Sorocaba 372 anos
Museu e zoológico preservam a memória de Sorocaba
Antiga Chácara Quinzinho de Barros reúne patrimônio histórico, acervo e fauna em um dos espaços mais visitados do município
O Museu Histórico Sorocabano funciona na sede da antiga Chácara de João de Almeida Pedroso, um casarão construído em 1780. O imóvel, erguido em taipa de barro na parte externa e taipa de mão na parte interna, é um dos últimos exemplares remanescentes da arquitetura colonial e rural de Sorocaba.
Ao longo dos séculos, o casarão teve oito moradores, sendo a família Prestes de Barros a última. Entre as histórias que envolvem o imóvel está a passagem de uma figura conhecida da história brasileira: a Marquesa de Santos, que se refugiou no local em 1842, durante a Revolução Liberal. Uma das características do casarão é a existência de uma passagem secreta que leva ao sótão.
A antiga residência da família foi doada à Prefeitura de Sorocaba em 1966. O jardim preserva referências de diferentes períodos da história da cidade. Logo na entrada, uma caminhoneta de 1928, do tipo Ford, com caçamba de madeira, chama a atenção. O veículo pertenceu à frota municipal de Sorocaba.
Entre objetos, animais e lembranças, espaço preserva referências que ajudam gerações de sorocabanos a reconhecer a própria cidade
Mais à frente, um chafariz com quatro leões, que originalmente ficava no Centro da Praça Coronel Fernando Prestes, permanece em funcionamento após reformas. O monumento é conhecido pelas crianças como “fonte dos desejos”, tradição que leva visitantes a jogar moedas entre os ladrilhos.,
A museóloga Daniela Gomes Moreira explica que o casarão era a sede de uma propriedade extensa, que acabou sendo loteada e deu origem ao bairro. “O que permaneceu foi a Chácara Quinzinho de Barros, que deu origem ao parque zoológico e também ao museu”, acrescenta.
O Museu Histórico Sorocabano existe desde 1954, mas foi somente em 1968 que encontrou sua sede definitiva na antiga chácara. O espaço reúne objetos e referências de diferentes períodos da história da cidade e mantém uma relação próxima com o cotidiano dos moradores. Segundo Daniela, em um único fim de semana, mais de mil pessoas podem passar pelo casarão.
O historiador José Rubens Incao propõe uma reflexão sobre o significado da preservação do patrimônio. “O que vale a pena preservar? Patrimônio não é só um prédio antigo. Ele tem história, ele teve vida. E eu falo sempre: quando um prédio antigo cai, ele não cai só o prédio, cai a referência de cidade”, comenta.
Para Incao, a relação com os espaços urbanos também é construída a partir das experiências pessoais. “Porque, no caminhar pela cidade, eu vou lembrar: naquele prédio ali, eu ganhei o primeiro beijo, minha mãe veio me buscar. Você vai criando referência afetiva. Quando esse prédio cai, a sua relação afetiva com a cidade cai também.”
Na avaliação do historiador, essa relação transforma a cidade em uma extensão da própria vida. “A cidade, eu vejo, nada mais é que extensão da tua casa, dos teus amigos, dos parentes, da tua questão amorosa que você constrói nessa convivência, da escola, dos clubes, enfim. Grandes casarões.”
Nos jardins do antigo casarão, diferentes gerações de sorocabanos criam laços e, direta ou indiretamente, entram em contato com referências da história da cidade.
Jardim Zoológico
Foi nesse espaço de memória que Sorocaba também decidiu abrigar parte de sua fauna. O Parque Zoológico Municipal Quinzinho de Barros foi inaugurado em 20 de outubro de 1968, nas terras da antiga chácara.
Os primeiros animais chegaram do antigo Jardim da Margem, que ficava às margens do rio Sorocaba, no trecho entre a ponte da rua XV de Novembro e a Praça Lions, onde atualmente passa a avenida Dom Aguirre.
Além de ser um dos pontos de visitação da cidade, o zoológico recebe cerca de sete mil pessoas por fim de semana e aproximadamente mil visitantes nos dias de semana. Atualmente, o espaço abriga 240 espécies de animais.
Em um passeio pelo local, o Cruzeiro do Sul ouviu dos visitantes algumas das principais dúvidas sobre os animais e o funcionamento do parque.
Uma delas é sobre o jacaré-de-papo-amarelo, que nem sempre pode ser visto no recinto. A direção do zoológico explica que a espécie não consegue regular a própria temperatura corporal. Por isso, a possibilidade de encontrar o animal fora da água depende da temperatura do ambiente e da incidência de sol.
Outra dúvida está relacionada à quantidade de alimentos consumida pelos animais. Por mês, são 1,3 tonelada de carne e 500 quilos de pescados. Na alimentação vegetal, são cerca de 11 toneladas de hortifrúti, além de quatro toneladas de ração e oito toneladas de pastagens e feno.
Entre os animais mais antigos do zoológico estão os hipopótamos Yuri e Yara, que chegaram ao local em 1976 e 1977, respectivamente. Entre os mamíferos, um dos mais recentes é o sauim-de-coleira, nascido no fim de 2025.
O passeio pelo zoológico aproxima o visitante da fauna e também de uma parte da história de Sorocaba. No mesmo espaço onde gerações conheceram animais, brincaram, caminharam e criaram memórias, permanecem as marcas da antiga chácara que ajudou a formar um dos principais espaços de convivência da cidade.

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