Francesa, tradição que também moldou a Academia Brasileira de Letras, a ASL preserva a memória intelectual por meio de suas 40 cadeiras perpétuas. Cada assento é guardado por um patrono, imortalizando figuras que ajudaram a forjar a identidade e a cultura da cidade e do país, como Euclides da Cunha, cadeira atualmente ocupada por Carlos Pinto Neto; Aluísio de Azevedo, ocupada pelo atual presidente Antônio Luiz Pontes; e Renato Sêneca, atualmente ocupada por Lígia Zanella.

Manter a rotina de pesquisa, leitura e preservação dentro dessas paredes seculares, no entanto, é um desafio diário. A arquitetura imponente, que também funciona como documento histórico, precisa constantemente provar que é um convite de portas abertas, e não uma barreira capaz de afastar o cidadão comum.

Luciano Viana, atual presidente do Gabinete de Leitura, explica que a memória de uma cidade não é apenas guardar documentos, livros e objetos antigos. Segundo ele, é manter viva a identidade de um povo e permitir que as novas gerações compreendam de onde vieram.

“O Gabinete de Leitura Sorocabano, o Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de Sorocaba e a Academia Sorocabana de Letras possuem, cada um dentro de sua vocação, uma parcela extraordinária dessa memória. A GIA nasce justamente para aproximar essas forças, somando conhecimento, acervos e experiências”, acrescenta Luciano.

Do arquivo para a rua

Se as paredes exigem manutenção constante, o que está guardado dentro delas exige fôlego. Juntas, essas instituições reúnem milhares de volumes, documentos originais, hemerotecas — coleções de jornais antigos —, mapas e registros genealógicos que ajudam a explicar quem foram os construtores de Sorocaba e como a cidade funcionava em diferentes períodos de sua história.

Para além da consulta acadêmica, a união do Gabinete, da ASL e do IHGGS por meio da GIA reforça um papel ainda mais ativo na sociedade. O grande desafio, agora, é fazer essa memória sair das estantes e chegar às pessoas.

Preservar, catalogar, pesquisar, digitalizar e divulgar são caminhos indispensáveis. Afinal, preservar o passado não significa viver nele; significa oferecer às novas gerações referências para compreender a cidade que receberam e ajudar a construir a cidade que desejam.

Monumentos não precisam estar congelados no tempo. Assim como antigos galpões industriais ganharam novos usos e velhas capelas rurais continuam atraindo fiéis, as casas que guardam a memória de Sorocaba buscam, todos os dias, provar que a história da cidade é um organismo vivo. E que o passado só faz sentido quando ajuda a explicar o presente.

Futuro

Luciano Viana enxerga ainda a GIA como um grande monumento para o futuro. “Inicialmente formada pelo Gabinete de Leitura Sorocabano, pelo Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de Sorocaba e pela Academia Sorocabana de Letras, a GIA vem ampliando essa união. Hoje já fazem parte desse movimento a Fundação Ubaldino do Amaral, a Associação Comercial de Sorocaba, a Fundação de Desenvolvimento Cultural de Sorocaba (Fundec) e a Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (Adesg)”, detalha.

Ele complementa: “a GIA não nasceu para substituir nenhuma dessas instituições. Cada uma preserva sua identidade, sua história e sua autonomia. A GIA existe para somar”.

O presidente do Gabinete de Leitura conclui: “Eu costumo dizer que a GIA é uma ponte entre o patrimônio que recebemos e as gerações que virão. Uma ponte que une instituições, pessoas e conhecimentos para preservar, valorizar e tornar mais conhecida a memória cultural de Sorocaba”.

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