Vacinação
Surto de sarampo na capital acende alerta em Sorocaba
Registro de 23 casos confirmados no estado de São Paulo apenas neste ano recolocou a doença no radar das autoridades de saúde
O registro de 23 casos confirmados de sarampo no estado de São Paulo apenas neste ano recolocou a doença no radar das autoridades de saúde. Com a cadeia de transmissão concentrada na capital paulista, em Guarulhos e em São Bernardo do Campo, o alerta também soou no interior. Em Sorocaba, que mantém um forte fluxo diário de pessoas que vão e voltam da Grande São Paulo, o recado é claro: quem viaja com frequência precisa estar com a proteção em dia.
A queda nas coberturas vacinais em todo o território paulista é o principal combustível para a circulação do vírus, que possui alta taxa de contágio e afeta desde bebês até adultos.
Atualmente, a adesão à primeira dose da vacina tríplice viral (que protege contra sarampo, caxumba e rubéola) está em apenas 77,5% no estado. A segunda dose registra um número ainda menor: 65,5%. Ambos os índices estão perigosamente distantes da meta de 95% estabelecida para garantir a imunidade coletiva.
Nas cidades de São Paulo, Guarulhos e São Bernardo, a vacina está sendo oferecida nos postos de saúde para todas as pessoas com idades entre seis meses e 59 anos.
Ainda de acordo com o Ministério da Saúde, os principais sinais e sintomas do sarampo são manchas vermelhas (exantema) no corpo e febre alta (acima de 38,5°C). Em torno de 3 a 5 dias, é comum aparecerem manchas vermelhas no rosto e atrás das orelhas que, em seguida, se espalham pelo restante do corpo.
Após o aparecimento das manchas, a persistência da febre é um sinal de alerta e pode indicar gravidade, principalmente em crianças menores de 5 anos de idade.
O contraste de Sorocaba
Enquanto o estado patina na cobertura, os números de Sorocaba trazem um certo alívio, mas também um ponto de atenção. De acordo com a prefeitura, a cidade já ultrapassou a meta na primeira dose, alcançando 95,47% de adesão. O desafio local, no entanto, é o retorno das famílias para a segunda dose, que atualmente está em 81,30%.
O último caso confirmado de sarampo no município ocorreu há seis anos, em 2020, quando sete infecções foram registradas. Desde então, o controle tem sido rigoroso: em 2024, oito casos suspeitos foram descartados; em 2025, outros três. Neste ano de 2026, Sorocaba ainda não registrou sequer uma suspeita da doença.
Para manter esse bloqueio, a tríplice viral segue disponível rotineiramente nas 33 Unidades Básicas de Saúde (UBSs) da cidade. O esquema vacinal prevê a primeira dose aos 12 meses de vida e a segunda aos 15 meses.
Para reforçar não apenas a barreira contra o sarampo, mas atualizar a caderneta completa de crianças e adolescentes menores de 15 anos, o Ministério da Saúde lançou a Estratégia de Multivacinação 2026. A mobilização nacional será no dia 22 de agosto, com a realização do "Dia D", que oferecerá 18 tipos diferentes de vacinas. Na região, os postos funcionarão em horário especial, das 10h às 16h: Em Sorocaba, a ação ocorrerá simultaneamente em 27 UBSs do município. Já em Votorantim, as doses serão aplicadas nas UBSs Vila Nova, Serrano, Bela Vista e Novo Mundo. (V.O.)