Buscar no Cruzeiro

Buscar

Saúde

Sorocaba reforça vacinação após 13 casos suspeitos de sarampo

Prefeitura realiza busca ativa e orienta moradores; especialista alerta para alta capacidade de transmissão do vírus

28 de Agosto de 2026 às 19:51
Caroline Mendes [email protected]
Ação de varredura no território da UBS Cerrado
Ação de varredura no território da UBS Cerrado (Crédito: Divulgação)

Sorocaba reforçou as ações de prevenção e conscientização contra o sarampo diante da investigação de 13 casos suspeitos da doença no município. Desde o início do ano, outras sete suspeitas já foram descartadas. Segundo a Secretaria Municipal da Saúde, não há nenhum caso confirmado de sarampo na cidade atualmente. O último registro confirmado ocorreu em 2020.

A situação levou a Vigilância Epidemiológica, em parceria com a Atenção Primária, a realizar uma ação de varredura no território da Unidade Básica de Saúde (UBS) Cerrado, que inclui o Jardim Paulistano. A iniciativa envolveu busca ativa por pessoas com vacinação em atraso, orientações sobre a doença e seus sintomas e distribuição de panfletos aos moradores.

Segundo a Secretaria da Saúde, os materiais foram distribuídos pela própria UBS Cerrado com o objetivo de sensibilizar a população de sua área de abrangência sobre a importância de manter a carteira de vacinação atualizada diante da existência de casos suspeitos na região.

A cobertura vacinal contra o sarampo em Sorocaba é de 95,59% para a primeira dose e 81,39% para a segunda. O cenário reforça a importância de completar o esquema vacinal, principalmente entre crianças.

A médica infectologista Marina Jabur, coordenadora do Serviço de Controle de Infecção Hospitalar do Hospital Unimed Sorocaba - Dr. Miguel Soeiro, explica que o sarampo apresenta elevada capacidade de transmissão e que mesmo municípios que não registram casos confirmados precisam manter a vigilância.

"O risco é considerável, principalmente porque o sarampo é altamente contagioso. Mesmo cidades do interior, com populações menores, podem ter surtos, principalmente se houver baixa cobertura vacinal ou chegada de pessoas infectadas", afirma.

Segundo a especialista, Sorocaba merece atenção por ser uma cidade com fluxo constante de pessoas. Ela destaca que a vacinação é a principal ferramenta para evitar tanto a doença quanto a circulação do vírus na comunidade.

"Pais, responsáveis, adultos e profissionais de saúde devem verificar e atualizar a carteira vacinal regularmente, especialmente crianças, adolescentes e pessoas que não completaram o esquema vacinal", orienta.

Vigilância

A Secretaria da Saúde informou que, diante das suspeitas, estão sendo adotadas medidas de bloqueio conforme os protocolos da Vigilância Epidemiológica. Unidades públicas e privadas recebem alertas e comunicados de risco e realizam busca ativa institucional e comunitária por pacientes que preencham os critérios de caso suspeito.

Também estão sendo solicitados planos de contingência às unidades de saúde diante de eventuais casos suspeitos, além de capacitações presenciais e on-line para as equipes de assistência.

Nas UBSs, há ainda busca ativa de crianças com doses de vacinas em atraso e uma campanha de multivacinação com foco na tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola.

A Secretaria informou ainda que o Grupo de Vigilância Epidemiológica (GVE) mantém contato com as vigilâncias dos municípios para orientar as ações conforme a evolução do cenário.

Sintomas

O sarampo pode provocar febre alta, pontos vermelhos pelo corpo, tosse seca, coriza e conjuntivite. De acordo com Marina Jabur, a doença pode apresentar complicações graves, inclusive com comprometimento pulmonar e neurológico.

"Diante da suspeita, a pessoa deve procurar imediatamente um serviço de saúde, evitar contato com outras pessoas para impedir a transmissão e informar o histórico de vacinação e contatos recentes", orienta a infectologista.

Quando é surto?

A ocorrência de casos suspeitos, por si só, não significa que Sorocaba esteja enfrentando um surto. Segundo a infectologista, um surto é caracterizado pela ocorrência de um número de casos acima do esperado em determinada área e período, com evidência de transmissão local ativa.

A Secretaria da Saúde ressalta que, como não há circulação viral identificada em Sorocaba a confirmação de um caso depende da investigação e da análise de diferentes exames. Conforme os resultados e a evolução das investigações, novas medidas de bloqueio podem ser desencadeadas.