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Carreira Feminina

Exército amplia participação de mulheres no serviço militar

Primeiras militares do serviço voluntário iniciaram atividades em março; integração em Sorocaba ainda depende de estudos

15 de Agosto de 2026 às 21:34
Vernihu Oswaldo [email protected]
Major Carla Renata Rodrigues Machado, oficial da área de Direito, 
 ingressou nas Forças Armadas em 2010
Major Carla Renata Rodrigues Machado, oficial da área de Direito, ingressou nas Forças Armadas em 2010 (Crédito: Fábio Rogério)

Trinta e dois anos após a entrada da primeira turma feminina no Quadro Complementar de Oficiais (QCO), o Exército Brasileiro iniciou uma nova etapa da participação das mulheres nas Forças Armadas com a incorporação das primeiras soldados por meio do serviço militar voluntário. A Base do Interior de Sorocaba acompanha esse processo e poderá integrar a expansão futuramente, embora ainda sem prazo definido.

Em março deste ano, as primeiras mulheres incorporadas por meio do serviço militar voluntário iniciaram suas atividades. O Exército ofereceu 1.010 vagas, enquanto a Marinha disponibilizou 155 e a Aeronáutica, 300. Na primeira oportunidade de alistamento voluntário feminino, 33.721 mulheres se inscreveram para participar do processo seletivo.

O comandante da Base de Apoio Regional de Sorocaba , coronel de artilharia Filipe Gomes, afirmou que existe uma previsão em médio prazo para que mulheres passem a servir na unidade, mas ressaltou que o processo ainda depende de estudos de viabilidade. "O mais importante é que iniciou, e a ideia é manter e ampliar. O ritmo dessa expansão depende de orçamento, adaptações e das necessidades do Exército", afirmou.

Apesar do alto interesse das candidatas e do início das atividades na capital paulista, sede do Comando da 2ª Região Militar, a expansão para o interior exige planejamento. O principal desafio, segundo o Exército, é a adequação da infraestrutura das Organizações Militares (OM), além da disponibilidade de recursos para as adaptações necessárias.

Para receber as novas soldados, os quartéis precisam passar por mudanças estruturais, como a construção ou adaptação de alojamentos e banheiros exclusivos, além da preparação das equipes responsáveis pela instrução. O modelo adotado pelo Exército prevê atividades conjuntas entre homens e mulheres, mas com acompanhamento de sargentos ou oficiais femininas durante o período de formação, facilitando a integração das novas militares e oferecendo suporte quando necessário.

O coronel alerta que "o alistamento é igual ao dos homens. A diferença é que, para as mulheres, ele é voluntário." Interessadas em servir podem procurar uma Junta Militar e se alistar, mesmo em locais onde ainda não há a incorporação. A Junta Militar de Sorocaba fica na rua Comendador Hermelino Matarazzo, 43, na Vila Santa Rita.

Espaço e liderança

A presença feminina no Exército não é recente. Desde 1992, mulheres ingressam no Quadro Complementar de Oficiais (QCO), destinado a profissionais de nível superior em áreas específicas de interesse da Força Terrestre. O ingresso como soldados, no entanto, representa uma nova etapa da ampliação dessa participação.

As especialidades abertas a ambos os sexos variam conforme o edital anual da Escola de Formação Complementar do Exército (EsFCEx).

A major Carla Renata Rodrigues Machado, oficial da área de Direito que atua na Base de Apoio Regional de Sorocaba e ingressou na Força em 2010 após aprovação no Exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e no concurso da instituição, afirma que o plano de carreira não estabelece diferenciação entre homens e mulheres nas promoções.

"A limitação é do quadro escolhido e não pelo fato de ser mulher. Se o profissional pertence a uma especialidade que chega a um determinado posto, ele vai concorrer e tem as mesmas chances de alcançar aquela posição", explicou.

Desde 2018, as mulheres também passaram a ingressar na Academia Militar das Agulhas Negras (Aman), em Resende (RJ), com a entrada da primeira turma feminina da linha de ensino militar bélico. Atualmente, as oficiais formadas na academia podem optar pelas áreas de comunicações, material bélico e intendência.

Para a major, a integração feminina deixou de ser uma perspectiva para se tornar parte da rotina da instituição. "Desde o meu curso de formação já havia muitas mulheres, e em todas as organizações militares em que venho trabalhando sempre notei uma forte presença feminina, inclusive de militares temporárias", afirmou.

A evolução da participação feminina ganhou um novo marco recentemente, quando o Exército promoveu Cláudia Lima Gusmão Cacho, para o posto de oficial-general na área da Saúde.

 

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