Eleições 2026
Wind banners devem seguir regras e multa pode chegar a R$ 25 mil
Estruturas são permitidas como bandeiras móveis, mas não podem ser fixadas ao solo nem causar efeito visual de outdoor; especialistas apontam força na repetição e na visibilidade
Os wind banners, também conhecidos como flag banners, invadiram ruas e avenidas de Sorocaba desde o início da propaganda eleitoral, em 16 de agosto. Nos gramados centrais, canteiros e rotatórias, estruturas com nomes e números de candidatos passaram a disputar espaço e a atenção de motoristas e pedestres.
Embora estejam espalhados pelas ruas, os equipamentos não podem ser instalados indiscriminadamente. A legislação proíbe propaganda eleitoral em bens públicos e de uso comum, como postes, sinalização de trânsito, viadutos, passarelas, pontes, pontos de ônibus e outros equipamentos urbanos.
A multa para propaganda irregular pode variar de R$ 5 mil a R$ 25 mil, ou corresponder ao custo da propaganda, caso esse valor seja superior. A responsabilidade pode recair sobre quem realizou a divulgação e também sobre o beneficiário, quando comprovado que tinha conhecimento prévio da irregularidade.
Apesar da aparência semelhante a placas publicitárias, os equipamentos são equiparados a bandeiras pela Justiça Eleitoral. Segundo o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP), trata-se de uma faixa de tecido presa a uma haste flexível, que pode ser sustentada por pessoas ou por uma base com rodas, piso direcional ou outro tipo de apoio. A estrutura, porém, não pode ser fixada ao solo ou a outra superfície.
Das 6h às 22h
A legislação permite a utilização de bandeiras ao longo das vias públicas desde que sejam móveis e não dificultem o trânsito de pessoas e veículos. A exposição é permitida entre 6h e 22h. A propaganda eleitoral, por sua vez, está liberada desde 16 de agosto.
O TRE-SP alerta, entretanto, que o formato não pode ser usado para criar um efeito visual semelhante ao de um outdoor. Wind banners de grandes dimensões podem configurar propaganda irregular e resultar em multa.
Também não existe uma medida única estabelecida pela legislação para determinar quando a estrutura passa a prejudicar a circulação. A análise é feita caso a caso. Conforme entendimento do TRE-SP, a propaganda deve ser colocada em locais onde não cause prejuízo aos bens públicos nem ao trânsito, como uma calçada suficientemente larga para permitir a passagem de pedestres e sem comprometer a visão dos motoristas.
Visibilidade
Para Adriano Baccelli, proprietário da 1000Birutas, empresa especializada na produção desse tipo de material, três características explicam o poder de atração dos wind banners: movimento, altura e cores.
"O tecido se move com o vento, criando um estímulo dinâmico que atrai o olhar muito mais do que estruturas estáticas", explica. Segundo ele, a disposição em sequência também favorece a memorização do nome e número do candidato.
Além de reforçar a identificação, Baccelli afirma que a concentração de estruturas, os chamados "corredores", pode transmitir uma percepção de força e organização da campanha. "A disposição em sequência cria uma sensação de massa crítica, transmitindo uma percepção de força política, organização e forte adesão popular naquela região", afirma.
A repetição, segundo o especialista, é importante para criar familiaridade. A estratégia pode atingir tanto quem circula a pé quanto quem passa de carro, já que as estruturas ficam posicionadas em altura de fácil visualização e têm movimento constante.
Outro fator apontado por Baccelli é a praticidade. O wind banner teria substituído, em parte, o modelo tradicional de bandeiras carregadas por cabos eleitorais. Como são estruturas leves e dobráveis, podem ser transportadas e montadas em diferentes pontos, reduzindo a necessidade de mão de obra permanente.
A partir de R$ 150
De acordo com Baccelli, os modelos utilizados em campanhas são produzidos com impressão por sublimação, processo que permite cores e imagens com boa definição. O preço parte de aproximadamente R$ 150 por unidade, considerando o conjunto do material.
A durabilidade, porém, depende das condições de exposição. Em campanhas de curta duração, o material tende a atender ao período eleitoral, mas, segundo o empresário, pode chegar a mais de seis meses de vida útil, dependendo da exposição ao sol e às demais condições climáticas.
O empresário afirma que o custo-benefício também está relacionado à possibilidade de deslocar as estruturas para diferentes pontos da cidade, ampliando a presença visual da campanha sem a necessidade de uma equipe permanente em cada local.
A disputa, neste caso, não é apenas pelo voto, mas também por quem consegue ocupar mais espaço — e permanecer por mais tempo — no campo de visão do eleitor.