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Recuperação Judicial

Casas Bahia demite 90 na região, mas Justiça suspende

Sincomerciários informa que funcionários seguem sem definição sobre rescisões dos contratos de trabalho

24 de Agosto de 2026 às 21:07
Caroline Mendes [email protected]
Loja da rede varejista foi fechada na avenida 31 de Março, no centro de Votorantim
Loja da rede varejista foi fechada na avenida 31 de Março, no centro de Votorantim (Crédito: Fábio Rogério)

Cerca de 90 trabalhadores das Casas Bahia na região de Sorocaba foram demitidos pela rede varejista, segundo estimativa do Sindicato dos Empregados do Comércio de Sorocaba e Região (Sincomerciários). Os desligamentos realizados entre 13 e 17 de agosto, no entanto, estão temporariamente suspensos por decisão judicial, deixando os trabalhadores em situação indefinida.

A decisão foi discutida ontem (24) em reunião do sindicato com funcionários da rede. Segundo o departamento jurídico da entidade, a medida é provisória e suspende os efeitos das demissões, mas não determina, neste momento, a reintegração dos trabalhadores. A decisão também pode ser revista pela Justiça.

"O sindicato não foi notificado de homologação, de rescisão do contrato atual. A orientação é mantermos todos informados", afirmou o presidente do Sincomerciários, Milton Matias da Costa. Segundo ele, a entidade também pretende oficializar a empresa e abrir negociação para que os trabalhadores tenham suas verbas rescisórias acertadas.

A suspensão foi determinada após questionamento sobre a falta de negociação com os sindicatos antes das demissões coletivas. O Sincomerciários afirma que não foi procurado pela Casas Bahia para discutir os desligamentos.

A decisão judicial alcança especificamente as demissões ocorridas nos dias 13, 14, 15, 16 e 17 de agosto. Segundo a explicação apresentada aos trabalhadores, desligamentos realizados antes ou depois desse período não estão necessariamente abrangidos pela determinação.

Relatos

Entre os trabalhadores afetados está o vendedor Henry Gabriel Franz Teixeira, que trabalhava havia cerca de dois anos e sete meses em uma unidade da rede. Ele contou que foi chamado para uma reunião em 14 de agosto, quando os funcionários foram informados sobre o fechamento das lojas.

"Eles avisaram, fizeram uma reunião ali com a regional da empresa dizendo que lojas tinham sido fechadas por conta de prejuízo", relatou. Segundo ele, parte dos funcionários permaneceu na empresa durante o processo de retirada dos produtos.

Outro trabalhador relatou dificuldades para acessar os sistemas da empresa depois do anúncio dos desligamentos. Segundo ele, os funcionários ficaram sem informações inclusive sobre os exames demissionais.

A entidade afirma que o número de 90 demissões na região ainda é preliminar porque não conseguiu contato com todos os funcionários dispensados.

Recuperação

A Casas Bahia fez pedido de recuperação judicial, o que aumenta a preocupação dos trabalhadores em relação ao recebimento das verbas rescisórias. Segundo a explicação apresentada pelo departamento jurídico do sindicato, a recuperação judicial não significa que os trabalhadores deixarão de receber, mas os créditos trabalhistas passam a seguir as regras do processo de recuperação.

O Cruzeiro do Sul procurou a empresa, mas não obteve retorno. O espaço segue aberto.