Audiência Pública
Câmara debate impactos do El Niño e cobra adaptação climática em Sorocaba
Especialistas criticam avanço da urbanização e obras viárias e alertam para ondas de calor, incêndios e prejuízos à agricultura
A Câmara Municipal de Sorocaba realizou nesta quarta-feira (19) uma audiência pública para discutir os possíveis impactos do El Niño no município e na região. O encontro reuniu representantes do poder público, universidades, organizações não governamentais e sociedade civil.
O fenômeno é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial e pode alterar padrões de chuva e temperatura. Para 2026 e 2027, cientistas monitoram a possibilidade de um evento de forte intensidade.
Durante a audiência, participantes criticaram obras como as marginais do Itanguá e do Rio Sorocaba e questionaram o avanço da urbanização sobre áreas rurais e de mananciais previsto no Plano Diretor aprovado neste ano.
Para Najwa Haddad, do Movimento Justiça Climática, os efeitos das mudanças climáticas estão ocorrendo antes das previsões feitas anteriormente. Segundo ela, situações projetadas para 2050, como a intensificação de eventos extremos, já são observadas atualmente.
A especialista defendeu que o foco das políticas públicas passe da prevenção para a adaptação climática, com investimentos em educação ambiental, continuidade das políticas públicas e integração entre governo, universidades e sociedade civil.
A arquiteta Denise Correa, do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB) – Núcleo Sorocaba, afirmou que existem estudos e leis suficientes para orientar medidas de adaptação, mas que muitas normas não são cumpridas. Ela também apontou falta de arborização, saneamento, escolas e unidades de saúde em regiões mais vulneráveis.
Ações federais
Representante da Casa Civil, Micheline Luz afirmou que a Região Sudeste está sujeita a ondas de calor intensas com o El Niño, aumentando os riscos de incêndios e prejuízos à agricultura.
Entre as medidas federais citadas estão a contratação de brigadistas e bombeiros civis, aquisição de equipamentos para combate a incêndios e monitoramento climático. O governo também mantém estoques de alimentos para reduzir riscos de desabastecimento e alta de preços, incluindo 310 mil toneladas de arroz e 180 mil toneladas de milho.