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Saúde

Canetas emagrecedoras: especialista alerta para os riscos da automedicação

Indicados para a obesidade e diabetes, medicamentos devem ser usados somente com prescrição médica

17 de Agosto de 2026 às 21:21
Vanessa Ferranti [email protected]
Canetas emagrecedoras
Medicamentos que tem como princípio ativo a semaglutida são usados para tratamento de diabetes e obesidade (Crédito: Reprodução/Anvisa)

A facilidade de acesso a medicamentos para emagrecer de forma irregular e a popularização das chamadas "canetas emagrecedoras" têm feito com que cada vez mais pessoas busquem esse tipo de tratamento sem acompanhamento médico. O cenário, porém, preocupa especialistas, principalmente pelos riscos da automedicação e pela possibilidade de o paciente não saber identificar efeitos colaterais ou sinais de alerta.

Em entrevista à rádio Cruzeiro FM 92,3, em parceria com o jornal Cruzeiro do Sul, realizada ontem (17), a endocrinologista especialista em metabolismo, Alessandra Ayan, explicou que é fundamental diferenciar o tratamento da obesidade do desejo estético de perder alguns quilos. Segundo a profissional, o uso indiscriminado desses medicamentos representa um problema de saúde pública.

"Remédio para emagrecer é exatamente isso, remédio. A gente não estimula a automedicação. Obesidade é uma doença e o paciente deve procurar um médico para fazer o tratamento".

Medicamentos que tem como princípio ativo a semaglutida são usados para tratamento de diabetes e obesidade. Como todo remédio, ele também possui efeitos colaterais. A médica ressalta que os sinais mais comuns, descritos em bula, são dores de cabeças, náusea, sensação de que a comida permaneceu mais tempo no estômago, dor abdominal e diarreia.

Também podem ocorrer complicações mais graves. De acordo com a endocrinologista, pacientes que reduzem muito o consumo de água podem sofrer desidratação e lesão renal. Há ainda casos raros de inflamação do pâncreas.

Para ela, um dos problemas do uso sem acompanhamento é justamente a dificuldade de o paciente reconhecer quando um efeito colateral exige atenção.

"Um paciente sozinho que se automedicou não vai reconhecer, ele não vai saber nem quais são os sinais de alarme para ele prestar atenção", explica. A médica também faz um alerta sobre a venda desses medicamentos. Segundo Ayan, pessoas que vendem esses remédios em clínicas de estética, por exemplo, podem não ter conhecimento para avaliar se determinado tratamento é adequado para o paciente ou mesmo para verificar a procedência do produto.

"Às vezes as pessoas querem tanto alguma coisa que elas acabam virando massa de manobra. E quem acaba vendendo, essas pessoas não estão prescrevendo, estão vendendo, não tem know-how para isso", afirma. É importante ressaltar também que o médico pode preescrever o medicamento quando necessário, mas os profissionais são vedados pelo Conselho Federal de Medicina de vender a medicação.

Médica Alessandra Ayan: "É fundamental  diferenciar o tratamento da obesidade do desejo estético" - DIVULGAÇÃO / CRUZEIRO FM 92,3
Médica Alessandra Ayan: "É fundamental diferenciar o tratamento da obesidade do desejo estético" (crédito: DIVULGAÇÃO / CRUZEIRO FM 92,3)

Indicação de tratamento

Alessandra ressalta que a indicação para usar o medicamento depende de avaliação médica. Segundo ela, o tratamento com semaglutida pode ser indicado para pacientes com obesidade grau 1, com Índice de Massa Corporal (IMC) a partir de 30, e para pessoas com sobrepeso, com IMC a partir de 25, que já apresentem alguma complicação relacionada ao excesso de peso, como hipertensão, pré-diabetes, problemas articulares e infiltração de gordura no fígado.

Outro ponto de preocupação é a interrupção do medicamento por conta própria. Segundo a especialista, a obesidade é uma doença crônica e, por isso, o tratamento deve ser contínuo.

Quem não está em acompanhamento médico, não tem um endocrinologista ou um médico com expertise para fazer o acompanhamento, simplesmente vai parar a medicação. E, se a medicação era o único fator que estava fazendo aquele paciente perder peso, naturalmente, o que se espera é que ele reganhe".

Preços

A chegada de novos medicamentos à base de semaglutida sintética, registrados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) pode ampliar o acesso ao tratamento da obesidade e diabetes para quem realmente precisa e contribuir para a redução dos preços.

Ontem (17), o órgão regulador publicou a aprovação de dois novos medicamentos injetáveis que possuem como princípio ativo a semaglutida obtida por via sintética.

 

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