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Sentença

Motorista é condenado pela morte de cantor em Mairinque

Guilherme Leon voltava de Goiânia após assinar contrato com uma gravadora quando sofreu o acidente

20 de Agosto de 2026 às 21:25
Vanessa Ferranti [email protected]
Cantor morreu na colisão; motorista deixou o local sem prestar socorro
Cantor morreu na colisão; motorista deixou o local sem prestar socorro (Crédito: Artesp)

O motorista Roberto Carlos Tomaz foi condenado a 16 anos e quatro meses de reclusão, em regime inicial fechado, pela morte do cantor sertanejo Guilherme Leon, de 32 anos, durante julgamento realizado ontem (20), no Tribunal do Júri de Mairinque. A sentença também prevê um ano e dois meses de detenção, em regime inicial aberto, pagamento de 11 dias-multa e suspensão da habilitação para dirigir por seis meses.

Tomaz foi condenado por homicídio qualificado, lesão corporal, embriaguez ao volante e omissão de socorro. O homicídio foi qualificado pelo perigo comum e considerado crime de caráter hediondo. A juíza Camila Mota Giorgetti determinou a prisão imediata do réu após a decisão do Conselho de Sentença.

Na dosimetria da pena, a magistrada fixou inicialmente 14 anos de reclusão pelo homicídio, quatro meses de detenção pela lesão corporal, seis meses de detenção pela omissão de socorro e seis meses de detenção, além de dez dias-multa, pelo crime de embriaguez ao volante.

Como o homicídio e a lesão corporal decorreram de uma única ação, foi aplicado o chamado concurso formal, com aumento de um sexto sobre a pena do homicídio, que chegou a 16 anos e quatro meses de reclusão. Já os delitos previstos no Código de Trânsito Brasileiro e a omissão de socorro foram considerados praticados com desígnios autônomos em relação aos crimes de homicídio e lesão corporal.

A sentença registra que não foram reconhecidas atenuantes ou agravantes e que não houve causas de aumento ou de diminuição de pena. Ao final, a Justiça fixou a pena definitiva em 16 anos e quatro meses de reclusão, mais um ano e dois meses de detenção e 11 dias-multa.

O acidente ocorreu em maio de 2024, na rodovia Raposo Tavares (SP-270), em Mairinque. Morador do município, Guilherme voltava de Goiânia após assinar contrato com uma gravadora. O carro em que estava, acompanhado da esposa, Jorgina Mainardes, foi atingido de frente pelo veículo conduzido por Tomaz. O cantor morreu e a mulher sobreviveu.

Segundo o boletim de ocorrência, o motorista fugiu do local após a colisão, mas foi preso horas depois pela Polícia Civil, em Alumínio. Ainda conforme o registro policial, ele declarou ter ingerido bebida alcoólica.

Segundo o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), o julgamento ocorreu no Fórum de Mairinque. As partes dispensaram a oitiva da esposa de Guilherme e de outras seis testemunhas. Somente o réu foi interrogado.

Na época do acidente, Jorgina contou ao Cruzeiro do Sul que o casal havia percorrido cerca de 900 quilômetros entre Mairinque e Goiânia para realizar o sonho do cantor, depois de conhecer o produtor Cristiano Kauzner.

Na cidade, Guilherme assinou contrato com a gravadora e produziu um videoclipe. Na volta para Mairinque, já próximo de casa, ocorreu o acidente. O casal estava junto havia cerca de 14 anos.

 

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